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Algumas Formas Primitivas de Classificação

Contribuição para o Estudo das Representações Coletivas (1903)

 

Durkheim e Mauss

 

 

 

Introdução

 

 

“… the concept is related to the classical antropological notions of ‘totemism’ and ‘animism’. Totemism in Levi–Strauss formulation (1966), refers to an intellectual system of classifying social units on the basis of the classification of natural species. As such, totemism thus exploits observable discontinuities in nature to confer a conceptual order on society. Animism, as Descola (1992) has pointed out, may in significant respects be considered the symmetrical inverse of totemism: a mode of conceptually organizing the relationship between human beings and natural species on the basis of the social classification. Animic systems endow natural beings with human dispositions and social attributes with ‘culture’ – habits, rituals, songs, and dances of their own. If totemic system model society after nature, then animic systems model nature after society.”

 

Kaj Århem In: Nature and Society, P. Descola e G. Pálsson, eds., págs 25-44. Londres: Routledge.

 

 

 

Tanto o pensamento quanto suas representações, no que diz respeito às faculdades lógicas, longe de ser um processo individual como quer evidenciar a psicologia contemporânea, são tributários, antes de tudo, de uma multiplicidade de elementos. Durkheim coloca-se contra a opinião de que o processo de surgimento das faculdades lógicas depende unicamente da psicologia individual.

Desta forma, o pensamento cientifico, as faculdades mentais podem ser entendidos sob o prisma da sociologia por suas referências estarem ligadas a verdadeiras instituições sociais, Durkheim chama essas observações de função classificadora.

A função classificadora pode ser definida como feito pelos lógicos e psicólogos, como uma faculdade inata, instituída unicamente pelo individuo. Tal posição é contestada, pois o procedimento que consiste em classificar seres, os acontecimentos, os fatos do mundo em gênero e espécies, bem como as relações entre estes elementos, é de outra ordem.

Durkheim apresenta então uma crítica à apresentação da classificação como um produto da atividade individual.

“Pág. 400. Os lógicos consideram a hierarquia dos conceitos como dada nas coisas, e imediatamente exprimível pela cadeia imposta de silogismos”. Já os psicólogos colocam que a função classificadora se dá pelo simples jogo de associação de idéias ou a partir de leis de contigüidade.

A maneira pela qual a entendemos e a praticamos é relativamente recente.

Mostrar a proposição de Aristóteles de que existem diferenças específicas (e isto não é o conceito?) que demonstrou que não havia passagem de um gênero ao outro.

Aponta essa chamada função classificadora pelo modo como a praticamos e entendemos recentemente em Platão percebida de maneira menor em relação a Aristóteles, Platão entendia que os gêneros eram em certo sentido homogêneos e podiam ser reduzidos uns aos outros pela dialética.

Isto posto pode-se concluir que esta noção atual de classificação tem uma história, bem como uma considerável pré-história. O pensamento mítico e o científico, distante cronologicamente. Ainda postulando o estado de indistinção de onde partiu o gênero humano. A noção de sobrevivência destas indistinções; nos mitos, contos e no folclore, nas religiões exemplificando com o dogma cristão da transubstanciação para provar sua generalidade.

A organização das coisas em classe e gênero não é caudatária de um estado pré-definido de relações conceituais e sim de um estado de indistinção de onde partiu o gênero humano como exemplificado pelos mitos. Assim, a noção atual de classificação tem uma história, mas esta mesma história supõe uma pré-história. Distinções entre este tipo de pensamento que o autor chama de mentalidade, e que nas sociedades européias de hoje só existem em estados de sobrevivências.

            Colocado a distinção que pode se tida como arbitraria também, na questão de conseguir analisar a especificidade das coisas, estabelece que não haja passagem direta de um gênero ao outro para ser ter um critério de evolução.  Durkheim exemplifica através do que os alemães chamam de naturvolker, para acrescentar exemplos de indistinções entre  individuo e personalidade, nome e pessoa, e etc.. mostrando que a indistinção leva a uma identificação de um gênero com outro que na lógica do autor são coisas totalmente diferentes que o homem assume os caracteres da coisa ou do animal com qual esta relação é sugerida

Sobre as crenças mágicas ou ciência primitiva: “Ora, o que elas supõem é a crença na transformação possível das coisas mais heterogêneas umas nas outras e, por conseguinte, a ausência mais ou menos completa de conceitos definidos.” Pág. 401 O ponto é a indistinção conceitual.

A indiferenciação dos homens e seu totem e se não há indiferenciação entre os homens isto também se dá com as coisas. “Há entre as coisas, afirma os autores, não somente entre o signo e o objeto, o nome e a pessoa, os lugares e os habitantes, uma indiferenciação completa.” Pág. 403

A abertura para o acumulo de atributos do pensamento através da consciência é esboçada a partir do que ele chama de desenvolvimento histórico com relação ao desenvolvimento individual. Vê-se a distância que existe entre estas distinções e estes agrupamentos rudimentares, e aquilo que verdadeiramente constitui uma classificação. (agrupamentos rudimentares, processos cognitivos ligado ao desenvolvimento individual e a classificação propriamente dita.)

A distinção entre agrupamentos rudimentares e aquilo que vem da mente da classificação propriamente dita.

Agrupar semelhanças não é função classificadora, pois o que rege os critérios de semelhanças? Entende-se por ela algo que é encerrar as coisas em categorias como a de gênero e espécie e que nada nos é levado a acrescentar que essa ordenação venha como um protótipo de um quadro elementar de modelos de toda classificação em nosso espírito desde nascimento.

A classificação está bem longe de refletir uma necessidade natural, só é possível pensar em função classificadora na humanidade que os homens precisavam estar organizados socialmente.

A palavra não carrega a idéia por si só, pode ajudar, e assim o autor aponta o caso em que não há distinção entre palavra e idéia.  Não se concebe a linguagem. E alem disto dispor tais idéias segundo uma ordem hierárquica.  (valor de Leach) outro exemplo da mesma tese.

