Algumas Formas Primitivas de Classificação
Contribuição para o Estudo das Representações Coletivas (1903)
Durkheim e Mauss
Introdução
“… the concept is related to the classical antropological notions of ‘totemism’ and ‘animism’. Totemism in Levi–Strauss formulation (1966), refers to an intellectual system of classifying social units on the basis of the classification of natural species. As such, totemism thus exploits observable discontinuities in nature to confer a conceptual order on society. Animism, as Descola (1992) has pointed out, may in significant respects be considered the symmetrical inverse of totemism: a mode of conceptually organizing the relationship between human beings and natural species on the basis of the social classification. Animic systems endow natural beings with human dispositions and social attributes with ‘culture’ – habits, rituals, songs, and dances of their own. If totemic system model society after nature, then animic systems model nature after society.”
Kaj Århem In: Nature and Society, P. Descola e G. Pálsson, eds., págs 25-44. Londres: Routledge.
Tanto o pensamento quanto suas representações, no que diz respeito às faculdades lógicas, longe de ser um processo individual como quer evidenciar a psicologia contemporânea, são tributários, antes de tudo, de uma multiplicidade de elementos. Durkheim coloca-se contra a opinião de que o processo de surgimento das faculdades lógicas depende unicamente da psicologia individual.
Desta forma, o pensamento cientifico, as faculdades mentais podem ser entendidos sob o prisma da sociologia por suas referências estarem ligadas a verdadeiras instituições sociais, Durkheim chama essas observações de função classificadora.
A função classificadora pode ser definida como feito pelos lógicos e psicólogos, como uma faculdade inata, instituída unicamente pelo individuo. Tal posição é contestada, pois o procedimento que consiste em classificar seres, os acontecimentos, os fatos do mundo em gênero e espécies, bem como as relações entre estes elementos, é de outra ordem.
Durkheim apresenta então uma crítica à apresentação da classificação como um produto da atividade individual.
“Pág. 400. Os lógicos consideram a hierarquia dos conceitos como dada nas coisas, e imediatamente exprimível pela cadeia imposta de silogismos”. Já os psicólogos colocam que a função classificadora se dá pelo simples jogo de associação de idéias ou a partir de leis de contigüidade.
A maneira pela qual a entendemos e a praticamos é relativamente recente.
Mostrar a proposição de Aristóteles de que existem diferenças específicas (e isto não é o conceito?) que demonstrou que não havia passagem de um gênero ao outro.
Aponta essa chamada função classificadora pelo modo como a praticamos e entendemos recentemente em Platão percebida de maneira menor em relação a Aristóteles, Platão entendia que os gêneros eram em certo sentido homogêneos e podiam ser reduzidos uns aos outros pela dialética.
Isto posto pode-se concluir que esta noção atual de classificação tem uma história, bem como uma considerável pré-história. O pensamento mítico e o científico, distante cronologicamente. Ainda postulando o estado de indistinção de onde partiu o gênero humano. A noção de sobrevivência destas indistinções; nos mitos, contos e no folclore, nas religiões exemplificando com o dogma cristão da transubstanciação para provar sua generalidade.
A organização das coisas em classe e gênero não é caudatária de um estado pré-definido de relações conceituais e sim de um estado de indistinção de onde partiu o gênero humano como exemplificado pelos mitos. Assim, a noção atual de classificação tem uma história, mas esta mesma história supõe uma pré-história. Distinções entre este tipo de pensamento que o autor chama de mentalidade, e que nas sociedades européias de hoje só existem em estados de sobrevivências.
Colocado a distinção que pode se tida como arbitraria também, na questão de conseguir analisar a especificidade das coisas, estabelece que não haja passagem direta de um gênero ao outro para ser ter um critério de evolução. Durkheim exemplifica através do que os alemães chamam de naturvolker, para acrescentar exemplos de indistinções entre individuo e personalidade, nome e pessoa, e etc.. mostrando que a indistinção leva a uma identificação de um gênero com outro que na lógica do autor são coisas totalmente diferentes que o homem assume os caracteres da coisa ou do animal com qual esta relação é sugerida
Sobre as crenças mágicas ou ciência primitiva: “Ora, o que elas supõem é a crença na transformação possível das coisas mais heterogêneas umas nas outras e, por conseguinte, a ausência mais ou menos completa de conceitos definidos.” Pág. 401 O ponto é a indistinção conceitual.
