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BERSTEIN, Serge. Os Partidos in: RÉMOND, René. Por uma história política: Rio de Janeiro: Ed. UFRJ/Ed. FGV, 1996.

Qual a situação do tema de pesquisa Partidos Políticos na História Política? Qual a relação entre partido e ideologia? Qual o lugar particular e as influências do jogo político no comportamento político dos Partidos? Quais as primeiras abordagens históricas para estudos de Partidos Políticos? Trata-se de optar por uma abordagem simplista ou complexa? Quando e como surgiram os partidos políticos como forma de representação política no ocidente? O que é o pensamento político? Qual a relação dos Partidos Políticos com este? Existe uma relação causal entre acontecimento político e as necessidades políticas que orientam a ação política de determinado grupo? Qual o papel do historiador na análise da mediação de forças políticas? Qual a diferença de grupos clientelísticos e a dimensão moderna que assume o termo ‘partido’? Qual o sentido da caracterização de Duvenger sobre ‘partidos de quadros’ e os partidos de origem externa do parlamento? A emergência dos partidos políticos deve ser entendida por fenômenos contingentes ou estruturais? Qual a relação entre a adequação de idéias de um partido e uma determinada situação? O que é uma cultura política e qual o papel que esta desempenha na transmissão de valores partidários por várias gerações? Qual a justificativa e os fenômenos políticos que se fazem observáveis a partir do estudo dos partidos políticos do ponto de vista histórico? O que é um partido político? Quem o compõe? Como funciona uma organização política? Como é a composição social de um partido e sua relação com as idéias que defendem? Qual a maneira de se tratar esta questão sem cair no reducionismo? Quais os modelos de organização partidária? Há necessidade de se perguntar sobre o financiamento dos partidos políticos? Quem tem o poder dentro dos partidos políticos? Qual o núcleo duro destas formações políticas? O que permite ao historiador partir de um ponto seguro capaz de conectar as ações políticas dos eleitores que nem sempre são conscientes da base doutrinal das idéias dos partidos aos quais estão filiados?

UMA SITUAÇÃO CONTRASTADA: DESCRÉDITO E FECUNDIDADE

Berstein inicia seu texto apontando que o tema Partidos Políticos enquanto objeto de estudo na História sofria o mesmo descrédito da História Política, frente às críticas de uma História mais quantitativa ou da História Social, fornecendo a chave explicativa de todos os fenômenos, ou da visão marxista, ou mesmo da história das culturas como o estudo das motivações do homem histórico.

Nesse sentido, a História Política perdeu seu lugar recebendo crítica como destacando o modelo da história factual tomando os fatos como epifenômenos contemporâneos sem levar em conta uma maior profundeza nas investigações, tendo objetivo principal apenas a precisão da recomposição factual da vida política. Nesta perspectiva, com relação ao estudo sobre partidos políticos, tratava-se apenas de abordar a formação, o desenrolar de congressos, lutas internas e posicionamentos em relação a grandes fatos da história.

Acompanhada desta abordagem, outra perspectiva também definia o estudo dos Partidos Políticos: a dimensão ideológica. Estes estudos, segundo o autor, se baseavam na idéia de que um partido se define fundamentalmente pelos seus fins últimos, ou seja, pelo seu projeto de sociedade. Para Berstein, seria relativamente fácil compreender os limites deste tipo de abordagem, pois desconsiderar as lutas internas do jogo político que passam por mecanismo que definem o comportamento dos partidos políticos e mais, de que nem todo Partido Político, principalmente durante as origens desta organização política da sociedade, encaravam um programa ideológico solidamente definido; atuando muito mais como espaço de projeção eleitoral de indivíduos nas tramas da distribuição do poder no parlamento.

Isto clarifica uma hipótese do autor sobre a prevalência desta abordagem em partidos de esquerda que teriam base ideológica mais solidamente formulada. Afirma o autor:

Sob essa ótica, o modelo praticamente único é o partido marxista, e o exercício consiste em examinar a maneira como sua ação conduz, com maior ou menor êxito, à possibilidade de realização de seu ideal, cuja legitimidade não é posta em dúvida. Resultou daí um punhado de trabalhos dedicados aos partidos de esquerda e de extrema esquerda, em que os grupúsculos mais reduzidos (e, portanto, mais puros ideologicamente) aparecem como os mais interessantes, o Partido Comunista serve de referência, e o partido Socialista representa o campo fechado onde se confrontam tendências revolucionária e ranços reformista, enquanto as outras formações eram, na maioria das vezes, soberbamente ignorada pelos historiadores (Berstein, 1996, p. 58)

A crítica do autor a estes modelos de história-crônica e factual e história ideológica se arrefece acusada-as de simplismo e maniqueísmo e com indiferença pelo real.

Outro ponto que corroborou para o descrédito da História dos partidos foi a ignorância de um aspecto que o autor considera fundamental: Seria o cruzamento da longa duração e do acontecimento singular e que: ‘ recorre para explicar as ações dos homens, a dados múltiplos e complexos cuja combinação desemboca na ação dos partidos levando em conta o peso da tradição, o jogo das mentalidades, a cultura e o discurso, os grupos sociais e a ideologia, a psicologia social, o jogo dos mecanismos organizacionais e a importância das representações coletivas’. (Berstein, p. 58) Chamando atenção, então de que não se trata apenas de disputa pelo poder.

