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Posts Tagged ‘História Intelectual’

SIRINELLI, Jean-François. Os intelectuais in: RÉMOND, René. Por uma história política: Rio de Janeiro: Ed. UFRJ/Ed. FGV, 1996.

Na História política qual o papel desempenhado pelos intelectuais? Quem são os intelectuais? Quando surgiu o interesse pelo estudo do comportamento político dos intelectuais? Quais as abordagens que foram feitas sobre o assunto em Historiografia e em Ciência Política? Quais as novas propostas e desafios de pesquisa?

É com estas perguntas que o texto de Sirinelli se ocupará dentro do campo da História Política. Um importante destaque sobre o tema, dado pelo autor, é o espaço que os intelectuais ocuparam na política francesa durante o século XX. Nesse sentido, o autor leva em consideração que a coletânea da qual faz parte esta conferência,  tem como escopo de pesquisa a Política de perspectiva histórica, especialmente na França, país de origem de seus organizadores.

Sirinelli destaca então uma das primeiras iniciativas contemporâneas responsável pelo reaparecimento do tema, foi ela: uma mesa-redonda da Association Française de Science Politique, com o tema ‘Os intelectuais na sociedade francesa contemporânea’ e que resultou em alguns artigos publicados na RFSP – Revue Française de Science Politique. Nesta revista publicaram historiadores como Louis Bodin, Jean Touchard e René Rémond que destacavam a importância do estudo dos intelectuais na política. René Rémond, particularmente, salientando a necessidade de que este tema deveria ter por si só um campo de estudo.

O autor analisa o descompasso dos Estudos Históricos com relação à sociologia e a ciência política, no que diz respeito a esta temática, considerando os anos 60 e a crise na Argélia. Neste período intelectuais franceses participaram abertamente da questão. Outro dado contextual ressaltado pelo autor é o retorno da História Política que tinha ficado em campo marginal até os anos 60, mas que com o surgimento do interesse pelas duas Grandes Guerras, retornou à cena.

Mencionando os estudos de Jacques Le Goff sobre os intelectuais na Idade Média; de Bernard Guenée e as histórias modernas de Robert Mandrou; Daniel Guenée e Robert Darnton; o autor ressalta os recortes destas pesquisas no campo da História Social e Cultural, o que não satisfazia plenamente as lacunas colocadas ao tema pela História Política. Sirinelli então conclui que as causas dos intelectuais terem deixado de ser motivo de pesquisas, teria sido muito mais por uma questão de ausência de olhar do que de descrédito, mas que recentemente tem se constituído quase como um campo autônomo nos cruzamentos entre a História Cultural, a História Social e a História Política.

Outro aspecto para o qual o autor chama atenção, é o fato de que vários outros atores políticos já foram estudados pela historiografia, mas isto não se confirma no caso dos intelectuais. A pergunta que se segue é sobre os intelectuais como um sub-objeto da História. Os problemas com relação a esta posição são referendados pelo autor a partir da afirmação da subalternidade da História Política, da História do Tempo Presente no campo da História; e, nesse sentido, o tema atravessa os dois campos simultaneamente, além do que envolve o próprio pesquisador, na medida em que ele também é um intelectual. Com relação ao ostracismo da História Política, os argumentos são parecidos com o levantamento da coletânea, mas a respeito da História do Tempo Presente uma causa interessante é levantada pelo autor, trata-se de:

Daí afirmar que ele corre o risco de se queimar no fogo mal extinto dos grandes debates das últimas décadas faltava apenas um passo, dado com facilidade por aqueles que negavam ao historiador o direito de chegar até as bordas do último meio século, vasto continente deixado em repouso como um alqueive ou abandonado aos ‘jornalistas’ da ‘história imediata’. Para aqueles que o desprezavam, o historiador do contemporâneo, obrigatoriamente ligado por múltiplas fibras ao ambiente que o cercava, só podia entregar-se a jogos de memória, logo transformados em jogos de espelhos deformantes (Sirinelli, 1996, p. 234)

O destaque para a memorialística, como campo de investigação para o imediato, no caso da afirmação de Sirinelli, deu-se pela correspondência das ações do presente orientarem uma interpretação do passado e, doravante, tornar-se bastante interessante como eixo de investigação.

