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Archive for the ‘Opnião’ Category

Ministro das Relações Exteriores
Embaixador Celso Luiz Nunes Amorim

Secretário-Geral das Relações Exteriores
Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto

Diretor-Geral do Instituto Rio Branco
Embaixador Fernando Guimarães

Bom segue aí só um modelo oferecido da prova de História do Instituto Rio Branco para Diplomata.

Questão 1

A propósito dos partidos políticos liberal e conservador durante a Regência e a
primeira década do Segundo Reinado, discorra sobre

a) o pensamento político dessas correntes partidárias; e
b) o impacto desse pensamento sobre a institucionalização do Estado.

Marina Guedes Duque (19/20)

A construção da ordem nacional durante o período imperial é largamente tributária do pensamento político e da ação das elites brasileiras. Uma vez desatadas as amarras coloniais, fazia-se necessário consolidar não só o Estado como também a nação brasileira, por meio do estabelecimento das fronteiras territoriais, da legitimação do governo central e da elaboração da identidade nacional. A esses fins dedicou-se a elite política imperial, responsável por lançar as bases da ordem que seria gradualmente consolidada nos governos seguintes.

De acordo com José Murilo de Carvalho, as profundas diferenças entre a trajetória política do Brasil independente e aquela de seus vizinhos hispano-americanos devem-se, em larga medida, à homogeneidade das elites políticas brasileiras. A formação comum nas faculdades de Direito de Coimbra e, posteriormente, nas de Recife-Olinda e São Paulo engendrou considerável uniformidade de pensamento em uma elite que constituía verdadeira “ilha de letrados em um mar de analfabetos”. Essa formação educacional possuía caráter centralizador, ao procurar afastar-se da influência do liberalismo proveniente dos ideais napoleônicos.

A cultura política luso-brasileira, ademais, tendia a valorizar substancialmente o
papel do Estado na formação nacional, à diferença do que ocorreu em países como os Estados Unidos e a Inglaterra. As atividades econômicas não tinham potencial suficiente para absorver a maioria dos bacharéis que se formavam; como conseqüência, as atividades política e burocrática constituíam destino principal das elites pensantes provenientes das faculdades de Direito.

Em muitas ocasiões, desse modo, tanto a burocracia como o sistema político adquiririam interesses mais identificados com o Estado do que com elites econômicas específicas. Além da formação acadêmica comum, os burocratas e os políticos seriam submetidos a uma formação profissional que tendia à uniformidade, como resultado da rotatividade de cargos e regiões de atuação. Embora houvesse algumas divergências dentro das elites – como demonstra a formação dos partidos liberal e conservador –, sobressai, portanto, a tendência à homogeneidade de pensamento e ação, na direção da centralização e da consolidação do Estado nacional. Somente um Estado forte seria capaz de manter o regime escravista, a despeito de pressões internacionais, e de defender alguns dos interesses das elites econômicas, ao mesmo tempo em que evitava o esfacelamento do território nacional ensaiado por diversas rebeliões regionais.

Os partidos políticos liberal e conservador compartilhavam, desse modo, a defesa do regime monárquico, cuja manutenção seria a origem de legitimidade do Brasil independente e havia permitido uma transição relativamente calma do poder colonial, ao conter tanto inovações como continuidades. A monarquia brasileira distinguir-nos-ia das repúblicas hispano-americanas, não só aos olhos dos europeus, como também no pensamento das elites nacionais. A política externa do período, assim, teria caráter eurocêntrico, como demonstram as discussões no âmbito do Conselho de Estado, ao mesmo tempo em que continha certo desprezo pelos vizinhos sul-americanos, associados à instabilidade e ao caudilhismo. Os dois partidos também possuíam visões semelhantes no que concerne à necessidade de centralização do poder, ainda que discordassem quanto ao grau de fortalecimento do Estado central. O partido liberal formou-se como reação ao “autoritarismo” de D. Pedro I, cujo governo caracterizou-se pela ampla utilização das prerrogativas do Poder Moderador.

Durante o período regencial, dessa forma, o Ato Adicional de 1834 fomentou a
descentralização política, por meio da extinção do Conselho de Estado e do Poder Moderador; e da delegação às províncias regionais de poderes do governo central, como os de formar exércitos e contrair empréstimos no exterior. A Regência, no entanto, caracterizou-se pelo auge da instabilidade política. O partido conservador, por conseguinte, consolidou-se em reação às medidas descentralizadoras, principalmente após 1838. Com o intuito de evitar o “regresso” conservador, os liberais promoveram o Golpe da Maioridade, que terminou por satisfazer ambas as partes, ao permitir o encerramento das instabilidades regionais com a Revolta Praieira, atribuir maior legitimidade e poder à administração central, e preparar o caminho para o soerguimento econômico do país.