Analisa algumas obras fundamentais na área como a de René Rémond e, por conseguinte, concede créditos aos cientistas políticos que mudaram as perspectivas de abordagem para consideração dos partidos enquanto organizações, o papel e significado da existência dos mesmos durante sua recente história na sociedade ainda do fim do século XIX.

O PARTIDO, LUGAR DA MEDIAÇÃO POLÍTICA

O partido político é apresentado pelo autor como um mediador político. Percebe-se, pois, um mediador contemporâneo. Segundo o mesmo, não deve-se considerar o homem como originariamente um animal político. Mas esta dimensão das ações humanas surge do encontro das necessidades cotidianas à passagem de aspirações e necessidades (ressalta que não unicamente materiais) à expressão do pensamento político.  Esta relação não é dada nem necessária. Em síntese o autor afirma que nem sempre o resultado político é igual a relação de sua necessidade e a ação política mobilizada para atingir tais fins. Para tanto, dá o exemplo dos liberais de 1830 na França.

Segundo o autor: ‘Na verdade, entre um programa político e as circunstâncias que o originaram, há sempre uma distância considerável, por que passamos então do domínio do concreto para o do discurso, que comporta uma expressão de idéias e uma linguagem codificada’ (Berstein, 1996, p.61) Seria neste lapso que se encontra, por exemplo, o papel da cultura política e de uma tradição política na formação do discurso político. (Cultura – Evento e Ação) Como ficaria esta relação no estruturalismo? Define assim, o papel do historiador como fundamentalmente orientado para entender estas distâncias.

QUANDO E COMO NASCEM OS PARTIDOS POLÍTICOS? O TESTEMUNHO DE UM DETERMINADO ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES

O autor estabelece uma distinção fundamental do que seria um partido no sentido moderno do termo e agregações com forças políticas que aspiram ao poder e que existem há muito tempo. Berstein (1996, p.62) afirma que os primeiros não podem ser confundidos com grupos restritos que não passam de clientelas com efetivos limitados e os partidos políticos modernos, com vocação para encampar ou canalizar votos de populações numerosas como o sentido dos partidos modernos.

Penso que esta distinção dá dimensão de uma transformação complexa destas instituições que pode ser avaliadas caso a caso a partir de uma história do processo eleitoral, pensando no caso brasileiro dos Partidos da República Velha e a configuração do jogo eleitoral contemporânea. No entanto, percebe-se em tal abordagem uma perspectiva um tanto quanto funcionalista que trataria do desempenho dos partidos a partir de um ponto de vista processual pelo qual o modelo vigente representaria um estágio avançado de uma instituição ainda não complexificada como no caso dos partidos clientelísticos. Eu acredito que é necessário, portanto, tomar cuidado com este tipo de caracterização em termos analíticos.

Bernstein situa a emergência dos partidos políticos neste sentido moderno como caracterizado por ele acima, restrita à época e locais específicos, como no caso norte-americano, a partir da eleição de Jackson e no caso francês com a formação do Partido Radical em 1901 e a consolidação desta forma de representação política no Entre Guerras. No caso brasileiro, o autor não dá resposta. Mas suponho que surgiram efetivamente durante o fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo com o início da República Democrática de 45-64, partidos políticos mobilizados para o jogo eleitoral que adquiriram plataforma ideológica, pelo menos mais ou menos, participando de um jogo político democrático estabelecido, sem contar com a tentativa anterior da criação de partidos como o PCB em 1922 e da ABI (Ação Integralista Brasileira), mas para tal vale os reconhecidamente oficiais dentro de um modelo republicano democrático.

O autor então utilizasse da caracterização do nascimento dos partidos do cientista político Maurice Duverger que distingue o ‘partido de quadros’, aqueles nascidos para dar continuidade na reeleição de parlamentares que tem como mecanismo geral a criação de grupos parlamentares e a criação de comitês que canalizam a massa de eleitores com a ligação desses dois elementos e os partidos e origem externa do parlamento, que fazem da base militante representado pelos grupos de pressão como sindicatos, ‘sociedade de pensamento’, igrejas e associações a fonte essencial do poder partidário.

Assim, acrescenta que estes partidos tiveram seu nascimento mais tardiamente demonstrando a aplicação do atores reais no jogo político, diferentemente do século XIX. Entendo que no caso brasileiro o primeiro partido com essas bases poderia ser o PCB e posteriormente o PTB, por isto historiadores como Ângela de Castro Gomes enfatizar a República de 45-64 e o trabalhismo como um passo para a luta de cidadania no Brasil.

Conclui que a emergência dos partidos está intimamente ligada a:

Um determinado estado da sociedade resultante das conseqüências da revolução industrial, do avanço das idéias liberais, do desenvolvimento de burguesias e classes médias que acedem à cultura e desejam, através do regime representativo, desempenhar um pape na vida política, A reflexão sobre o ‘modelo’ de Maurice Duverger leva assim a considerar o partido político como o testemunho de um determinado estágio de desenvolvimento e de evolução das sociedades. (Berstein, 1996, p.66)

Neste sentido, pode-se pensar criticamente o quadro evolutivo proposto por Bernstein, a partir da antropologia estudando o fenômeno político com uma etnografia dos votos quando se propõe a estudar o comportamento político de populações que se encontram foram deste regime caracterizado por Bernstein ou que operam com uma lógica diferente com relação à política. Neste caso consultar os trabalhos de Goldman (2006) e Palmeira (1996, 1998, 2006)