Dando prosseguimento a estas causas da marginalização dos intelectuais como objeto de pesquisa na História Política, Sirinelli ainda levanta outras causas como: o fato dos intelectuais se constituírem como um grupo social pequeno; à acusação de impressionismo por pertencerem ao mesmo campo que investigam; ao fato do interesse da Historiografia pelas ‘massas’, pela qual os intelectuais não participavam primeiro por ser um grupo restrito e depois por pertencer às ‘elites’.

Outros motivos além destes anteriormente levantados, apontados pelo autor, seriam a ação política dos intelectuais inscritas na curta duração, onde o mote das investigações na Historiografia canônica centrava-se nas médias e longas durações e, em segundo lugar, a questão do ‘poder’; através da pergunta sobre se realmente estes teriam influído nos acontecimentos.

Segundo o autor, esta crítica baseia-se em um mal-entendido entre a história dos intelectuais e a história das idéias políticas, assim como da história da cultura política: Sobre a História das Idéias políticas, seus estudos teriam se acantonados mais no estudo dos grandes compositores do que na história das orquestras e da recepção do público. As perguntas da História dos Intelectuais, por sua vez, são de como as idéias vem a estes intelectuais, como aparecem em determinada data, porque alguns permanecem na penumbra e outros não?

Há uma afirmação fundamental no texto de Sirinelli sobre os motivos dos intelectuais tendo ocupado um campo marginal na História. Trata-se de sustentar que a cultura política é apenas em parte elaborada pelo meio intelectual, com a qual, raras vezes ele está de acordo, afirma o autor (Sirinelli, 1996, p.237). (Nesse sentido uma tradição política compõe um grupo maior que é a cultura política, no meu caso, a cultura política democrática da Nova República). Pode-se pensar a relação entre História Intelectual e História das Culturas Políticas subordinando a primeira à última. O autor ressalta em nota, contudo, que  os domínios destas disciplinas não são estranhos entre si.

A próxima questão tratada pelo autor é sobre o renascimento do tema dos intelectuais na História Política. Segundo o autor, foi na segunda metade da década de 1970 que o tema ressurgiu. Ressurgiu tendo entre suas causas a própria história dos intelectuais e outras como o status da história política e da história recente, como anteriormente já destacado. O autor parece então associar a História Política à abordagem quantitativa, pois situa o interesse dos intelectuais a partir de perspectivas como a abordagem prosopográfica dos itinerários, considerando então o fim de uma das objeções para o estudo deste grupo, tal como por ser de um grupo reduzido. Com relação à aproximação da média duração, o que legitimaria os novos estudos seria a perspectiva de fazer uma história cíclica do engajamento dos intelectuais relativos a esta temporalidade.

Com relação à habilitação da História do tempo presente o autor afirma:

De fato chegou-se a um acordo: Clio está deontologicamente habilitada e metodologicamente equipada para medir o pulso da história de nosso tempo. Se uma história dinâmica é reconhecida pelas pistas que descortina, pelas perguntas que faz e pelas respostas que, aos poucos, consegue dar, é forçoso observar que essa história do fim do milênio forjou conceitos, verificou suas hipóteses e trouxe contribuições. (Sirinelli, 1996, p.238)

Do ponto de vista da relação do pesquisador com o objeto, Sirinelli alerta para pontos como a questão da simpatia. Argumenta que ela percorre o ofício, cabe ao pesquisador assumi-la tanto do ponto de vista positivo como negativo evidenciando-a com o objetivo de avaliá-la. O fato que marcou o anátema da História Política ao postulado Braudeliano sobre a espessura do social como matéria do Historiador em detrimento aos acontecimentos, foi superado tendo como um dos fatos o estudo dos intelectuais na guerra da Argélia ou esclarecendo as gerações de intelectuais que se sucederam na França. (Este tipo de abordagem foi profundamente marcado no Brasil, na área de Sociologia da Cultura, uma das referencias para caracterizar o período dos anos 60, de um engajamento político social dos intelectuais e sua relação com o nacionalismo é o trabalho de Marcelo Ridenti)

Assim o interesse  virou-se para o próprio aumento do grupo durante o século XX e a necessidade de responder a pergunta sobre quem foi determinado intelectual no meio dos ‘ismos’ que apareciam e seus seguidores. O autor sempre menciona a figura de Sartre como um grande líder dos intelectuais. Após responder sobre a real dimensão da ação dos intelectuais na sociedade e estabelecida esta pergunta, o autor parte para evidenciar em termos de processo o aparecimento dos objetivos e métodos desta disciplina.

