Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘História’

Imagem

Breve Painel etno-histórico de Mato Grosso do Sul busca contribuir, através da promoção do conhecimento, para a difusão da tolerância e respeito ao pluralismo étnico, tendo como tema principal um breve panorama da história das etnias que ocuparam, ocupam ou transitaram, pelo que hoje se conhece como o Estado de Mato Grosso do Sul.

O autor é Gilson Rodolfo Martins, bacharel em História pela Universidade de São Paulo (1976) e doutor em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente é diretor do Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (MUARQ-LPA/UFMS) e professor titular de Arqueologia Pré-histórica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Os estudos que fazem interface entre a Arqueologia e a Antropologia nos cursos de Ciências Sociais ainda são raros. Com exceção da PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás); assim como o PPGAN- UFMG (Programa de Pós Graduação em Antropologia e Arqueologia da UFMG), que embora com linhas de pesquisa distintas, procura o diálogo constante entre as duas áreas; e, por fim, o tradicional Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No que diz respeito ao diálogo teórico entre as duas disciplinas, podemos afirmar que o difusionismo e sua preocupação com a difusão dos traços culturais entre os grupos para o entendimento da cultura, contribuiu, outrora, para uma maior proximidade entre as disciplinas. Assim como a Ecologia Cultural, posteriormente, hoje ocupando uma posição um tanto quanto incomoda na Etnologia. Influenciou , sobretudo, a partir das teses sobre a relação do meio-ambiente e a cultura, para as terras baixas da Amazônia,  já que anteriormente, os estudos desta perspectiva eram concentrados na Meso-América . Destaca-se o trabalho de Betty Meggers: Amazônia: A Ilusão de um Paraíso de 1976 e A Reconstrução da Pré-História Amazônica de 1974.  Particularmente, no campo da Antropologia vale mencionar o Handbook of South American Indian de Julien Steward, e que na Antropologia Brasileira terá ecos nos trabalhos do antropólogo Darcy Ribeiro. Pela interface proposta pelo livro o destaque sobre a relação entre o ecossistema do pantanal  e o “desenvolvimento” de culturas humanas é um dos horizontes perscrutados pelo autor.

Os grupos que ocupavam o território de Mato Grosso do Sul à época da chegada dos europeus na região, datada do século XVI, logo foram inseridos na dinâmica colonial, a partir do modelo de mão-de-obra compulsória, conforme apresentado pelo autor. Este contato, tematizado pelo autor como “intercivilizatório”, quase levou ao extermínio definitivo dos povos indígenas da região.

A ocupação territorial na atualidade das comunidades indígenas sul-matogrossense: “é bem reduzida, menciona-se reservas do extinto SPI, no sul do Estado, além centenas de famílias de Guarani-Kaiowá, assentadas nas margens das rodovias, aguardando o retorno as suas terras tradicionais e cerca de 5 mil pessoas da etnia terena que vivem marginalizadas nas cidades do Estado, tais como Dourados, Campo Grande, Aquidauana e Miranda.” (Martins, 2002, p.12)

O autor faz uma breve descrição dos aspectos geográficos do Estado, como seu rico mapa hidrográfico dividido em duas bacias: a do Rio Paraná e a do Rio Paraguai, sua vegetação – composta sobretudo por savanas e florestas tropicais – bem como aspectos do solo e geomoforlógicos.

Sobre a ocupação pré-histórica há registro de grupos humanos no Estado há mais de 11 mil anos. Os registros contemplam populações já extintas anteriormente  em relação ao grupos indigenas do período pré-colonial, bem como destes também. Destaca algumas pinturas rupestres no Alto Sucuriú, Costa Rica; Painel de Pinturas em Chapadão do Sul, Maracaju, Três Lagoas, e outros municípios; petróglifos em Corumbá, dando destaque para o séc. XVII considerando as reduções das Missões Jesuíticas de Itatim; e além de objetos da cultura material como raspadores em pedra lascada, ponta de projétil, lâminas de machado, mão-de-pilão, cerâmicas, adornos labiais, entre outros. Testemunham desta forma um rico patrimônio arqueológico a ser explorado, constatada as incipientes pesquisas ainda na área.

O segundo tema abordado no livro é sobre os povos indigenas do Mato Grosso do Sul e o contato com a civilização européia. Nas palavras do autor, o primeiro europeu a pisar em terras sul-matogrossenses foi Aleixo Garcia, ainda no início do século XVI. O motivo  tal incursão deu-se pelo fato dos espanhóis procurarem uma rota que ligasse o Pacífico ao Atlântico. A penetração no território foi posterior, sob influencia da busca pela prata na Bacia Platina. Primeiramente deu-se o contato com os indios charrua, e depois com guarani-carijó, que possuiam alguns adornos de prata e que atiçaram a cobiça dos espanhois a partir do mito  da Serra de Prata a que estes indios faziam ao Império Inca, mais ao norte.