O PARTIDO POLÍTICO, PRODUTO DAS GRANDES CRISES HISTÓRICAS

Esta tese relativa à emergência dos partidos como fruto de um determinado estágio de desenvolvimento da sociedade é sustentada pela escola dita desenvolvimentalista da ciência política norte-americana apresenta o autor. Assim o autor dá continuidade ao seu argumento dizendo que estas condições históricas não são causa necessárias para a emergência dos partidos políticos, com Palimbara e Weiner afirma que é necessário uma crise que não precisa se manifestar com um acontecimento político que justifica a emergência de organizações ‘ que diante dela, traduzam uma tendência da opinião suficientemente fundamental para durar e criar uma tradição capaz de atravessar o tempo.

No caso brasileiro seria o processo de modernização e as desigualdades regionais que criou, bem como a desigualdade social, que motivaram a criação dos partidos? No caso do trabalhismo a idéia de subdesenvolvimento e a defesa de direitos e cidadania como programa político seriam um exemplo de questões que atravessam o tempo? Esta analise segundo o autor faz com que o fenômeno partidário deixe o domínio do contingente para admitir o plano estrutural. Analisa assim caso da experiência francesa do ponto de vista estrutural.

PARTIDOS E INÉRCIA POLÍTICA

Berstein então caracteriza um fenômeno diretamente ligado a emergência de um partido político que é o que o autor qualifica como inércia política. O autor entende por este fenômeno o fato de partidos e tradições políticas perdurarem a despeito da adequação total entre suas idéias e uma determinada situação. Afirma que no momento de sua gênese isto é perfeitamente observável, no entanto, como o passar do tempo é cada vez mais fácil um partido viver no estado inércia, mobilizando  sua cultura política que é transmitida através de gerações.

Destarte, o autor conclui que:

Fenômeno histórico por definição, como acabamos de ver, o partido político está em condições de fornecer ao historiador uma considerável quantidade de informações sobre os grupos que se esforçam por reunir os homens tendo em vista uma ação comum sobre o poder ou a organização da sociedade. Informações de ordens diversas, que esclarecem singularmente, por menos que se formulem as perguntas certas, o comportamento do homem na política, e, além disso, o jogo complexo das forças que condicionam e motivam seus atos. (Berstein, 1996, p.72)

Vale observar, portanto, a emergência de uma tradição político, o que permite sua continuidade avaliando assim seu papel no jogo político atual, tanto quanto na História. O autor consegue explicar a partir destes pressupostos o declínio do Partido Comunista francês nas eleições avaliando que seu programa não correspondia mais aos anseios dos eleitores e as circunstâncias históricas que se impunham.

O PARTIDO POLÍTICO, REUNIÃO DE GERAÇÕES DIVERSAS

O próximo assunto a ser discutido é o estudo dos partidos políticos a partir da definição do que ele é de quem o compõe. O autor sugere que são homens com um objetivo político comum e que podem ser analisados a partir da perspectiva de gerações, alertando que este termo aqui assume mais seu sentido sociológico do que demográfico, ou seja, um grupo de homens que dividiram experiências parecidas e viveram em momentos e em um ambiente cultural comum. Tal abordagem parte do postulado que esta variável tem serve como um componente fundamental para explicação do comportamento político. Tal perspectiva abre o leque para a explicação de como funcionam uma organização política. Exemplifica a partir da que significou a chegada de Jacques Chirac, em 1974, à frente do movimento gaulista.

PARTIDOS POLÍTICOS E SOCIOLOGIA

Esta abordagem segundo o autor não pode ser desconsidera pelo historiador que diz respeito à imagem que o partido faz de si, de quem ele representa e a filosofia social que subsiste a sua ação. A este dado deve ser confrontada a realidade sociológica dos interesses que representa. Defende então que um partido é mais do que a definição marxista de que representa apenas interesses de classe e que no seio de um partido pertencem várias classes; uma das análises possíveis é a abordagem quantitativa para verificar a relação entre a realidade sociológica do partido e suas idéias. De maneira que o autor conclui que os dados sociológicos devem ser confrontados com outras realidades para não se cair numa caricatura.

O PESO DE UMA ORGANIZAÇÃO NA VIDA DE UM PARTIDO POLÍTICO: DOIS MODELOS

O autor destaca para este aspecto as relações históricas que dizem respeito a modelos de organização mais centralizados, ou seja, uma relação harmoniosa entre a base dos comitês de recrutamento do eleitorado e os grupos parlamentares, sendo isto ausente ou não, de acordo com a condição histórica. Ao lado desta questão se impõe o que o autor chama de o espinhoso problema que é o do financiamento dos partidos.

O PODER NO INTERIOR DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Este problema segundo o autor colocado sobre a interrogação da democracia está intimamente ligado a organização dos partidos, anteriormente mencionada. Bernstein afirma que: ‘Se pusermos de lado formações muito particulares como os partidos fascistas, em que, por definição, o poder é o apanágio de um chefe carismático que representa a massa em nome de princípios misteriosos, que nada devem à eleição, a maioria dos partidos políticos modernos se quer democrática’. (Berstein, 1996, p.83)

Algumas teses mostram que uma oligarquia controla o poder político dentro do partido, constatada tal hipótese o autor pergunta-se se é possível afirmar que não exista democracia nos partidos políticos. Propõe que a solução para esta pergunta está no estudo do processo de tomadas de decisão. Esta se encontrando no fato de que lideres da oligarquia só podem vencer seus rivais de fato com o apoio da maioria dos militantes. E o que permite caracterizar, segundo o autor um partido de tradições democráticas.