A indiferenciação dos homens e seu totem e se não há indiferenciação entre os homens isto também se dá com as coisas. “Há entre as coisas, afirma os autores, não somente entre o signo e o objeto, o nome e a pessoa, os lugares e os habitantes, uma indiferenciação completa.” Pág. 403
A abertura para o acumulo de atributos do pensamento através da consciência é esboçada a partir do que ele chama de desenvolvimento histórico com relação ao desenvolvimento individual. Vê-se a distância que existe entre estas distinções e estes agrupamentos rudimentares, e aquilo que verdadeiramente constitui uma classificação. (agrupamentos rudimentares, processos cognitivos ligado ao desenvolvimento individual e a classificação propriamente dita.)
A distinção entre agrupamentos rudimentares e aquilo que vem da mente da classificação propriamente dita.
Agrupar semelhanças não é função classificadora, pois o que rege os critérios de semelhanças? Entende-se por ela algo que é encerrar as coisas em categorias como a de gênero e espécie e que nada nos é levado a acrescentar que essa ordenação venha como um protótipo de um quadro elementar de modelos de toda classificação em nosso espírito desde nascimento.
A classificação está bem longe de refletir uma necessidade natural, só é possível pensar em função classificadora na humanidade que os homens precisavam estar organizados socialmente.
A palavra não carrega a idéia por si só, pode ajudar, e assim o autor aponta o caso em que não há distinção entre palavra e idéia. Não se concebe a linguagem. E alem disto dispor tais idéias segundo uma ordem hierárquica. (valor de Leach) outro exemplo da mesma tese.
Aqui podemos falar de cultura, porém o conceito de representações coletivas vai além, pois é a manifestação das idéias da sociedade por determinado grupo que concebe o próprio instrumental classificatório responsável pela orquestração da mente e o pensamento do individuo. (Para relação sociedade, cultura e individuo no pensamento Durkheimiano).
“Classificar não é somente dispor em grupos, mas colocá-los segundo relações muito especiais”
Problema e solução: O problema é que a lógica classificadora não sendo uma faculdade inata, e por ser extra-lógica nos leva a indagação sobre a procedência desta função. Responder esta pergunta é o que o restante do ensaio tentará efetuar. As indicações e hipóteses de resposta, segundo o autor, são buscadas a partir de sistemas classificatórios de alguns povos primitivos onde esta história da lógica encontra-se em sua forma mais elementar.
*Analogias das representações coletivas e a função classificadora, como um principio do conceito de cultura, o que media a relação entre sociedade e individuo, mas nesta perspectiva a sociedade sobressaindo em relação ao individuo.
*Então Durkheim acerta no dizer que existe uma função classificadora, e que ela varia de sociedade para sociedade. O problema em relação ao que Levi Strauss vai colocar posteriormente é a capacidade de classificação de a própria lógica ser da mesma envergadura do que a do pensamento cientifico não polarizando entre primitividade e civilização como o fez Durkheim com relação às sociedades européias. Apesar de levar tal categorização para o lado do evolucionismo nos qual o primitivo era um homem em fase biográfica mental a partir da psicanálise uma criança. Psicologia e Antropologia, (psicanálise e a fase da infância), Civilização e Primitivo pelo estado de distinção, mas com relação à lógica ocidental.
Esboço
Psicologia contemporânea
Complexidade das operações mentais
Multiplicidade de elementos que interferem, nas projeções que fazemos de nossas representações do mundo sensível.
Faculdades dadas individualmente. Como inatas desde o nascimento.
Faculdades presentes desde que existiu alguma humanidade.
As funções adquiridas dos mais diversos quadros que não fossem da lógica.
A despeito destas considerações não se teve a idéia de ver nos métodos científicos verdadeiros instituições sociais e o papel da sociologia na descrição e explicação das mesmas.
Estas observações aplicam-se ao que Durkheim chama de função classificadora.
Para os psicólogos a função classificadora é o corolário de um processo mental de simples associações de idéias, das leis da contigüidade.