Aqui podemos falar de cultura, porém o conceito de representações coletivas vai além, pois é a manifestação das idéias da sociedade por determinado grupo que concebe o próprio instrumental classificatório responsável pela orquestração da mente e o pensamento do individuo. (Para relação sociedade, cultura e individuo no pensamento Durkheimiano).

“Classificar não é somente dispor em grupos, mas colocá-los segundo relações muito especiais”

Problema e solução: O problema é que a lógica classificadora não sendo uma faculdade inata, e por ser extra-lógica nos leva a indagação sobre a procedência desta função. Responder esta pergunta é o que o restante do ensaio tentará efetuar. As indicações e hipóteses de resposta, segundo o autor, são buscadas a partir de sistemas classificatórios de alguns povos primitivos onde esta história da lógica encontra-se em sua forma mais elementar.

 

*Analogias das representações coletivas e a função classificadora, como um principio  do conceito de cultura, o que media a relação entre sociedade e individuo, mas nesta perspectiva a sociedade sobressaindo em relação ao individuo.

 

 

*Então Durkheim acerta no dizer que existe uma função classificadora, e que ela varia de sociedade para sociedade. O problema em relação ao que Levi Strauss vai colocar posteriormente é a capacidade de classificação de a própria lógica ser da mesma envergadura do que a do pensamento cientifico não polarizando entre primitividade e civilização como o fez Durkheim com relação às sociedades européias. Apesar de levar tal categorização para o lado do evolucionismo nos qual o primitivo era um homem em fase biográfica mental a partir da psicanálise uma criança. Psicologia e Antropologia, (psicanálise e a fase da infância), Civilização e Primitivo pelo estado de distinção, mas com relação à lógica ocidental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esboço

 

Psicologia contemporânea

Complexidade das operações mentais

Multiplicidade de elementos que interferem, nas projeções que fazemos de nossas representações do mundo sensível.

Faculdades dadas individualmente. Como inatas desde o nascimento.

Faculdades presentes desde que existiu alguma humanidade.

As funções adquiridas dos mais diversos quadros que não fossem da lógica.

A despeito destas considerações não se teve a idéia de ver nos métodos científicos verdadeiros instituições sociais e o papel da sociologia na descrição e explicação das mesmas.

 

 

Estas observações aplicam-se ao que Durkheim chama de função classificadora.

Para os psicólogos a função classificadora é o corolário de um processo mental de simples associações de idéias, das leis da contigüidade.

 

 

Mostrar o fato que seria suficiente para demonstrar o contrário, que estas operações têm outras origens. A maneira pela qual a entendemos e a praticamos é relativamente recente.

 

Mostrar a proposição de Aristóteles de que existem diferenças específicas (e isto não é o conceito?) que demonstrou que não havia passagem de um gênero ao outro.

Aponta essa chamada função classificadora pelo modo como a praticamos e entendemos recentemente em Platão percebida de maneira menor em relação a Aristóteles, Platão entendia que os gêneros eram em certo sentido homogêneos e podiam ser reduzidos uns aos outros pela dialética.

 

 

Isto posto pode-se concluir que esta noção atual de classificação tem uma história, bem como uma considerável pré-história. O pensamento mítico e o científico, distante cronologicamente. Ainda postulando o estado de indistinção de onde partiu o gênero humano. A noção de sobrevivência destas indistinções; nos mitos, contos e no folclore, nas religiões exemplificando com o dogma cristão da transubstanciação para provar sua generalidade.

 

 

Analogias das representações coletivas e a função classificadora, como um principio de do conceito de cultura, o que media a relação entre sociedade e individuo, mas nesta perspectiva a sociedade sobressaindo em relação ao individuo.

 

 

Colocado a distinção que pode se tido como arbitraria também, na questão de conseguir analisar a especificidade das coisas, estabelecer que não haja passagem direta de um gênero ao outro para ser ter um critério de evolução.  Durkheim exemplifica através do que os alemães chamam de naturvolker, para acrescentar exemplos de indistinções entre individuo e personalidade, nome e pessoa, e etc.. mostrando que a indistinção leva a uma identificação de um gênero com outro que na lógica do autor são coisas totalmente diferentes que o homem assume os caracteres da coisa ou do animal com qual esta relação é sugerida.

 

 

Mostra que se isso se passa com os homens também se dá com as coisas. Indiferenciação completa entre o signo e o objeto, o nome e as coisas, os lugares e os habitantes… etc…

 

*Então Durkheim acerta no dizer que existe uma função classificadora, e que ela varia de sociedade para sociedade. O problema em relação ao que Levi Strauss vai colocar posteriormente é a capacidade de classificação de a própria lógica ser da mesma envergadura do que a do pensamento cientifico não polarizando entre primitividade e civilização como o fez Durkheim com relação às sociedades européias. Apesar de levar tal categorização para o lado do evolucionismo nos qual o primitivo era um homem em fase biográfica mental a partir da psicanálise uma criança. Psicologia e Antropologia, (psicanálise e a fase da infância), Civilização e Primitivo pelo estado de distinção, mas com relação à lógica ocidental.

 

 

 

A abertura para o acumulo de atributos do pensamento através da consciência é esboçada a partir do que ele chama de desenvolvimento histórico com relação ao desenvolvimento individual. Vê-se a distância que existe entre estas distinções e estes agrupamentos rudimentares, e aquilo que verdadeiramente constitui uma classificação. (agrupamentos rudimentares, processos cognitivos ligado ao desenvolvimento individual e a classificação propriamente dita.)

 

 

 

A classificação está bem longe de refletir uma necessidade natural, só é possível pensar em função classificadora na humanidade que os homens precisavam estar organizados socialmente.