OS PARTIDOS POLÍTICOS: FORMAÇÃO IDEOLÓGICA

O autor analisa assim o papel da ideologia na orientação das tomadas de decisões caracterizando os partidos em doutrinários ou não. Seriam doutrinários o que partissem de uma doutrina formulada claramente como bases filosóficas e em um sistema único que tive como pretensão assumir o poder para colocar seu modelo de sociedade e de homem que não seria susceptível de nenhum reordenamento. Mas Bernstein afirma que o caso do partido totalitário este que se baseia conforme uma organização doutrinal é um caso limite, geralmente, segundo o autor, a formulação ideológica partidária se apresente como uma grande família de pensamento, próximo de uma nebulosa.

Dentro deste quadro dos partidos de ideologia abertas é possível perceber um conjunto famílias políticas que o autor exemplifica como a democracia-cristã, o socialismo-democrático claramente diferente do comunismo entre outras. O autor ressalta que para a maioria dos membros a base doutrinária da ideologia do partido não é algo evidente e se manifestas a partir de uma cultura política própria, através de práticas cotidianas que à primeira vista se apresentam como relação direta. Assim é que os ritos aparecem como um campo de investigação promissor para os historiadores, remetendo a todos a que eles participam a um contexto implícito. Conclui afirmando que: Em todos os sentidos, a vulgata ideológica, tal como é expressa através da cultura política, portanto o núcleo duro da coesão das formações políticas, aquele que garante solidamente, para além dos acontecimentos conjunturais e dos acasos do cotidiano, a perenidade dos partidos. (Berstein, 1996, p. 91). Bernstein encerra seu texto com um resumo dos argumentos apresentados anteriormente afirmando que não pretendeu ser exaustivo com relação ao assunto.

ALGUMAS OUTRAS REFERÊNCIAS

GOLDMAN, M. . Como Funciona a Democracia. Uma Teoria Etnográfica da Política. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2006. 367 p.

GOMES, A. M. C. . A invenção do trabalhismo. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2005. v. 1. 319 p.

PALMEIRA, M. G. S. ; BARREIRA, C. . Política no Brasil: Visões de antropólogos. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2006. 445 p.

PALMEIRA, M. G. S. (Org.) ; BARREIRA, I. (Org.)  . Candidatos e Candidaturas: enredos de campanha eleitoral no Brasil. 1. ed. São Paulo: Annablume, 1998. v. 1. 292 p.
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A partir de suas pesquisas em Antropologia da Ciência (Sciences Studies), considerando as distintas perspectivas de pesquisa sobre a Ciência nas Ciências Sociais, (História da Ciência – abordagem internalista e externalista; sociologia da ciência, etnografia da ciência, entre outras) Bruno Latour retira de seu próprio “objeto”, uma metodologia e toda a discussão sobre se a abordagem do’ator-rede’ se trata ou não de uma, para uma perspectiva que busque reunir em um mesmo tipo de análise, uma abordagem do fato científico enquanto algo, científico, social e linguístico, simultaneamente, a partir da ideia de híbridos, que ele constata sobre os fatos que observou.

Considerando a existência destes ‘híbridos’, que povoam uma modernidade tardia que seu livro “Jamais Fomos Modernos”, procura apresentar os paradoxos do projeto moderno (sua Constituição), no que diz respeito à duas operações por ele indicadas e que marcam a característica prima facie da modernidade em sua separação das coisas em duas realidades ontológicas diferentes, a saber: a natureza e a cultura. Estas operações seriam os processos de purificação – a separação dos objetos nestas realidades e a produção de redes – propriedade de juntá-los, conectando diferentes objetos que, a princípio, seriam de realidades ontológicas diferentes, e que tem como resultado a proliferação de híbridos.

Nesse sentido, diante desta proliferação, o “miracoloso ano de 1989”, apresenta-se como caudatário dos limites das críticas e o fim das utopias, pelo fato da inexistência de teorias capazes de reunirem um pensamento que trate estas coisas, que são tomadas de maneira separada. Ou seja, apenas problemas restritos à esfera científica, política ou da linguagem; campos que pautam as três narrativas criticas mais poderosas.

Tal separação permite pensar a simetria como uma propriedade que deve ser buscada pelo antropólogo ao investigar os processos de separação desses híbridos – humanos e não-humanos,  “nós” e “outros.” A modernidade então seria a crença nesta separação e sua produção constante, que de maneira ambígua aparece como desacreditada em decorrência da própria proliferação destes híbridos e que a ciência, a filha predileta deste projeto moderno, é capaz de produzir(los).

Algumas teses são importantes resultados da apresentação de tal panorama: (a) a explicação da hegemonia científica na modernidade por sua capacidade de mobilização de recursos e criação da necessidade de produzir “híbridos”, o que a torna poderosa em relação a outros coletivos. (b) A possibilidade de crítica do relativismo.