Um importante aspecto que justifica a relação, do ponto de vista da cosmologia indigena dos guarani, e que justificou a aproximação da expedição de Aleixo Garcia, é narrada pelo autor da seguinte forma:  “ Aproveitando-se maliciosamente de um componente da cultura religiosa dos indios Guarani, que é acreditar na existencia física de uma especie de paraíso terrestre – Terra Sem Males – em busca do qual, periodicamente, os índios Guarani organizavam migrações com caráter messiânico, foi fácil capturar indigenas necessários ao seu plano expedicionário e ambicioso de buscar as imensas riquezas da “Serra de Prata”, associando dois objetivos culturais – o dos indigenas e do conquistador.” ( Martins, p.36, 2002)

A terceira parte do livro versará propriamente sobre os indios do Estado de Mato Grosso do Sul, desde a ocasião do “descobrimento”. Contabilizando alguns que ainda não foram identificados pela arqueologia e etno-história. Entre eles o autor destaca as etnias, Guarani, Guató, Ofayé, Kaiapó meridional, Payaguá. As mencionadas pelo autor merecem revisão por não considerar critérios de auto-denominação por parte dos indigenas.

Sobre os índios guaranis o autor destaca que ocupam a porção sul, sudoeste e centro-sudoeste do Estado, oriundos da planície Amazônica, ocupando a bacia platina; território que se tornou referencia para eles. Ainda com o território subordinado à Coroa Espanhola, passaram por processo de escravização, via instituições como as encomiendas, depois sob ficaram sob a tutela de Missões Jesuíticas. Atualmente sofrem com a expansão do agr negócio, trabalhando muitas vezes em lavouras, contudo, estimulados por lideranças próprias e indigenistas a retomar sua identidade na garantia de direitos, a partir de um processo de resistência via afirmação étnica. No estado de Mato Grosso do Sul há três grupos guarani, o mais numeroso  Kaiowá, Nhandeva e Mbya.

Os Kadiwéu, do tronco Arauak, e da familia Guaicuru, ocuparam a partir da segunda metade do século XVII, o vácuo demografico ocasionado pelo genocido bandeirante na região sul do Pantanal. O autor destaca a relação belicosa destes com outros grupos indigenas, sobretudo, os Guaná, e são conhecidos pela domesticação de cavalos,  devido a multiplicação de manadas por volta de 1650. Guerreiros transformaram-se em uma grande barreira para a colonização luso-espanhola, sendo assinado um tratado de paz, o único durante a Monarquia Portuguesa. Participaram na Guerra do Paraguai, e hoje, são em torno de mil individuos após um alto refluxo durante o seculo XIX, ocasionado pela expansao da fronteira agricola. Ocupam uma região proxima ao municipio de Porto Murtinho. Destaca-se também a produção estética dos mesmos. ( Ver Arte Kadiwéu do Darcy Ribeiro, 1951)

A etnia a seguir descrita pelo autor é a dos Terena. Estes são integrantes da família linguistica Guaná, filiadas ao tronco Aruak e que entraram, a partir do Sec. XVIII, em território sul-matogrossense, entre elas se destaca os Terena e os Kinikinao. Embora guerreiros comos os Guaikuru, estabeleceram mais contato com a sociedade envolvente por meio de trocas em que se destaca a produção de horti-frutiferos e a pecuária. Possuem excelente cerâmica  encontram-se, sobretudo, na região de Miranda. A etnia foi profundamente marcada pela Guerra do Paraguai, pois seu territorio foi substancialmente loteado entre os combatentes remanescentes e ainda, a partir, do século XIX também por pressão da expansão da fronteira agrícola. Outro fato que contribuiu para a perda de seus territórios foi a construção da Ferrovia Noroeste do Brasil, ligando a bacia do Rio Paraguai ao Brasil Atlântico.Merece destaque também a primeira aldeia urbana do Brasil sendo desta etnia, situada em Campo Grande, além da presença da educação escolar indigena a partir da alfabetização bilingue.

Sobre os Guapó, grupo inserido no tronco linguistico Macro-Jê, o autor destaca  que estes não se constituíam em aldeias fixas e passavam boa parte do tempo em canoas, nas áreas alagadas do Pantanal, vivendo basicamente da pesca e da caça. Os registros destes indigenas datam de 1825, devido ao seu temperamento não arredio em oposição aos Payaguá. Sofrem com o avanço do turismo da região e expansão agropastoril.