A palavra não carrega a idéia por si só, pode ajudar, e assim o autor aponta o caso em que não há distinção entre palavra e idéia.  Não se concebe a linguagem. E alem disto dispor tais idéias segundo uma ordem hierárquica.  (valor de Leach) outro exemplo da mesma tese.

 

 

Colocadas essas 10 observações preliminares, os autores não têm por objetivo resolver o problema (assumir como coisa fundada naturalmente que os homens classifiquem).

Daí fazem a proposta: O que levou-os a dispor suas idéias sob esta forma e não aquela outra, e onde puderam encontrar o plano desta notável disposição. PERGUNTA o que, onde; como).

O argumento consiste em recorrer as mais primitivas classificações para assim ver com que elementos foram construídas.

 

 

O que Durkheim chama de História da lógica, é a tentativa de responder estas perguntas, os fatos enumerados, além de não contemplarem diretamente a questão, no caso de Frazer sugere uma interpretação totalmente diferente, da qual será proposta.

 

 

Seminário: Micro-história

 

LEVI, Giovanni. 1992. “Sobre à micro-história”. In A escrita da história: novas

perspectivas, Peter Burke, org., págs. 133-162. São Paulo: Editora UNESP.

 ROSENTAL, Paul-André. 1998. “Construir o ‘macro’ pelo ‘micro’: Fredrik Barth e a

‘microstoria’”. In Jogo de escalas: a experiência da microanálise, Jacques Revel,

org., págs. 151-172. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas.

 

História e Antropologia. 

1- Apresentação

 Dando continuidade, depois de discutir a História na Antropologia, os textos que irei apresentar são de perspectiva inversa: Como os historiadores estão utilizando a Antropologia mesmo a despeito do amplo campo semântico compreendido na palavra história, enumerando uns logo abaixo:

História Disciplina

História como objeto da Filosofia e assim Filosofia da História (processo Histórico)

História dentro da perspectiva da crítica estruturalista de mudança e movimento. (Agência)

A perspectiva na qual História aqui nos interessa, embora perpasse todos estes campos, diz respeito à perspectiva disciplinar. Tratamos nos textos da discussão de uma proposta metodológica pensada a partir de problemas colocados por mudanças de paradigmas ou de reflexões epistemológicas.

 

Tema:

 A partir de uma problemática colocada pela questão das estruturas, alguns historiadores, dentre os quais, principalmente, Giovannni Levi e Carlo Ginzburg , propõem um novo método na pesquisa histórica amplamente influenciada pelo conceito de etnicidade do antropólogo norueguês Frederik Barth cuja obra de principal expressão é Ethnic groups and boundaries (1976a).

Tal problemática é vista como uma nova proposta na História Social e no que diz respeito à Historiografia Brasileira, tem sido discutida por alguns autores específicos; parece haver em Vainfas uma preocupação, sobretudo com os jogos de escalas, o que o tornaria mais relativista do que fundamentalista no debate do micro versus macro-histórico.

 

O problema na Historiografia, breve contextualização.

 

A perspectiva histórica da trajetória disciplinar da História aqui esboçada (e muitíssimo resumida, pressupondo já um conhecimento prévio) segue Peter Burke. Embora apologeta da História Cultural , como visto em sua demonstração acerca de mitos de origem  para a mesma, o exemplo é Jacob Burckhardt,  historiador suíço, que em 1878 escreveu The Civilization of the Renaissance in Italy, estudo conhecido e colocado na tradição de um campo em legitimação na historiografia, a chamada História Cultural, no qual Peter Burke é um  grande estudioso e articulador.

 

Contra uma História Política e dos acontecimentos no paradigma Rankeano(positivista), na qual o Arquivo tornou-se peça principal e a despeito de exceções como à perspectiva contemporânea a esta como as de Herder e Vico, surge um movimento de contestação na França a partir de uma Revista pelo qual ficou mundialmente conhecido: “ Revue des Annales”. Surge daí a proposta de uma História Estrutural, aproximação ao modelo da sociologia durkheimniana, dando origem a uma História Social. Em uma perspectiva de conflitos, esta História Social ou em sua vertente que estuda as idéias (história das mentalidades) ou em sua abordagem mais social e dialética, sendo a pesquisa histórica epistemologicamente orientada por diversas perspectivas como a marxista, entendendo aqui por marxista as possibilidades investigativas dos diferentes marxismos. Este campo também abre possibilidades para propostas de uma História Intelectual, idéias de filósofos ou uma história social dos intelectuais, uma História econômica com diálogo com os economistas ou o dialogo com a sociologia e a Antropologia Social. Centrando-se assim, em uma perspectiva interdisciplinar, como proposta principal para a investigação histórica segundo os Annales.

 

Um segundo desdobramento desta perspectiva, que é entendida por alguns como uma fragmentação, tem-se desdobrado em História Serial (éventuellement), História quantitativa (cliometria) dados estatísticos arquivos como banco de dados, uma História vista de baixo, uma História Feminista cuja categoria central passa a ser o gênero e enfim a própria proposta da Micro-história como resposta aos determinismos estruturais de matriz althusseriana no marxismo ou de matriz estrutural funcional. Funcionalismo(estrutural) perspectiva psicologizante, (psicologia social) e anacronismo psicológico. Outra perspectiva é a própria História Cultural que como nos mostra Peter Burke, em torno do conceito de Cultura da antropologia. Um ponto talvez interessante para reflexão é que enquanto os historiadores se apropriam do conceito de cultura a partir de uma perspectiva culturalista,  ao mesmo tempo a antropologia vem fazendo duras criticas a este próprio conceito de cultura. (ver os trabalhos de Clifford, Fischer, Abu-Lughod)

            Os principais nomes da EHESS ,Historiografia Francesa e Escola dos Annales (1929-1989) são Emmanuel Le Roy Ladurie,Philippe Ariès,Georges Duby,François Furet,Jacques Le Goff,Lucien Febvre,Marc Bloch,Pierre Nora,Pierre Vidal-Naquet,Jacques Revel,Fernand Braudel. Passando por várias gerações, a 3° geração de Annales é conduzida por Michel Foucault e Jacques Le Goff; fica mais conhecida como a “Nova História” onde toda a atividade humana é considerada história.