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Apresentação

 

João Pacheco de Oliveira é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Museu Nacional, PPGAS) Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Teoria Antropológica. Atuando principalmente nos seguintes temas: Indios Tikuna, Pesquisa Antropologica, Etnicidade, Etnologia Indigena, Amazonia e Identidade Nacional. 

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4788304Y9

 

 

Etnologia

 

 Interlocutores:        – políticas indigenistas (Estado), projeto Rondon.

                                 – representação estereotipada dos índios (sociedade)

                                 – teoria antropológica (etnólogos, etnologia clássica)

 

Objeto: etnias indígenas no nordeste brasileiro

 

Problemática: emergência de identidades, processos de etnogênese.

 

Teorias sobre: “sociedade”, “culturas”, “etnias” (relação para EVC) ou como questões de identidade para Pacheco de Oliveira.                                 

 

Teorias sobre a identidade: abordagem objetivista (Cohen) x subjetivista (F. Barth)

 

Métodos e Técnicas de abordagem:

Etno-história (antropologia histórica), etnografia, investigação sobre os aspectos políticos da identidade de grupos sociais.

Acesso:http://www.flickr.com/photos/44608864@N08/4096874404/

Lord Anthony Giddens at the 2008 Skoll World Forum “The Politics of Climate Change” Lord Anthony Giddens, House of Lords Por Skoll World ForumNome real desconhecido + Adicionar contato
Esta foto foi tirada em 26 de março de 2008 usando uma Canon EOS-1Ds Mark II.

*Discussão sobre diferença entre método e metodologia tendo como tema as teorias sociais e sua relação com o positivismo. (em aberto, primeira parte ainda)

Giddens começa o texto alertando para dificuldade de se entender a influencia do positivismo (filosofias positivistas) nas Ciências Sociais, quando o termo sofre um abuso indiscriminado, a despeito da possibilidade de um tratamento filosófico mais acurado do mesmo.

O autor distingue assim o termo como é usado em um sentido mais lato e outro stricto. Sendo o primeiro utilizado pelos positivistas, que o defendem enquanto uma doutrina e, no segundo, no sentido estrito relativo à epistemologia. A primeira fase foi dominada pela filosofia positiva de August Comte. Contudo, apesar da diferença clara entre o positivismo filosófico de Comte e a lógica positiva do Circulo de Viena, segundo Giddens, há uma aproximação histórica e intelectual entre os dois.

A primeira perspectiva se caracterizaria por alguns aspectos, tais como: o fenomenalismo, ou seja,  “ the thesis, which can be expressed in various ways, the  “reality” consists in sense-impressions; an aversion to metaphysics, the later being condened as sophistry or illusion; the representation of philosophy as a method of analysis, clearly separable from, yeat the same time parasitic upon, the findings of Science, the duality of fact and value – the claim that empirical knowledge is logically discrepant from the pursuit of moral aims or the implementation of ethical standards; and the notion of the “unity of science”: the idea the natural and social sciences share a common logical and perhaps even methodological foundation.” (GIDDENS, p, 137)

O autor destaca assim uma terceira via (sic. Bem Giddens), que seria o positivismo sociológico. O autor aponta que os usos do termo positivismo e sociologia, aparecem muitas vezes como sinonimo na obra de Comte, esta ultima como o triunfo do pensamento humano. A influencia do autor foi clara no pensamento social, sobretudo, a partir de seu “Cours de philosophie positive”, que reverberá no funcionalismo durkeimiano. Sua concepção básica é a da sociologia como uma “ciência natural da sociedade” que tem a esperança de chegar a leis semelhantes as apresentadas pelas ciências naturais.

No que diz respeito às tradições intelectuais, o autor aponta o desdobramento de tal paradigma nos Estados Unidos, a partir da emigração no Pós Segunda Guerra Mundial de intelectuais do Circulo de Viena para o país.

O objetivo do autor, portanto, é fazer uma análise das aproximações e distanciamentos do positivismo lógico do Circulo de Viena do pensamento de Comte, de sua nova variação, a filosofia da tradição inglesa (analítica); e tematizar a crítica ao positivismo da filosofia da Escola de Frankfurt como a tradição germânica do debate.

 

August Comte: Sociology and Positivism

 

Primeiramente Giddens traz o background intelectual de Comte no inicio do Sec. XVIII, influenciado pelo empiricismo de Hume e pela critica à metafísica e idealismo kantiano. O autor passou a defender a metafísica apenas como um estágio da evolução humana, que seria superado pelo positivismo, aceitando criticas do Iluminismo e a fundamentação racional a partir da razão em oposição à religião. Entretanto, o autor rejeita uma ideia fundamental do Iluminismo, qual seja: a da idade média como uma idade obscura, se aliando ao progressivismo conservador católico. O autor procurou conciliar o progresso da ideologia iluminista descartando seu radicalismo, conciliando a ideia de ordem e progresso, que deveriam caminhar juntas.

Saber para prever, prever para poder é uma sintese do pensamento positivo. A perspectiva histórica de Condorcet e sua ideia de progresso, a partir da intervenção humana ou como um processo ex nihilo, também influenciou o autor. As noções de certeza e precisão orientariam a perpsectiva positiva de Comte em face às filosofias especulativas. Seu projeto estabelece uma hierarquia entre as ciências, estabelecendo uma lógica entre elas que acompanharia a evolução humana. Nesse sentido, a biologia estaria relacionada à fisica e a química,vantecedidas pela matemática e a astronomia, sendo a sociologia o ápice da piramide, tendo portanto, que ser construída.