Mostrar o fato que seria suficiente para demonstrar o contrário, que estas operações têm outras origens. A maneira pela qual a entendemos e a praticamos é relativamente recente.
Mostrar a proposição de Aristóteles de que existem diferenças específicas (e isto não é o conceito?) que demonstrou que não havia passagem de um gênero ao outro.
Aponta essa chamada função classificadora pelo modo como a praticamos e entendemos recentemente em Platão percebida de maneira menor em relação a Aristóteles, Platão entendia que os gêneros eram em certo sentido homogêneos e podiam ser reduzidos uns aos outros pela dialética.
Isto posto pode-se concluir que esta noção atual de classificação tem uma história, bem como uma considerável pré-história. O pensamento mítico e o científico, distante cronologicamente. Ainda postulando o estado de indistinção de onde partiu o gênero humano. A noção de sobrevivência destas indistinções; nos mitos, contos e no folclore, nas religiões exemplificando com o dogma cristão da transubstanciação para provar sua generalidade.
Analogias das representações coletivas e a função classificadora, como um principio de do conceito de cultura, o que media a relação entre sociedade e individuo, mas nesta perspectiva a sociedade sobressaindo em relação ao individuo.
Colocado a distinção que pode se tido como arbitraria também, na questão de conseguir analisar a especificidade das coisas, estabelecer que não haja passagem direta de um gênero ao outro para ser ter um critério de evolução. Durkheim exemplifica através do que os alemães chamam de naturvolker, para acrescentar exemplos de indistinções entre individuo e personalidade, nome e pessoa, e etc.. mostrando que a indistinção leva a uma identificação de um gênero com outro que na lógica do autor são coisas totalmente diferentes que o homem assume os caracteres da coisa ou do animal com qual esta relação é sugerida.
Mostra que se isso se passa com os homens também se dá com as coisas. Indiferenciação completa entre o signo e o objeto, o nome e as coisas, os lugares e os habitantes… etc…
*Então Durkheim acerta no dizer que existe uma função classificadora, e que ela varia de sociedade para sociedade. O problema em relação ao que Levi Strauss vai colocar posteriormente é a capacidade de classificação de a própria lógica ser da mesma envergadura do que a do pensamento cientifico não polarizando entre primitividade e civilização como o fez Durkheim com relação às sociedades européias. Apesar de levar tal categorização para o lado do evolucionismo nos qual o primitivo era um homem em fase biográfica mental a partir da psicanálise uma criança. Psicologia e Antropologia, (psicanálise e a fase da infância), Civilização e Primitivo pelo estado de distinção, mas com relação à lógica ocidental.
A abertura para o acumulo de atributos do pensamento através da consciência é esboçada a partir do que ele chama de desenvolvimento histórico com relação ao desenvolvimento individual. Vê-se a distância que existe entre estas distinções e estes agrupamentos rudimentares, e aquilo que verdadeiramente constitui uma classificação. (agrupamentos rudimentares, processos cognitivos ligado ao desenvolvimento individual e a classificação propriamente dita.)
A classificação está bem longe de refletir uma necessidade natural, só é possível pensar em função classificadora na humanidade que os homens precisavam estar organizados socialmente.
A palavra não carrega a idéia por si só, pode ajudar, e assim o autor aponta o caso em que não há distinção entre palavra e idéia. Não se concebe a linguagem. E alem disto dispor tais idéias segundo uma ordem hierárquica. (valor de Leach) outro exemplo da mesma tese.
Colocadas essas 10 observações preliminares, os autores não têm por objetivo resolver o problema (assumir como coisa fundada naturalmente que os homens classifiquem).
Daí fazem a proposta: O que levou-os a dispor suas idéias sob esta forma e não aquela outra, e onde puderam encontrar o plano desta notável disposição. PERGUNTA o que, onde; como).
O argumento consiste em recorrer as mais primitivas classificações para assim ver com que elementos foram construídas.
O que Durkheim chama de História da lógica, é a tentativa de responder estas perguntas, os fatos enumerados, além de não contemplarem diretamente a questão, no caso de Frazer sugere uma interpretação totalmente diferente, da qual será proposta.