Juntamente ao que acontece com a Antropologia, a História vem se debruçando sobre questões epistemológicas fruto de novas relações estabelecidas pela pesquisa com novas fontes e objetos/sujeitos. Ver as relações da História com a cultura material, vide Arqueologia, História oral, Imagens vide iconografia e iconologia, História da Arte.

 

Segue abaixo uma imagem dos campos na Historiografia segundo diversos critérios levantados por BARROS, José D’Assunção em O Campo da História – especialidades e abordagens. Petrópolis: Vozes, 2005.

 

 

 

 

 

 

 

 

 LEVI, Giovanni. 1992. “Sobre a micro-história”. In A escrita da história: novas perspectivas, Peter Burke, org., págs. 133-162. São Paulo: Editora UNESP.

 

 

Breve Biografia de Giovanni Levi 

 

GIOVANNI LEVI (Milano, 1939), professore ordinario di Storia moderna, ha insegnato nelle Università di Torino, Viterbo e Venezia e in numerose università straniere (Francia, Spagna, Argentina, Messico, Stati Uniti). Ha diretto la collana Microstorie (Einaudi) e la rivista “Quaderni storici”. Fa parte della redazione delle riviste: “Rivista di storia economica”, “Zakhor”, “l’Espill”, “Enquete”, “Pasajes”. Collabora all’associazione MERIFOR (Mediterraneo, Ricerca e Formazione) e fa parte del consiglio direttivo di IDEAS (Centro interdipartimentale per l’analisi delle Interazioni Dinamiche tra Economia, Ambiente e Società). E’ co-cordinatore del Dottorato del programma di studi avanzati dell’ Università Pablo de Olavide di Siviglia ‘ Europa, el mundo mediterraneo y su proyeccion atlantica’ ed è membro del Consiglio didattico del Dottorato dell’ Università di Ca’ Foscari ‘Storia sociale europea dal Medioevo all’ Eta’ moderna’. Ha scritto, tra l’altro, L’eredità immateriale,Torino, Einaudi, 1985; Centro e periferia di uno stato assoluto, Torino, Rosenberg, 1985;. Sta lavorando a una storia del consumo in età moderna.

 

A principal obra de Giovanni Levi na Historiografia

 

LEVI, Giovanni. A herança imaterial. Trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

 

In:  http://www.unive.it/nqcontent.cfm?a_id=7043&persona=000910

 University

 Of

 Venice
levi@unive.it

 
 
 
 
 
 Abordagens da Micro História para Giovanni Levi

 

A micro - história tem como proposta  uma história experimental. No lugar de fazer uma leitura do passado já de antemão estruturada, explicar o passado a partir de elementos retirados “empiricamente” do próprio contexto re-criado entre configurações constantemente em adaptação. (Rosental) chama à isto de neopositivismo. A (estrutura), o sistema é composto por elementos (micros). A diferença disto para um relativismo é a procura de explicações maiores.

 

 

Definição de Revel em Lê pouvoir au village(1989): Define a micro história como a tentativa de estudar o social, não como um objeto investido de propriedades inerentes, mas como um conjunto de inter-relacionamentos deslocados existentes entre configurações constantemente em adaptação.

Um dos problemas que queremos levantar aqui é o da Revisão Teórica, ou seja, como a Historiografia se apropria dos conceitos das Ciências Sociais: Conceitos nas ciências sociais imprecisos e utilizados metaforicamente.

 

 

 

Caracterização Epistemológica da Micro-história

 

A micro-história como prática historiográfica tem suas referências teóricas variadas, e em certo sentido, ecléticas.

 

O sentido da micro-história não é definido em relação às micro dimensões de seus objetos de estudos.

 

Nesse sentido Levi define a micro-história como um trabalho experimental por não ter uma ortodoxia estabelecida para dele se servir (crítica ao marxismo, estruturalismo) modelos na História da Historiografia até então anteriores. Então desta forma temos um movimento epistemológico do fato para teoria e não da teoria para o fato na produção das inferências.

 

 

História contexto político da Década de 70 e a resposta dos Historiadores. Aos grandes sistemas funcionalistas e marxistas.

 

 

 

Quando Levi nos fala de uma revisão do aparato conceitual e um deslocamento no que diz respeito à falência dos sistemas e paradigmas existentes para uma completa revisão dos instrumentos de pesquisa atuais. Este movimento representa uma variação no bojo de uma epistemologia que reflete a partir dos instrumentos de pesquisa atuais. O que interessa tanto o historiador neste movimento que pode ser visto na ênfase na pesquisa que Barth tão bem expressou em sua teoria da etnicidade colocada diretamente do campo (aqui tenho uma noção colocada na história intelectual de recepção de audiência, deslocando a história do ser (Lilia Schwarz), no qual a primeira definição científica de historia se deu no movimento da consagração do Arquivo por Ranke em seu modelo positivista o que na Antropologia Social só foi logrado por Malinowski tempo depois).

 

O que eu quero dizer aqui é que a História já nasceu positivista e a Antropologia lembrando dos evolucionistas culturais anteriores a Malinowski?

 

 

 

Críticas ao movimento da mudança social.

 

Progressão regular pelos agentes sociais conforme dois modelos: ou conforme as solidariedades ou conformo o conflito (dialética marxista) em algum determinado sentido, naturais e inevitáveis.

 

(Processo Histórico) Aqui também cabe a palavra História, mas com outro valor semântico que não o da Disciplina.

 

A crise e Outras respostas e justificação.