Assim seu projeto de Ciência Social consistia na divisão em dois ramos: uma estática e a outra dinâmica: a primeira preocupada com as relações funcionais das instituições na sociedade e a segunda com os processos de evolução social.

Para Comte, com relação ao método:

Giddens termina o tópico abordando a perspectiva política reformista de Comte, ao comparar suas duas obras citando que tal transformação criou um hiato entre seus comentadores. A fundamentação do “Cours de Philosophie Positive” é a justificativa de uma religião universal baseada na ordem e no progresso.

Assim:

Comte’s influence: the origins of logical positivism

Giddens abordará a influencia do pensamento comteano. Primeiramente na Inglaterra na obra John Stuart Mill, a despeito da referencia do mesmo a ultima obra do autor como uma espécie de “decadência melancólica de um grande gênio”.

Sobre a influencia do positivismo o autor destaca também obra de Herbet Spencer, sendo este um dos seu s principais críticos. O autor a seguir tratado é Emily Durkheim, responsável por levar a efeito a partir do funcionalismo, o projeto de fazer uma “Ciencia natural da sociedade”. O autor destaca a separação de uma aproximação metodológica de uma teoria geral da mudança histórica. Destacando esta de uma filosofia da história especulativa como a de Montesquieu e Condorcet. Portanto, Durkheim abandonam a teoria da evolução de Comte como explicativa das mudanças sociais e a um distanciamento do esquema apresentado pelo autor de uma hierarquização da ciências, endossando um lugar especifico para a sociologia. O distanciamento se faz pela perspectiva do avanço da sociologia a partir das generalizações obtidas a partir do método de indução de observação dos fatos sociais. Este considerados a partir de sua perspectiva moral.

Segundo o autor Durkheim retirou o funcionalismo de Comte e noa de Spencer rejeitando a analise histórica, que se tratava pela parte da dinâmica.

Abandona a perspectiva da reificação do “progresso”  como em Comte e Spencer e adota uma perspectiva mais próxima da biologia ao trart a partir do funcionalismo os fatos sociais a partir de categorias como o normal e o patológico, bem como o modelo estatístico.

Perspectiva social. Critica a revolução política como a inabilidade da sociedade acompanhar o

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Breve Painel etno-histórico de Mato Grosso do Sul busca contribuir, através da promoção do conhecimento, para a difusão da tolerância e respeito ao pluralismo étnico, tendo como tema principal um breve panorama da história das etnias que ocuparam, ocupam ou transitaram, pelo que hoje se conhece como o Estado de Mato Grosso do Sul.

O autor é Gilson Rodolfo Martins, bacharel em História pela Universidade de São Paulo (1976) e doutor em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente é diretor do Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (MUARQ-LPA/UFMS) e professor titular de Arqueologia Pré-histórica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Os estudos que fazem interface entre a Arqueologia e a Antropologia nos cursos de Ciências Sociais ainda são raros. Com exceção da PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás); assim como o PPGAN- UFMG (Programa de Pós Graduação em Antropologia e Arqueologia da UFMG), que embora com linhas de pesquisa distintas, procura o diálogo constante entre as duas áreas; e, por fim, o tradicional Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No que diz respeito ao diálogo teórico entre as duas disciplinas, podemos afirmar que o difusionismo e sua preocupação com a difusão dos traços culturais entre os grupos para o entendimento da cultura, contribuiu, outrora, para uma maior proximidade entre as disciplinas. Assim como a Ecologia Cultural, posteriormente, hoje ocupando uma posição um tanto quanto incomoda na Etnologia. Influenciou , sobretudo, a partir das teses sobre a relação do meio-ambiente e a cultura, para as terras baixas da Amazônia,  já que anteriormente, os estudos desta perspectiva eram concentrados na Meso-América . Destaca-se o trabalho de Betty Meggers: Amazônia: A Ilusão de um Paraíso de 1976 e A Reconstrução da Pré-História Amazônica de 1974.  Particularmente, no campo da Antropologia vale mencionar o Handbook of South American Indian de Julien Steward, e que na Antropologia Brasileira terá ecos nos trabalhos do antropólogo Darcy Ribeiro. Pela interface proposta pelo livro o destaque sobre a relação entre o ecossistema do pantanal  e o “desenvolvimento” de culturas humanas é um dos horizontes perscrutados pelo autor.

Os grupos que ocupavam o território de Mato Grosso do Sul à época da chegada dos europeus na região, datada do século XVI, logo foram inseridos na dinâmica colonial, a partir do modelo de mão-de-obra compulsória, conforme apresentado pelo autor. Este contato, tematizado pelo autor como “intercivilizatório”, quase levou ao extermínio definitivo dos povos indígenas da região.

A ocupação territorial na atualidade das comunidades indígenas sul-matogrossense: “é bem reduzida, menciona-se reservas do extinto SPI, no sul do Estado, além centenas de famílias de Guarani-Kaiowá, assentadas nas margens das rodovias, aguardando o retorno as suas terras tradicionais e cerca de 5 mil pessoas da etnia terena que vivem marginalizadas nas cidades do Estado, tais como Dourados, Campo Grande, Aquidauana e Miranda.” (Martins, 2002, p.12)

O autor faz uma breve descrição dos aspectos geográficos do Estado, como seu rico mapa hidrográfico dividido em duas bacias: a do Rio Paraná e a do Rio Paraguai, sua vegetação – composta sobretudo por savanas e florestas tropicais – bem como aspectos do solo e geomoforlógicos.