Uma grande questão para a fundamentação dos objetivos e métodos da disciplina foi a pergunta quem eram os intelectuais? ‘ Um professor primário é um intelectual’? É um oficial? A partir de que posto? É um padre? E alguém que vive de renda? As perguntas partem da narração do autor sobre um ato ocorrido na Maison des Syndicats de Bourges em junho de 1934, sobre a criação do Comitê de Ação Antifacista e de Vigilância. Este problema que o autor caracterizará a partir da ‘compreensão’ e a ‘extensão’ do termo intelectual e que geraria outro problema: de que a resposta ao primeiro termo geralmente é endógena, formulada pelos próprios intelectuais.

Levando em conta os percalços de se estabelecer um critério para definição da palavra e considerando como esta sofreu mutações na sociedade francesa, o autor propõe uma definição:

Por esta última razão, é preciso, a nosso ver, defender uma definição de geometria variável, mas baseada em invariantes. Estas podem desembocar em duas acepções do intelectual, uma ampla e sócio-cultural, englobando os criadores e ‘mediadores’ culturais, a outra mais restrita, baseada na noção de engajamento. No primeiro caso estão abrangidos tanto o jornalista como o escritor, o professor secundário como o erudito. Nos degraus que levam a esse primeiro conjunto postam-se uma parte dos estudantes, criadores ou ‘mediadores culturais’ em potencial, e ainda outras categorias de ‘receptores’ em potencial, e ainda outras categorias de ‘receptores de cultura’. (…) Estes últimos podem ser reunidos em torno de uma segunda definição, mais estreita e baseada na noção de engajamento na vida da cidade como ator – mas segundo modalidades diferentes, como por exemplo, a assinatura de manifestos.  (Sirinelli, 1996, pp.242-243)

O autor conclui que o debate entre as duas definições é na verdade um falso problema, já que os dois elementos são de natureza sociocultural. E neste sentido, o historiador do político deve partir da primeira definição; segundo o autor, em determinados momentos fechar a lente no sentido fotográfico do termo. Essas definições são, contudo, balizadas pelas representações sociais do intelectual que segundo o autor, na sociedade francesa: vão da imagem religiosa dos intelectuais paladinos das grandes causas contemporâneas, até a leitura antiintelectualista de um século XX francês desestabilizado pela ação perniciosa dos intelectuais, fermentos da dissolução nacional e agentes da perversão social. (Sirinelli, 1996, p.244)

Discutido o problema das definições o autor passa a analisar as dificuldades e objeções ao estudo dos intelectuais como atores políticos. (É essa a perspectiva que relaciona suas idéias com a História Política)A categoria como mutável é agravada pela alta de um partido político dos intelectuais. O autor menciona alguns na História francesa como o PSU, o RDR como exemplos de estrutura partidária da intelligentsia. Outra objeção é abundância de documentos tendo em vista que todos intelectuais escrevem muito. Caracterizando assim a pesquisa sobre a História Política dos intelectuais passando obrigatoriamente pela pesquisa, longa e ingrata, e pela exegese de textos, e particularmente de textos impressos. (Sirinelli, 1996, p. 245)

As abordagens são apresentadas pelo autor a partir de conceitos como o de itinerário, geração e sociabilidade. Para o de itinerário objetiva-se desenhar mapas dos grandes eixos de engajamento dos intelectuais, passando pelo gênero biográfico, tanto como pela perspectiva de trajetórias cruzadas, como no caso de Sartre-Aron ou Sartre-Camus. Avaliando o que o autor se refere como os ‘despertadores’ de idéias e suas influências, possibilitada a partir de uma abordagem diacrônica. Desta maneira procura-se analisar a procedência dos intelectuais a partir de seu lugar de formação, alertando, o autor, para que o estudo de itinerários só pode ser feito a partir de interpretação levando em conta os problemas de reconstituição.