 

Contudo, Levi coloca que a micro-história com certeza não foi à única resposta a esta crise ma evidencia sua justificativa a caracterizá-la a partir de sua redefinição de conceitos e uma análise aprofundada dos instrumentos e métodos existentes.

 

Justificação de Levi mostra sua posição perante as outras formas de resposta à crise deste contexto que segundo o autor são: absolutamente mais drásticas que com freqüência desviam para um relativismo desesperado, para o neo-idealismo ou mesmo para o retorno a uma filosofia repleta de irracionalidade. *

 

Sujeitos que praticam a Micro-História.

 

Historiadores que tinham suas raízes no marxismo, em uma orientação política para a esquerda e em um secularismo radical com pouca inclinação para a metafísica.

 

 

Proposta.

 

Pág. 135.  Seu trabalho tem sempre se centralizado na busca de uma descrição mais realista do comportamento humano, empregando um modelo de ação e conflito do comportamento do homem no mundo que reconhece sua - relativa - liberdade além, mas não fora, das limitações dos sistemas normativos prescritivos e opressivos. Assim, toda ação social é vista como o resultado de uma constante negociação, manipulação, escolhas e decisões do indivíduo, diante de uma realidade normativa que, embora difusa, não obstante oferece muitas possibilidades de interpretação e liberdades pessoais. (lembro-me do conceito de De Certaeu De tática e estratégias. Um para estrutura e outro para a ação do indivíduo.) Pensar a História e a Estrutura de Sahlins, com a diferença da Longue Durée de Braudel como este coloca em Ilhas de História.

 

 

O problema Disciplinar.

 

 

Segundo Levi a micro-história não tem como questão principal o conflito entre a nova história e a história tradicional (apesar de ser fruto de tais questionamentos) sua principal questão era combater a perspectiva de uma história encarda como uma prática interpretativa. A história não é um texto, e por isso o historiador reclama o direito de interpretar os acontecimentos e não os textos. As estratégias para isso são os métodos da Micro-história e uma nova definição de perspectiva.

 

a) - Redução de Escala Pág. 137

 

Para a micro-história, a redução de escala é um procedimento analítico, que pode ser aplicado em qualquer lugar, independentemente das dimensões do objeto analisado. Pois sua prática é essencialmente baseada, em uma análise microscópica e eu um estudo intensivo do material documental.

 

A diferença é que tal perspectiva não tem como questão, simplesmente, chamar a atenção para as causas e os efeitos do fato de dimensões diferentes que coexistem em cada sistema social.

 

Proposta de Barth e o seminário organizado por ele em Oslo em 1978.

 

A diferença é que micro não é o objeto de estudo e sim o local de estudo o Problema é macro. a perspectiva que é micro. O exemplo do pão e a hierarquização dos sistemas. A Micro - História está ligada à Proporcionalidade.

 

 

Escala. 1/1 a realidade. Pensar na representação do todo, mas é o todo que prevalece. 1/32. ¾, onde o micro tem suas próprias configurações, mas é neste micro que pode-se encontrar respostas para questões macro.

 

Este problema tem relevância tangencial quando o problema real está na decisão de reduzir a escala de observação para propósitos experimentais.

 

O resultado deste procedimento: os fenômenos previamente considerados como bastante descritos e compreendidos assumem significados completamente novos, quando se altera a escala de observação. É então possível utilizar esses resultados para extrair uma generalização mais ampla, embora as observações iniciais tenham sido feitas, dentro de dimensões relativamente estreitas e mais como experimentos do que como exemplo.  (pág. 141)

 

Se não me engano: Temos aqui uma relação epistemológica de complementaridade do numerador da escala a partir de generalizações. Complementaridade de significados. Experimento no lugar de exemplo. e Também não o contrário uma radicalização dos significados o que traria  2/3, 3/6 no lugar 1/56 1/78.

 

 

b)- uma definição específica do contexto e a rejeição do relativismo.

 

Definição específica do contexto.

Aproximação da Antropologia e História:

A construção do contexto segundo a perspectiva da descrição densa: Em vez de se iniciar com uma série de observações e tentativas para impor sobre elas uma teoria do tipo legal, esta perspectiva parte do conjunto de sinais significativos e tenta ajustá-los em uma estrutura inteligível. È a construção do contexto a partir dele mesmo.

 Entretanto: O problema da produção das fontes (o mesmo da História Oral) e a Autoridade Etnográfica apontada por Clifford. O Problema da Interpretação ilimitada.

Rejeição do Relativismo.

Aferições Epistemológicas

Produzido pelo negligenciamento da teoria. A teoria é válida somente no contexto.

A proposta de Levi é que tanto a quantidade de informação necessária para se organizar e definir a cultura, quanto à quantidade de informação necessária à ação, são historicamente mutáveis e socialmente variáveis. È esse, portanto, o problema que necessita ser enfrentado, uma vez que o arcabouço das estruturas públicas, simbólicas, é uma abstração. Pág. 149

 

 

Posição de Levi como uma espécie de limitação auto-imposta (pág. 144)

 

c)- o debate científico sobre a racionalidade

 

Teorias da racionalidade de Geertz ( Um excurso) que vai até a aproximação deste com Heidegger)

 

Segundo Levi: Aqueles que concordam com essa abordagem (exposta por Geertz) não acreditam que seja necessário questionar as limitações, as possibilidades e a mensurabilidade da própria racionalidade. (Culturologia) Reificação da cultura?

 

A resposta de que, todavia este processo (como nos coloca Geertz) não é somente um processo privado, uma vez que o significado  dos símbolos repousa no fato de que eles são compartilhados e por isso comunicável, assim organizado.

 

            Problema do ator racional, uma autêntica idéia-mestra, uma premissa que implica, em Barth, não só uma sociologia, como uma determinada concepção do ser humano e de suas obras. (Villar) caracterização.