O pensamento político das elites imperiais possuía, portanto, alto grau de homogeneidade, com a exceção de algumas divergências de caráter específico, como a relativa ao grau de centralização. Vale ressaltar, por fim, que a constante interação das elites e o contínuo revezamento dos partidos liberal e conservador no poder permitiu, na maior parte do período considerado, a conciliação em torno do objetivo comum de institucionalizar o Estado brasileiro. A conjunção desses fatores, assim, propiciou a construção da ordem no Brasil e a manutenção da unidade territorial nacional.

Muito básico né?

Mas, sinceramente, acho que a prova de lingua estrangeira é a pior. Direito e economia, básico também.

GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPL

fonte:http://www.irbr.mre.gov.br/concursos/concursos.htm

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Laura de Mello e Souza

Filha de Antônio Candido e uma das maiores Historiadoras do Brasil como visto no clássico “Conversa com historiadores Brasileiros” agradecida pela sua formação por Fernando Novais, anda respondendo muitas perguntas de viagem.

Meu Post:

Laura Mello e Souza: Vícios, virtudes e sentimento regional: São Paulo, da
lenda negra à lenda áurea

“R e s u m o

Este artigo procura recuperar algumas das tradições que, ao longo dos
tempos, viram os habitantes de São Paulo ora como bandidos, ora
como heróis, buscando detectar matrizes que embasaram formulações
historiográficas consagradas e hoje muito discutidas.”

http://www.usp.br/revistadehistoria/arquivos/RH-142-143.pdf

Sobre os Bandeirantes moradores da Vila de São Paulo de Piratininga e sua relação ‘ambigua’ com a Coroa e os centros (Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro) no período Colonial, antes do ciclo aurífero quando a Coroa decide reconhecer a ‘braveza’ dos Paulistas descobridores do Ouro e dos Mineiros. Além da primeira menção historiográfica com o nome ‘paulistas’ acho que por Antonil, está no artigo. Muito interessante

Tem esse livro dela também que me permite aventar a hipotese de uma das primeiras leituras da Obra de Foucault pela historiografia brasileira, não sei se nas ciencias sociais, mas serve de indice se se quiser poderar uma História das apropriações das obras de Foucault no Brasil. Nesta época o método se dirigia aos objetos tratava-se de fazer uma História dos excluídos no lugar de uma História dos Reis e das Rainhas.

Uma aproximação ‘singela’ da obra de Foucault por parte da historigrafia ainda no fim da Dec. de 80.

Desclassificados Do Ouro
A Pobreza Mineira No Seculo XVIII

“A mineração do ouro e dos diamantes alimentou as finanças de Portugal e enriqueceu os senhores das lavras e os agentes da administração colonial no Brasil. Vastos contingentes de homens pobres e expropriados também foram originados desse mesmo ouro. Neste livro, a autora trata dos desclassificados que não tiveram acesso às riquezas, apenas à opressão do físico e das leis que defendiam os interesses da Coroa e dos potentados locais.”
Os desclassificados do Ourosendbinary2.asp

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Carnaval

Carnaval

Vendo a Estação Primeira de Mangueira escolher como Enredo de 2009, “A Mangueira traz os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo Brasileiro”, foi difícil não refletir sobre as críticas que a obra de Darcy Ribeiro e sua tradição política vinham recebendo recentemente. Ex post facto, vemos por destino da história, e não por acaso, que realmente devemos repensar a crítica que deriva do conceito de populismo.

O samba-enredo da Mangueira seguiu a apresentação do livro de Darcy Ribeiro: “O povo brasileiro – sentido e formação do Brasil”. Falou de miscigenação, do branco que aqui chegou e com o paraíso que se encantou, da exploração da riqueza, do índio que resistiu ao trabalho, o trabalho do negro entregue à própria sorte, misturas de raça em um só coração, crioulos, caboclos, sertanejos e caipiras marcando a perspectiva interpretativa do autor. Para ele a miscigenação foi o processo constituinte da identidade brasileira encarado de maneira sofrida, resgatando o caráter de espoliação sofrido desde os primórdios da colonização, cujo resultado refere-se à desumanidade presente na expressão moinhos de “gastar gente”, que resultou no empenho de construir uma nação a partir do processo de “caldeamento étnico” até culminar na transfiguração étnica resultante da produção do novo, da diversidade de culturas que compõe o Brasil: a sertaneja, a sulista, os caboclos, os crioulos, os caipiras que configuram os muitos brasis.