O autor faz um comentário das pesquisas de Pierre Bourdieu sobre a posição social das opiniões e dos gostos, mas alerta que as pesquisas não devem estar restritas a análise microsocial, respondendo assim, a contento, sobre o funcionamento do campo intelectual ou as condições de êxito de um determinado intelectual em seu campo. Mesmo que este tipo de análise tenha contribuído, a partir do conceito de ‘estratégias’, para articular as escolhas dos indivíduos não o colocando como mera reprodução das instituições. Ressaltando o papel dos acasos e das contingências e chamando atenção que igualmente determinantes são as sensibilidades ideológicas e cultural que tendem a transcender apenas o campo em questão.

Analisada a questão do escopo de pesquisa oferecido pelos itinerários, o autor passa a analisar a questão da sociabilidade. Esta se constitui em relação aos intelectuais no seio do ‘pequeno mundo estreito’ que dividem em torno da redação de uma revista ou do conselho editorial de uma editora, ressaltando a importância do termo ‘redes’ para captar tal fenômeno. Lá se definem também as posições antagônicas e pela análise destas, sugere o autor, é possível captar o movimento de idéias. O outro meio que o autor designa como estruturas de sociabilidade são os Manifestos. Um importante sensor para captar as opiniões em História Política.

O autor ainda indica que as estruturas de sociabilidade variam no tempo como, por exemplo, a presença dos ‘salões’ na fronteira dos dois séculos. Indicando como meio de análise as solidariedades de origem, de idade, de estudos, bem como levando em consideração os fatores de atração e amizade, a hostilidade, a ruptura, a briga e o rancor. Além deste sentido afetivo as redes também podem ser entendidas a partir de como se interpenetram estes fatores com o ideológico. Análise alguns casos de exemplo como Althusser e Lacan.

O último ponto caracterizado como perspectiva analítica, para encerrar a sessão de metodologia e objetivos da pesquisa dos intelectuais na História Política, é o conceito de gerações. Estas dizem respeito à solidariedade de idade. O exemplo utilizado pelo autor é a Revista dos Annales. Com algumas objeções a abordagem, o autor prossegue justificando seu uso a partir de duas razões: primeiro que no meio intelectual os processos de transmissão cultural são essenciais, pois, um intelectual se define sempre por referencia a uma herança, como intermediação, ou mesmo como ruptura, mas sempre em referencia a algo. A outra com relação ao papel explicativo da faixa etária teria a um fenômeno. O autor exemplifica na participação da intelectualidade no conflito da Argélia, para um posicionamento esquerda-direita neste caso.

Por fim, o autor encerra o texto detendo-se nas expectativas deste campo de estudo. Novamente chama atenção dos historiadores do tema, para o problema de se tomar o papel do intelectual como o de crítico. correndo o risco de desembocar na observação segundo a qual ‘o conceito de intelectual de direita é contraditório em sua essência’. (Bon e Burnier apud Sirinelli, 1996, p.256). O autor assinala que no pré Guerra, os intelectuais de direita eram estatisticamente e ideologicamente dominantes. A rigor, o autor defende que historicamente a participação dos intelectuais de esquerda no Estado francês foi mais recorrente do que em outros contextos, colocando um ponto interessante para a História Política. O que leva-o à questão da participação política destes intelectuais na comparação de seus movimentos de idéias e o perfil político do Estado.

O autor salienta outro mal-entendido: mais do que a posição ideológica deve ser ressaltado a localização dos intelectuais, seus movimentos e deslocamentos dentro das esferas que transitam, afirmando que:

Na verdade, na fronteira entre a história das idéias políticas, evocadas em outro capitulo, e a historia dos intelectuais, um vasto campo de pesquisa, o da aculturação dessas idéias no meio dos intelectuais, se abre ao pesquisador. E a exploração desse campo se fará pela reinserção destas idéias no seu ambiente social e cultural, e por sua recolocação em situação num contexto histórico. (…) Por que algumas ‘ideologias’ – ao mesmo tempo princípios de inteligibilidade e elementos de identidade para os intelectuais – se aclimatam no meio intelectual, adquirem vigor em certos terrenos e se enfraquecem em outros momentos? (Sirinelli, 1996, p.258)

O autor fecha com a proposta de um caminho inverso: trata-se de se perguntar como as idéias vão da intelligentsia à sociedade civil e seus sobressaltos na comunidade nacional e pela cultura política da época.