 

 

e)- a questão da capacidade receptiva e à narrativa

 

 

Nem é somente um problema entre história qualitativa a construção retórica como acusada por Hayden White ou a história serial quantitativa. A resposta da Micro história é a direção do problema exclusivamente para a questão da comunicação da obra, sua proposta é a de que o leitor não seja considerado uma tabula rasa, mas que assuma o papel de interlocutor no processo narrativo construído sobre a forma de diálogo. Pressupostos da heteroglossia de Bakthin

 

 

 

ROSENTAL, Paul-André. 1998. “Construir o ‘macro’ pelo ‘micro’: Fredrik Barth e a ‘microstoria’”. In Jogo de escalas: a experiência da microanálise, Jacques Revel, org., págs. 151-172. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas

 

 

Breve Biografia

 

Directeur d’études à l’EHESS (École des hautes études en sciences sociales ) ; Chercheur associé à Études Sociales et Politiques des Populations, de la protection sociale et de la santé (ESOPP (Unité « Histoire et Populations »).

Discipline :  Histoire et civilisations de l’Europe

In: http://www.ehess.fr

 

A crítica de Rosental à microstoria italiana.  Em termos de uma revisão comparativa e histórica das relações das propostas da micro história e as propostas teóricas do antropólogo norueguês Frederik Barth.

            Define-a como os que pretende modificar a percepção dos objetos conhecidos aplicando aos fenômenos estudados uma multiplicidade de olhares sucessivos e apresentando sob ângulos diversos realidades frequentemente contraditórias. Elas acarretam também uma reflexão sobro o modo de construção da narrativa pelo historiador. Esta abordagem o autor chama-a de “multiscópica”.

 

O próprio nome colocado por Rosental já nos permite ver sua crítica da abordagem que ele propõe. Multiscópica ao contrário da micro história que são leituras micros de um processo geral que não consideram a heterogeneidade dos micro enquanto relações únicas. Sempre com um pé no macro, o que o autor chama de abordagem Barthiana a tentativa de construir o macro pelo micro.

Assim Rosental coloca a micro-história no que ele qualifica como neo-realista.

Define na página 152

Por meio da promoção de um sujeito que pensa e age segundo modalidades básicas universais e racionais, podemos definir o projeto micro-histórico como aquele que visa a reconstituir todas as cadeias de causalidade que, a partir das escolhas dos indivíduos, produzem as formas sociais que observamos, A escala não é mais aqui um instrumento com o qual podemos jogar de maneira quase indiferenciadas: ela deve necessariamente privilegiar um plano particular – o microscópico.

Segundo Rosental, a matriz teórica que influenciou a micro história italiana foi a de Frederik Barth.

Na primeira parte são apresentado as relações das propostas de Barth sobre a racionalidade limitada, incerteza, incoerência dos sistemas de norma, espaço dos possíveis, causalidade não-determinista, continuum das formas sociais com as proposta da micro-história.

Então o autor argumenta que essas três grandes linhas teóricas (ênfase na mudança, na não coerência dos sistemas normativos) que permitem estas perspectivas não deslocarem apenas os pressupostos, mas os próprios objetos de estudo. Nas abordagens macro-estrututurais, um comportamento é normalmente aceito como a tradução imediata e inequívoca de um conjunto de normas, às quais ele permite, segundo se supõe, remontar.

Mais uma vez o conceito de Estratégias e Táticas de De Certeau como influencia o Barth. Quando coloca em cena um individuo ativo e racional, operando escolhas próprias; dar conta das obrigações e das limitações que pesam sobre ele; relatar essas obrigações numa escala microscópica; mostrar que a incerteza no nível da troca interindividual não é incompatível, no nível agregado, com regularidades comportamentais. (Teoria dos Jogos)

 

A noção de Valor pág. 159.

 

Método. A primeira tarefa do observador deve ser examinar as escolhas efetuadas pelos autores. Ele deve em seguida relaciona-las às configurações particulares nas quais estes estão inseridos, determinando notadamente os recursos dos atores e as obrigações que pesam sobre eles. É o estabelecimento dessa relação que deve permitir descobrir os valores, concebidos como os parâmetros que terão sido levados em conta nas decisões individuais.

A partir das principais noções Barthianas o autor começa a colocar os termos que fazem uma junção da teoria de Barth com a microhistória. Fazendo comparação do Livro de Levi e M. Gribaudi Pág. 167.

Assim o autor volta às premissas de sua analise, apontando que a razão pela qual Barth vê na dimensão microscópica a fonte da mudança social está ligada à importância que ele confere à diversidade.

Ainda na explicitação dos fundamentos Barthianos na obra de Gribaudi o autor aponta a posição que ele caracteriza como popperiana da necessidade de poder submeter os modelos propostos (pois trata-se apenas, em todos os casos, de modelos) a tentativas de falsificação. A despeito das diferenças com a micro história que preza mais pela validação do que pela falsificação, esta atribui o tratamento da história como uma verdadeira ciência experimental alinhada não à compreensão e sim à explicação caracterizando-a finalmente como neo-positivista, ponto que já foi apontado a partir do retorno a empiria no modo determinante da produção da inferências da história.

 

Na verdade o texto de Rosental nos ajuda a clarificar a partir de uma comparação uma posição que aparece obscurecida no texto de Levi. Até porque tem propostas diferentes: Um explicar o que é a micro-história em termos de projetos e o outro contrapor a gênese teórica a partir de uma história intelectual dos diálogos internos entre as duas disciplinas apontando o estatuto epistemológico deste debate num contexto maior, embora superficialmente. O que um Epistemólogo iria fazer melhor. O que Rosental faz é iniciar o dialogo franco pelo prisma de uma história intelectual entre a Antropologia e a História.

 


* Levi Positivista e Racionalista

 

 

 

Teoria da História de Azevedo do Amaral ou  formulação filosófica acerca da mudança histórica.