Sobre a ocupação pré-histórica há registro de grupos humanos no Estado há mais de 11 mil anos. Os registros contemplam populações já extintas anteriormente  em relação ao grupos indigenas do período pré-colonial, bem como destes também. Destaca algumas pinturas rupestres no Alto Sucuriú, Costa Rica; Painel de Pinturas em Chapadão do Sul, Maracaju, Três Lagoas, e outros municípios; petróglifos em Corumbá, dando destaque para o séc. XVII considerando as reduções das Missões Jesuíticas de Itatim; e além de objetos da cultura material como raspadores em pedra lascada, ponta de projétil, lâminas de machado, mão-de-pilão, cerâmicas, adornos labiais, entre outros. Testemunham desta forma um rico patrimônio arqueológico a ser explorado, constatada as incipientes pesquisas ainda na área.

O segundo tema abordado no livro é sobre os povos indigenas do Mato Grosso do Sul e o contato com a civilização européia. Nas palavras do autor, o primeiro europeu a pisar em terras sul-matogrossenses foi Aleixo Garcia, ainda no início do século XVI. O motivo  tal incursão deu-se pelo fato dos espanhóis procurarem uma rota que ligasse o Pacífico ao Atlântico. A penetração no território foi posterior, sob influencia da busca pela prata na Bacia Platina. Primeiramente deu-se o contato com os indios charrua, e depois com guarani-carijó, que possuiam alguns adornos de prata e que atiçaram a cobiça dos espanhois a partir do mito  da Serra de Prata a que estes indios faziam ao Império Inca, mais ao norte.

Um importante aspecto que justifica a relação, do ponto de vista da cosmologia indigena dos guarani, e que justificou a aproximação da expedição de Aleixo Garcia, é narrada pelo autor da seguinte forma:  “ Aproveitando-se maliciosamente de um componente da cultura religiosa dos indios Guarani, que é acreditar na existencia física de uma especie de paraíso terrestre – Terra Sem Males – em busca do qual, periodicamente, os índios Guarani organizavam migrações com caráter messiânico, foi fácil capturar indigenas necessários ao seu plano expedicionário e ambicioso de buscar as imensas riquezas da “Serra de Prata”, associando dois objetivos culturais – o dos indigenas e do conquistador.” ( Martins, p.36, 2002)

A terceira parte do livro versará propriamente sobre os indios do Estado de Mato Grosso do Sul, desde a ocasião do “descobrimento”. Contabilizando alguns que ainda não foram identificados pela arqueologia e etno-história. Entre eles o autor destaca as etnias, Guarani, Guató, Ofayé, Kaiapó meridional, Payaguá. As mencionadas pelo autor merecem revisão por não considerar critérios de auto-denominação por parte dos indigenas.

Sobre os índios guaranis o autor destaca que ocupam a porção sul, sudoeste e centro-sudoeste do Estado, oriundos da planície Amazônica, ocupando a bacia platina; território que se tornou referencia para eles. Ainda com o território subordinado à Coroa Espanhola, passaram por processo de escravização, via instituições como as encomiendas, depois sob ficaram sob a tutela de Missões Jesuíticas. Atualmente sofrem com a expansão do agr negócio, trabalhando muitas vezes em lavouras, contudo, estimulados por lideranças próprias e indigenistas a retomar sua identidade na garantia de direitos, a partir de um processo de resistência via afirmação étnica. No estado de Mato Grosso do Sul há três grupos guarani, o mais numeroso  Kaiowá, Nhandeva e Mbya.

Os Kadiwéu, do tronco Arauak, e da familia Guaicuru, ocuparam a partir da segunda metade do século XVII, o vácuo demografico ocasionado pelo genocido bandeirante na região sul do Pantanal. O autor destaca a relação belicosa destes com outros grupos indigenas, sobretudo, os Guaná, e são conhecidos pela domesticação de cavalos,  devido a multiplicação de manadas por volta de 1650. Guerreiros transformaram-se em uma grande barreira para a colonização luso-espanhola, sendo assinado um tratado de paz, o único durante a Monarquia Portuguesa. Participaram na Guerra do Paraguai, e hoje, são em torno de mil individuos após um alto refluxo durante o seculo XIX, ocasionado pela expansao da fronteira agricola. Ocupam uma região proxima ao municipio de Porto Murtinho. Destaca-se também a produção estética dos mesmos. ( Ver Arte Kadiwéu do Darcy Ribeiro, 1951)

A etnia a seguir descrita pelo autor é a dos Terena. Estes são integrantes da família linguistica Guaná, filiadas ao tronco Aruak e que entraram, a partir do Sec. XVIII, em território sul-matogrossense, entre elas se destaca os Terena e os Kinikinao. Embora guerreiros comos os Guaikuru, estabeleceram mais contato com a sociedade envolvente por meio de trocas em que se destaca a produção de horti-frutiferos e a pecuária. Possuem excelente cerâmica  encontram-se, sobretudo, na região de Miranda. A etnia foi profundamente marcada pela Guerra do Paraguai, pois seu territorio foi substancialmente loteado entre os combatentes remanescentes e ainda, a partir, do século XIX também por pressão da expansão da fronteira agrícola. Outro fato que contribuiu para a perda de seus territórios foi a construção da Ferrovia Noroeste do Brasil, ligando a bacia do Rio Paraguai ao Brasil Atlântico.Merece destaque também a primeira aldeia urbana do Brasil sendo desta etnia, situada em Campo Grande, além da presença da educação escolar indigena a partir da alfabetização bilingue.