Estas duas propostas segundo o autor, com relação as influencias do intelectual na sociedade, tocam em um assunto de fundamental importância, que é o da responsabilidade do intelectual. Segundo o autor, ao contrario do que se tem como imagem, os intelectuais muitas vezes erraram. Desta forma, o critério de analise não pode girar em torno de maniqueísmo. Outro problema é o ‘sacrifício político’ indicado a tal grupo pelos seus ideais, como se fosse prerrogativa política apenas do mesmo, argumento que também legitima a confusão de que estes sintetizam as opiniões e assim propõe a solução mais correta. O autor mostra que ao contrario, na maioria das vezes, o que se tem desta perspectiva critica não é a razão, mas sim grandes porções de atividade na defesa de suas idéias. Sobre o grande problema ensejado pelo tema o autor conclui que o historiador dos intelectuais não tem que ter como objetivo nem construir um panteão e nem cavar uma fossa comum.

Conclui que o caminho seria destrinchar as relações entre ideologias dos intelectuais e a cultura política da época. Levando em conta a natureza do objeto que estaria vinculada a meta política, correspondente aos confrontos ideológicos e políticos, as disputas eleitorais sobretudo:

Entre o coro dos intelectuais e a peça cheia de ‘clamor de fúria’ que é representada na rente do palco, urdiram-se relações complexas, cuja observação toca o âmago do político e faz, portanto, dessa história dos intelectuais uma história a seguir, em todos os sentidos do termo. (Sirinelli, 1996, p.262)

Sugere para desfecho proceder a uma história intelectual em três níveis, sendo responsável por uma nova história global e da França ao analisar a correlação das idéias dos intelectuais e os programas políticos.

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Domick La Capra

Dominick La Capra

 

 

Seminário

 

História Intelectual  

Repensar la Historia intelectual y leer texto*  Dominick Lacapra

 

Dominick LaCapra, Professor of History and Bowmar Professor of Human Studies and Comparative Literature in Cornell University -, is interested broadly in19 th and especially 20th century intellectual and cultural history and critical theory. He is the author of numerous books, whose titles speak to the range of his interests: Emile Durkheim: Sociologist and Philosopher (1972); A Preface to Sartre (1978); Madame Bovary on Trial (1982); Rethinking Intellectual History: Texts, Contexts, Language (1983); History & Criticism (1985); History, Politics, and the Novel (1987); Soundings in Critical Theory (1989); Representing the Holocaust: History, Theory, Trauma (1994); History and Memory after Auschwitz (1998); History and Reading: Tocqueville, Foucault, French Studies ( 2000); Writing History, Writing Trauma ( 2001), and History in Transit: Experience, Identity, Critical Theory (2004).
His recent research has been in the area of trauma and Holocaust studies. He has also been examining problems related to historical understanding and the relation between history and literature.
He teaches courses on aspects of modern European intellectual and cultural history (including the reading of classic texts), including critical theory, trauma studies, and fascism.

 

El texto de Dominick LaCapra que se reproduce apareció originalmente bajo El título     “Rethinking Intellectual History and Reading Texts”, em “ History and Theory”, 1980, y fue reimpresso em Rethinking Intellectual History: Texts, contexts, language.

 

Comentário geral

 A despeito do problema que a representação teve no seio das ciências humanas nas ultimas décadas, seus desdobramentos a partir do debate da narrativa, que não somente esteticamente (a questão das formas de apresentação) de um lado, o texto de Dominick LaCapra assume diante da questão  implicações metodológicas e de síntese. Por exemplo, de outro lado, como quer a micro-história, colocar a existência de um contexto histórico independente da articulação cognitiva (Danto e Mink) que a narrativa e a pesquisa histórica possam dar, ou sobre o aspecto do caráter meramente representacional e ficcional da narrativa histórica a partir das críticas narrativistas como a de Ankersmit.