 

 

Falamos aqui em Teoria da História não no sentido meta-reflexivo preconizado pela perspectiva de Droysen, ou da escola alemã contemporânea com Rüsen no intuito de refletir os fundamentos e pressupostos epistemológicos do conhecimento histórico, o que em outras palavras significa dizer a tentativa de responder a pergunta o que fazem os historiadores quando fazem história? Falamos aqui em outra perspectiva, falamos no sentido de teorias históricas.

Estas “teorias” são leituras do Brasil que buscam as origens de instituições, de processos políticos e sociais, de classes, de projetos políticos e que assim constroem uma narrativa de desvios ou ajustamentos históricos, de acordo com projetos políticos de construção do Estado-nação brasileiro que intelectuais se colocaram a pensar. Neste contexto específico não explicitavam uma pesquisa histórica no sentido stricto de prática acadêmica institucionalizada, mas que refletia, não obstante, através de insights uma dada perspectiva da História do Brasil com pretensões explicitamente político-ideológicas , embora algumas levassem a cabo um argumento cientificista. O resultado são os grandes clássicos de nossa literatura, historiografia e sociologia nacional presente em uma tradição de intelectuais que vai desde literatos e ensaístas até a pesquisa disciplinarizada das ciências sociais a partir dos anos 30 conhecidos no campo do Pensamento Social Brasileiro. È nesta abordagem que se insere a leitura de Azevedo Amaral em seu livro o Estado Autoritário e a Realidade Nacional de 1931, nossa edição é a de 1981. O livro tem como objetivo a leitura da formação do processo político brasileiro a partir de um estudo de conjuntura ideologicamente programado acerca do Estado Novo – por ideologicamente programado quero dizer que o autor tem um projeto político bastante claro.

O ponto de partida para se conceber a História segundo Azevedo Amaral é a história da nação. Qualitativamente estes processos são sempre um encadeamento de experiências. (AZEVEDO AMARAL, p.21, 1981) Daí se coloca que o processo histórico em perspectiva de desenvolvimento não é nada mais que “a correção sucessiva de erros, o reajustamento de situações desarmoniosas, uma série de mutações visando sempre maior adaptação das formas estruturais da sociedade e do seu organismo político às condições traçadas pela inexorável pressão da realidade.” (AZEVEDO AMARAL, p.21, 1981). Isto posto, é possível observar o sentido de recuperação de um destino de aprimoramento das instituições políticas já dado aprioristicamente, sem, contudo não deixar de assinalar o paradoxo contido nesta percepção do processo histórico na qual a realidade e os fatos comprovam o curso já dado de antemão dando luz a um positivismo que relega o “filosofismo especulativo” liberal e que ao mesmo tempo encara tudo que não se conforma no processo como anomalia, desvio e divergência de um estado natural de coisas já dado de antemão.

 

 

 

Materialidade ou dinâmica histórica do processo político brasileiro: Dados

 

Já discorrido anteriormente a tendência dos autores autoritários de fazerem a recuperação histórica como Oliveira Vianna, de um Império Brasileiro que conduzia a centralização da nação de forma eficaz e do malogro da República Velha com sua conjuração a favor do individualismo egoísta republicano de um projeto de governo federalista, Azevedo Amaral, tem uma leitura diferente deste processo diz o autor:

 

                                                                                                                                                  “Sob certos pontos de vista, pode-se dizer mesmo que a ordem política estabelecida em 1891 veio agravar males surgidos durante o período monárquico. [...] A este respeito, contudo, convém observar que a nosso ver tem havido erro, exagero e injustiça em certas críticas frequentemente repetidas à obra dos constituintes de 1891. Assim, atribui-se sempre a eles a responsabilidade pela intensificação de tendências regionalistas, que chegaram a inspirar aos mais criteriosos e patrióticos observadores sérias apreensões acerca das possibilidades de desintegração da nacionalidade. Divergindo radicalmente dessa opnião, já tivemos ensejo de mostrar que ao período imperial e particularmente ao Ato Adicional de 1834 cabem as maiores responsabilidades pelo estímulo das forças centrífugas e disruptivas da nacionalidade[...]”. (Azevedo Amaral, 1934)

 

 

 

 

 

 

 

 

Características do Projeto Político

 

Nesta esteira é que um projeto político se faz necessário ao ressaltar a necessidade de adaptação das instituições ao curso histórico através de um processo de adaptação, diz Azevedo Amaral:

 

“O Processo de adaptação a que acabamos de nos referir é necessariamente longo e penoso. Para atingir um estado relativamente satisfatório de equilíbrio entre as instituições políticas e a organização social e econômica, de um lado, e as injunções imperiosas de condições que não podem ser modificadas, de outro, os povos que revelaram as mais notáveis qualidades para o sucesso histórico tiveram de percorrer lentamente sucessivas etapas de desenvolvimento, que foram outras tantas experiências na plasmagem progressiva de uma estrutura mais consentânea com as expressões do dinamismo da coletividade.”

 

Dentro desta necessidade de criação de instituições que harmonizem o processo histórico na consciência de um povo e na construção da nação aos fatos, Azevedo Amaral já destaca de antemão o perigo de se ancorar tal projeto político à Estruturas exóticas e estilos de arquitetura sociológica e política importados de outros meios. Configura-se assim uma aversão ao estrangeiro no tocante às idéias e projetos políticos que dá suporte a um projeto nacionalista.

 

O Principio geral norteador é o problema que a despeito dos projetos políticos para a marcha do desenvolvimento nacional através de processos de adaptação em nações de formação não colonial seja efetivado a partir da perspectiva de harmonização, no caso de sociedades que tiveram seu desenvolvimento histórico atrelado a uma condição de formação colonial, estas possuem agravantes para sua execução de tal projeto. Sem se ater ao estudo do fenômeno Azevedo Amaral propõe direto o estudo do caso brasileiro.