As fantasias levavam os nomes de Ritual Antropofágico em alusão aos índios dos seiscentos; Ourivesaria Asshanti, Escribas Haussás e Escultores Ngolas para marcar a riqueza cultural africana; Açorianos, Crendices da terra, conformando o processo do rico folclore brasileiro, Os Bandeirantes; Ouro e Pedras preciosas, retomando a época da mineração, Nobre Roceiro, retratando o homem do campo em visão apologética de quem criou as condições para a produção da riqueza que seria exportada; Missões Guaranis e Rodeados de Gado. O 7º setor foi chamado de Educação Brasileira, valorizando a questão da Educação como feito pelo autor. Carros que tinham na composição os nomes de Tupinambás, Essência da paixão, Aromas do paraíso, Indias Peixes, Pecuaristas, Candeias, Ashanti, Sacros Anjos, Pajé, Indios Ribeirinhos, Aves Amazônicas, Farturas do Campo, Nobres Mineiros e Nobres Roceiros, Caipira, Bóia Fria, Trigais, Canhoneiros, Polvoeiras, Parreiras, Fé no divino, Sertanejos, todas fantasias dando sentido à uma visão do processo traumático de colonização que o Brasil passou tratado por Darcy Ribeiro, mas sem nunca deixar de romantizar um passado glorioso e sofridode maneira otimista, tal como a característica prima facie do povo brasileiro imputada pelo autor, no intuito de sub-repticiamente abordar a questão do imperialismo e do subdesenvolvimento em termos de denuncia e causa deste sofrimento, trazendo a necessidade de um projeto político que levasse o Brasil ao progresso.

È assim que problematizo a questão de uma escola de samba conhecida tradicionalmente por seu apelo popular, por guardar uma tradição romântica quando é conhecida por preconizar um desfile de paixão pelo samba em detrimento aos apelos técnicos, autentica representação do povo, escolher um intelectual que é tido como “demagogo” conforme criticas do populismo para dar base ao seu enredo. O problema está, primeiramente, em negar a opção de escolha desse povo, e assim da possibilidade de intelectuais de embasarem sua obra nele e para ele, chegando-se a questionar a própria existência deste “grupo”, quando tratado como conceito de “massa acéfala” pronta a ser manipulada. E quem então são os torcedores de amor extremo à Escola, a velha guarda da mangueira, o carnavalesco que escolheu um intelectual “manipulador” para subsidiar seu enredo? Será quem que agora falará do caráter artificial imputado a perspectiva política de Darcy Ribeiro incluindo-o no rol das dos políticos populistas? O que faria justamente uma escola de samba – e reparem, a mais “popular” de todas – após quase 12 anos da morte de Darcy Ribeiro, ou 13 do lançamento de seu livro tomar sua obra como base de seu enredo? Talvez a resposta esteja em que esta opção faz jus à representatividade, negada, da obra de Darcy Ribeiro do povo. Mesmo que expressa por interesses próprios, como apontados pela oposição política, até mesmo como escusos, sua obra atingiu um lugar que esta oposição nunca conseguiu, comunicar grupos, que reunidos, são representados com o termo ”povo”, ou conceitualmente, “massa”, e que estes se sintam identificados com seu próprio discurso.

Pergunto, depois de 10 anos, se isto ainda seria “manipulação”? Por que a obra dos críticos, não foi usada? Elas não contêm justamente a característica presente na obra de Darcy Ribeiro e que vem do “povo”: o conteúdo esperançoso. Na escrita de Darcy Ribeiro, a vontade de fazer do Brasil uma nova Roma, a despeito das mazelas sofridas. É uma peça pregada pela história o fato de que estão hoje cantando e dançando a partir de seu nome. Em suma, falo de identificação, pois não à toa, se se trata de populismo, é sobre o cimento do projeto que Darcy Ribeiro participou da criação, que desde 1984, a Marquês de Sapucaí foi feita para esse “povo desfilar, apresentando um dos maiores festivais de cultura do Planeta Terra, algo bem exagerado como a fala de Darcy Ribeiro.

Algo que não deixa, contudo, de ser bastante sintomático. Mesmo crítico, alguns preferem as palavras da esperança, o reconhecimento da própria beleza e palavras de força no lugar de simples adaptação a projetos que representam um discurso com o qual não se identificam – identidade negada: a de povo! Eu ainda me pergunto: será que ele não existe? Uma coisa não se pode esquecer, Darcy Ribeiro, se hoje ele é falado, é porque se propôs a escutar e traduziu, falou um discurso com o qual alguém se identifica. Sobre o povo: Burro, deseducado, manipulado? É só observarem os 4500 passistas cantando em outro “demônio manipulador”- o carnaval carioca – com paixão e interesse como se fossem eles mesmos. Seria muito sonho se não fosse tão real! Alguém continua o projeto de inventar o Brasil.

A Mangueira é uma escola de samba popular ou o populismo chegou ao samba?

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