 O texto de La Capra sintetiza as questões e posições acima através de uma proposta metodológica que subverte noções corriqueiras como as relações sujeito/objeto, linguagem e mundo, internalidade e externalidade, discurso e realidade  colocando  uma perspectiva relacional, cujos protagonistas são texto e contexto se desdobrando para vida/obra,  autor/produção entre outros.  Esses pontos dão origem a questão da recepção, a necessidade de uma História da leitura, cara à proposta de Chartier, que não aparece do nada. Como um exemplo aqui fica claro à luz da problematização de outra perspectiva como o modelo de interpretação proposto por La Capra.

 

 A problematização de LaCapra parte de questões metodológicas da história intelectual, de uma necessidade premente de responder questões como o que se faz quando se faz história intelectual e por quê se faz. Já de antemão anuncia-se uma perspectiva crítica visto que não se parte da explicação teórica de fundamentação de um campo. Até porque, para LaCapra, a história intelectual assume uma função transdiciplinar e não como mera função, como exemplo dado de uma história social, mesmo que está em relação às funções anteriormente dadas a disciplina como de caráter introdutória a certos assuntos assuma uma função melhor localizada. À essa função transdisciplinar o autor caracteriza a disciplina em sua “especificidade relativa”. (p.239,1985)

O primeiro ataque a dualismos esvaziantes se dá à separação entre história interna, as idéias por elas mesmas, o autor pelo autor, e a perspectiva externalista no qual o contexto determina a investigação. Nas palavras do autor, às primeiras as idéias e a segunda os homens e as idéias.

Para maior riqueza de problematizações o autor propõe, por exemplo, a aproximação com outras disciplinas que se põem em frente aos problemas de interpretação; como a crítica literária e a filosofia. A problematização colocada pelo autor é a de como ler “grandes textos” e assim formular o problema da relação entre estes textos com diversos contextos pertinentes.

Diante das reduções a que os textos são colocados a proposta vai se encaminhando para a transformação do próprio texto enquanto objeto de pesquisa em detrimento de colocá-lo como um testemunho, documento, artefato instrumentalizado para a reconstituição de um determinado período histórico. Tal postura, apontada como um positivismo empobrece as inúmeras dimensões colocadas desde que se tome o texto como um problema. A referencia do autor a tal problema é tratada por uma concepção documental da compreensão histórica para uma proposta de uma concepção dialógica. (Compreensão histórica para o autor está mais para a possibilidade do historiador em conseguir traçar um dialogo entre o presente e o passado com isso se inserido na própria investigação, ou seja, historicizar-se, suplantando outra dicotomia atacada, a do sujeito e objeto.)Essa concepção dialógica pressupõe- uma interelação entre o próximo e o distante levando às implicações metodológicas. Isto é, uma não “forçasão de barra” em tornar o familiar o que não é atitude da qual se resulta o anacronismo. Daí parafrasear Heidegger e sua noção “pensar o impensado”, procurar os silêncios dos textos como caminho de investigação. Nos dizeres de Bariani: “A relação dialogal entre o historiador e o ‘objeto’ de estudo traz à tona a função de seleção, julgamento, estilização, ironia, paródia, autoparódia e polêmica no uso que aquele faz da linguagem, ela própria uma prática significante que está conectada a outras práticas significantes na vida humana.”

Sobre a relação do dentro e fora, que também diz respeito à internalidade e externalidade o autor coloca que esta implicada a relação entre “linguagem” e “mundo”, sua definição é que o “mundo” é “textualizado” haja vista que em perspectiva critica, interpretar o mundo é alterá-lo e não simplesmente interpretá-lo.

A via de acesso a realidade dos historiadores são fragmentos textualizados, assim a posição do historiador não é única, e todas as definições da realidade então comprometidas em processos textuais.  Entender estes processos é fundamental.