 

Anotações citado: Citação: José Maurício de Carvalho ( Filosofia UFSJ)

 

“ É Amaral quem construiu o conceito de corporativismo usado durante o Estado Novo.

 

Ele desejou, com o corporativismo, enfraquecer o liberalismo e competir com outra vertente autoritária, o comunismo.

 

“conceber a idéia de Estado econômico autoritário para solucionar o problema da decadência político–econômica na conjuntura brasileira de então” (idem, p. 59).

 

Azevedo Amaral entendeu que o corporativismo é uma etapa natural da evolução do capitalismo. Apesar do caráter autoritário, deve-se ressaltar que o pensador preserva a livre iniciativa, mantém uma relativa liberdade de expressão e reconhece a autonomia da sociedade frente ao Estado.”

 

Assim define-se uma leitura do autor centralizado na perspectiva de Jarbas Medeiros sob a ótico do Antiliberalismo com ponto principal

 

Citação: José Maurício de Carvalho ( Filosofia UFSJ)

 

“Eis as teses centrais do corporativismo: a) conscientização das massas mediante a reforma pedagógica; b) denúncia do fracasso do liberalismo econômico; c) apresentação do corporativismo como verdadeiro antídoto do bolchevismo; e d) concepção de um Estado corporativo que atendesse às peculiaridades brasileiras.”

 

 

 

Malinowski, Bronislaw [1916] 2004. “Baloma; the Spirits of the Dead in the Trobriand Islands”. In Magic, Science and Religion. Kessinger Publishing. pp.149-253.

 

 

“O trabalho de campo consiste única e exclusivamente na interpretação da realidade social caótica, subordiando-a às regras gerais. ”

Malinowski

 

 

 

Baloma; Os espíritos dos mortos nas Ilhas Trobriand

 

Tendo em vista a estrutura de apresentação do ensaio de Malinowski, desenvolveremos este resumo a partir da apresentação sumária do Capítulo VIII – Afirmações genéricas relativas à sociologia da crença – por entender que tal capítulo sintetiza a estrutura argumentativa dos principais pontos trabalhados no ensaio; fazendo com que os outros capítulos sejam a expressão etnologicamente contextualizada das principais características das crenças Trobiandesas, a partir da colocação dos Baloma como eixo investigativo principal. O ponto central é que, nas palavras de Malinowski, a lei geral e a documentação pormenorizada, dão à informação uma dimensão verdadeiramente completa.

Trata-se, antes de tudo, da opção metodológica do autor que, através da tensão dialética entre teoria e empiria, traz à luz, uma concepção de produção de conhecimento sobre outras culturas – “científica”, inaugurada a partir do desenvolvimento do contato direto com os “nativos” pela pesquisa de campo. Tal procedimento sobressai na própria estrutura do ensaio, visto que sua estrutura é dada totalmente ex post facto, no sentido dos dados serem o caminho privilegiado na construção das teorias.  Conclui-se daí que, o último capitulo, classifica e ordena as principais características de uma sociologia da crença, a partir do caso específico das Ilhas Trobiand. No entanto, este procedimento não é generalizante, dado que mesmo o ponto de partida do trabalho de investigação de Malinowski seja a partir do particular, ele termina na elaboração teórica dos dados, e não de leis gerais para sociologia da crença, e isto, no sentido interno de busca de uma coerência da crença Kiriwiana com a própria sociologia Kiriwiana e não com uma sociologia geral.

Portanto, nossa exposição talvez simplifique um aspecto inerente a própria lógica metodológica escolhida pelo autor. Porém em termos de fixação (o conteúdo didático de meu texto), tal estratégia torna-se profícua, pois a estruturação e organização teórica dos fatos etnográficos que aparecem ao longo dos capítulos precedentes ao capítulo VIII, pendiam para um volume que mentalmente, à título de iniciação de leitura, seria demasiado difícil a assimilação dado a riqueza de pormenores. Optamos pela apresentação do capítulo em que tais dados já foram processados teoricamente no sentido de servirem como ancora na facilitação da leitura rápida do mesmo, termo básico de um bom resumo, nosso maior objetivo aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulos

 

 

 

I.                   Comentários Gerais relativos à independência das práticas fúnebres e ao bem-estar do espírito; As duas formas de espírito ou fantasma, o baloma e o Kosi; as mulukuausi, seres terríveis que pairam nas proximidades de um cadáver.

 

II.                A viagem do espírito (Baloma) ao mundo inferior; chegada e acolhimento em Tuma, A Ilha dos Espíritos.

 

III.             Comunhão entre os baloma e os vivos; encontros no estado acordado; comunhão através de sonhos e visões; natureza dos baloma e dos Kosi.

 

IV.             Regresso dos espíritos às suas aldeias durante a festa anual (Milamala)

 

V.                Papel desempenhado pelos Espíritos na Magia: Referência a antepassados nas formulas mágicas

 

VI.             Crenças na reencarnação

 

VII.          Desconhecimento da fisiologia da reprodução

 

VIII.       Afirmações genéricas relativas à sociologia da crença.

 

  

 

VIII.                   Afirmações genéricas relativas à sociologia da crença

 

A primeira distinção colocada por Malinowski no Capítulo VIII, diz respeito a uma diferenciação dos dados concretos das leis gerais sociológicas, que devem ser perspectivadas e enquadradas no local de estudo. Está implícita neste enquadramento a transição do processamento dos dados do observador para o cânone científico. Ora, os dados passam de um emaranhado caótico e ininteligível para um conteúdo classificado e organizado por padrões previamente descritos. O procedimento utilizado por Malinowski é assim então descrito:

 

- separação dos fatos puros das interpretações.

Este critério se faz através dos parâmetros do que têm de variável e invariável, neste caso da crença: (fatores invariáveis da crença como: tradição e instituições e atitude emocional assim como os fatores variáveis da crença:  opini