Sobre os Guapó, grupo inserido no tronco linguistico Macro-Jê, o autor destaca  que estes não se constituíam em aldeias fixas e passavam boa parte do tempo em canoas, nas áreas alagadas do Pantanal, vivendo basicamente da pesca e da caça. Os registros destes indigenas datam de 1825, devido ao seu temperamento não arredio em oposição aos Payaguá. Sofrem com o avanço do turismo da região e expansão agropastoril.

Com relação aos Ofayé  (Ofayé-Xavante), que se situam na planície do Rio Paraná, o autor menciona, que sofreram ataques constantes. O que explicaria seu nomadismo,  ataques desde os Kayapó meridional e os Guarani. Segundo o autor: “ No século seguinte, o trafego fluvial em direção as minas de Cuiabá, no Ciclo das Monções, abriu a perspectiva de ocupação das terras Ofayé com a implantação de estâncias de gado subsidiárias ao complexo garimpeiro mato-grossense.” (MARTINS, p. 73, 2002) Ocupam a região do atual municipio de Brasilândia.

Os Kayapó meridional, fazem constraste com o resto da etnias sul matogrossenssens por terem habitado em campos abertos. Possuiam uma organização social baseada na uxorilocalidade, não dormiam em redes e sim em esteiras, possuindo sofisticação na manipulacao da arte plumária e tecnicas de pintura corporal. Devido aos prejuizos que causaram às monçoes e à manutenção do ciclo minerador cuiabano, foram exterminados em meados do Século XIX no Estado. Importante destacar que este eram os que ocupavam a região do Bolsão, Paranaíba.

A última etnia mencionada pelo autor, das oito presentes no Estado, são os Payaguá também quase extintos, pertencentes a etnia Guaikuru. Canoeiros, destacavam-se na navegação fluvial no Rio Paraguai, tendo sido bastante atingidos com a perda do controle do rio em decorrência da expansão das monções a partir do sec. XVIII.

O tópico posterior trata da Questão Indigena na atualidade no Estado. O autor considera a dificuldade particular da política indigenista dado o contexto local ser marcado por bastante pluralidade assim, segundo o autor: “ A intromissão de fatores políticos, internos e externos às sociedades indigenas, tais como: tradicionais conflitos interétnicos, rivalidades entre lideranças indigenas, disputas por espaços entre as entidades indigenistas” (governamentais ou não) e , sobretudo, a complexidade das realidades pluri-étnicas (…) Não existindo homogeneidade nem internamente (MARTINS, p. 45, 2002), manisfestando-se caracteristicas singulares inclusive em uma mesma aldeia, impede qualquer tentativa de generalização dos problemas. A despeito das ofensivas históricas recorrentes aos pvos indigenas no Estado, e que tiveram como caso emblemático a extinção da etnia kayapó-meridional, a partir da Constituição de 1988, abriu-se espaço para a garantia dos direitos indigenas, marcando até projetos de etnogênese, como o caso dos Atikum. O grupos indigenas na região sempre foram vistos sob a ideologia dos “bugres”, que entende que os mesmos devem ser incorporados às camadas mais inferiores da sociedade.

2210474824_3cd0c89dd4http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=46663 Por João Paulo Aprígio Moreira. Comentários Aleatórios.

 

 

 

 

 

Segue o link também do paper a ser apresentado na IX Reunião de Antropologia do Mercosul que será realizada entre os dias 10 a 13 de julho de 2011 em Curitiba, Paraná. Antropologia e ‘desenvolvimento’: o caso dos ‘Estudos de Antropologia da Civilização’de Darcy Ribeiro http://www.sistemasmart.com.br/ram/arquivos/14_6_2011_15_27_25.pdf

 

GT17 – Antropologia e Políticas Globais: Perspectivas Transnacionais sobre a Desigualdade

Ondina Fachel Leal (UFRGS)
Javier Taks (Universidad de la República Uruguay)
João Rickli (University Amsterdam)

A discussão aqui proposta sobre Antropologia e políticas globais se centrará em três eixos temáticos: (1) Agências internacionais e agendas de desenvolvimento; (2) Regime Global de Propriedade Intelectual: Movimentos Sociais e Propostas Alternativas; (3) Regime de Globais e Mudança Climática e Desenvolvimento Sustentável. Este GT busca agregar trabalhos e constituir uma discussão antropológica que aborde o papel de agências multilaterais (tais como OMC, OMS, Banco Mundial, Fundo Global) na formulação de regimes jurídicos e diretrizes políticas globais e transnacionais; e o papel de agencias ou fundações filantrópicas privadas com atuação internacional e a rede de ONGs que se constituem em torno destas.  O objetivo é o de problematizar os modos como diferentes organizações enfrentam os dilemas e assimetrias inerentes às relações constituídas nesta arena. Assim, queremos investigar como as desigualdades expressas em dicotomias tais como Norte/Sul, desenvolvido/em desenvolvimento e global/local são reproduzidas e/ou combatidas.

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