O problema a seguir é tratado sobre reconstrução documental e o dialogo com o passado via a consideração de uma grande tradição mais isto pressupõe prestar uma especial atenção a produção dos “Canon”. O que faz de uma obra um clássico, várias são as perguntas colocadas pelo autor, fazendo crítica a visão etnocêntrica de tratar apenas como textos tradições escritas e excluir outras tradições e culturas. Entretanto o autor evidencia o descompasso de algumas obras aparecem como clássicas e por isso mesmo perderem sua significação particular. O autor aborda estas questões a partir de uma distinção entre o que El chama de caráter documental e do “ser-obra”. A primeira caracterização diz respeito de que o documental situa o texto em dimensões fáticas ou literais que implicam referencia a realidade empírica e transmitem informação sobre ela. Enquanto o “ser-obra” complementa a realidade empírica com agregados. Elementos que contemplam a interpretação e a imaginação. O “ser-obra” é crítico e transformador, porque desconstrói e reconstrói o dado trazendo ao mundo um transformação significativa. Fazendo o exemplo que enquanto o documentário assinala uma diferença o “ser-obra” constitui uma. Isto me remete a própria historiografia é pode levar a critérios de diferenciação de uma boa historiografia para uma historiografia normal é aquela que fica. Algo bastante pós-moderno no que diz respeito de que o melhor não é o diferente, todos nós somos, o melhor implica fazer a diferença! Mas em termos de analise estes aspectos são simultâneos em qualquer texto. A partir destes problemas é que o autor propõe uma história intelectual como uma história dos textos e seguem-se daí seis outros problemas como feitos na história tradicional e outros enfoques sugeridos pelo autor: A relação entre as intenções do autor e o texto, a relação entre a vida do autor e o texto, a relação entre a sociedade e os textos, a relação entre a cultura e os textos, a relação entre um texto e um corpus de texto de um escritor e, por último, a relação entre os modos de discurso e textos.

 

 

 

A RELAÇÃO ENTRE AS INTENÇÕES DO AUTOR E O TEXTO

 

 

A primeira caracterização do autor é quanto às teorias dos atos de fala, a necessidade de se captar a intenção do autor ao fazer o texto. No entanto, tal postura, acusa o autor, de levar a opinião extrema de que a partir da enunciação se está deduzindo o significado das intenções do autor ao fazer seus escritos. A posição de Quentin Skinner que defendia com vigor que o objeto da história intelectual deveria ser o estudo do que os autores pretendiam dizer em contextos históricos e situações comunicativas diferentes. (Uma defesa da intenção autoral como o elemento que proporciona um critério de interpretação válida.). as criticas são dirigidas são ao problema do impedimento da relação entre intenções além da incluída auto-impugnação. A questão é que esta intencionalidade não considera a expropriação da tradição do autor já que seu texto é passado a domínio publico. O autor coloca que as diferenças básicas  nas interpretações  ( o modo do discurso) poucas vezes giram, em torno de simples questões de faro – e que em certos níveis essas diferenças podem ter um valor não integralmente subordinado ao ideal de consenso na interpretação. Posto que seja possível que se relacionem com processos de impugnação que tem um papel crítico no presente e que tem como objetivo conservar de alguma forma um contexto social qualquer.

 

 

 

 

 

 

 

 

·        Internalidade  e externalidade

·        História intelectual como método.

·        O problema da tradição e colocar a relação entre textos e seus diversos contextos pertinentes

·        Transformação do texto em problema

·        Crítica a concepção documental da compreensão histórica.

·        Proposta de uma concepção dialógica

·        Proximidade e distanciamento

·        Inserção do pesquisador como construtor de contextos

·        O aspecto estilístico como uma prática significante.

·        Linguagem e mundo

·        Outras artes e a tarefa de traduzi-las (Lembrar do exemplo do Palavra a da nova função do gramático. De orientador e não de dono da verdade)

·        Os processos textuais são a via do historiador à “realidade”

·        Reconstrução documental e dialogo com o passado

·        Problematização da produção dos Canon

·        Caráter documental e “ser-obra”

·        A História intelectual como uma história do texto

·        Problemas de abordagens

·        A relação entre intenção do autor e texto e as teorias dos atos de fala.

·        A relação entre a vida do autor e o texto

 

 

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