Com relação aos Ofayé  (Ofayé-Xavante), que se situam na planície do Rio Paraná, o autor menciona, que sofreram ataques constantes. O que explicaria seu nomadismo,  ataques desde os Kayapó meridional e os Guarani. Segundo o autor: “ No século seguinte, o trafego fluvial em direção as minas de Cuiabá, no Ciclo das Monções, abriu a perspectiva de ocupação das terras Ofayé com a implantação de estâncias de gado subsidiárias ao complexo garimpeiro mato-grossense.” (MARTINS, p. 73, 2002) Ocupam a região do atual municipio de Brasilândia.

Os Kayapó meridional, fazem constraste com o resto da etnias sul matogrossenssens por terem habitado em campos abertos. Possuiam uma organização social baseada na uxorilocalidade, não dormiam em redes e sim em esteiras, possuindo sofisticação na manipulacao da arte plumária e tecnicas de pintura corporal. Devido aos prejuizos que causaram às monçoes e à manutenção do ciclo minerador cuiabano, foram exterminados em meados do Século XIX no Estado. Importante destacar que este eram os que ocupavam a região do Bolsão, Paranaíba.

A última etnia mencionada pelo autor, das oito presentes no Estado, são os Payaguá também quase extintos, pertencentes a etnia Guaikuru. Canoeiros, destacavam-se na navegação fluvial no Rio Paraguai, tendo sido bastante atingidos com a perda do controle do rio em decorrência da expansão das monções a partir do sec. XVIII.

O tópico posterior trata da Questão Indigena na atualidade no Estado. O autor considera a dificuldade particular da política indigenista dado o contexto local ser marcado por bastante pluralidade assim, segundo o autor: “ A intromissão de fatores políticos, internos e externos às sociedades indigenas, tais como: tradicionais conflitos interétnicos, rivalidades entre lideranças indigenas, disputas por espaços entre as entidades indigenistas” (governamentais ou não) e , sobretudo, a complexidade das realidades pluri-étnicas (…) Não existindo homogeneidade nem internamente (MARTINS, p. 45, 2002), manisfestando-se caracteristicas singulares inclusive em uma mesma aldeia, impede qualquer tentativa de generalização dos problemas. A despeito das ofensivas históricas recorrentes aos pvos indigenas no Estado, e que tiveram como caso emblemático a extinção da etnia kayapó-meridional, a partir da Constituição de 1988, abriu-se espaço para a garantia dos direitos indigenas, marcando até projetos de etnogênese, como o caso dos Atikum. O grupos indigenas na região sempre foram vistos sob a ideologia dos “bugres”, que entende que os mesmos devem ser incorporados às camadas mais inferiores da sociedade.

Read Full Post »

Seguem abaixo alguns comentários sobre artigos lidos na Revista de Cultura e Política Lua Nova, produzida no CEDEC, disponível no Scielo. (Centro de Estudos de Cultura Contemporânea)

Apresentação

Lua Nova (ISSN 0102-6445) tem por objetivo fazer a alta reflexão de temas políticos e culturais, contribuindo assim para elevar o nível intelectual do debate público. Em suas páginas, o leitor vai encontrar elaboradas incursões nos campos da teoria política (clássica e contemporânea), da teoria social, da análise institucional e da crítica cultural, além de discussões dos assuntos candentes de nosso tempo. Entre seus colaboradores típicos estão intelectuais, docentes e pesquisadores das diversas áreas das Ciências Humanas, não necessariamente vinculados a instituições acadêmicas.

Os artigos publicados em Lua Nova estão indexados:
• no Brasil, no Data Índice
• na América Latina, no Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades (CLASE ) e na Red de Revistas Científicas de América y el Caribe, España y Portugal (Redalyc)

A versão eletrônica da revista está disponível na Scielo e no portal da CAPES.  (Fonte: http://www.cedec.org.br/)

1.HALL, Peter A.; TAYLOR, Rosemary C. R.. As três versões do neo-institucionalismo. Lua Nova,  São Paulo,  n. 58,   2003 .

Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452003000100010&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  30  maio  2010.  doi: 10.1590/S0102-64452003000100010.

Professor de Ciência Política e pesquisador do Center for European Studies da Harvard University

Professora de Sociologia e de Saúde Pública na Tufts University e pesquisadora associada no mesmo Centro em Harvard

O artigo faz um grande apanhado sobre uma perspectiva teórica que a partir dos anos 80 tornou-se modelo chave da explicação da Ciência Política. De influência norte-americana e de onde os dois autores do artigo também são fazem um apanhado deste campo teórico partindo de uma importante premissa de meu ponto de vista muito importante que é destacando a variedade de um campo teórico que na maioria das vezes quando criticado é definido como de uma linha apenas.

Os autores assim apresentam o neo-institucionalismo em pelo menos três perspectivas que trarei sumariamente neste pequeno comentário. Trata-se do institucionalismo histórico, o institucionalismo da escolha racional e o institucionalismo sociológico. Ambos têm em comum trazer para a análise uma idéia de sistema que define certo campo de previsão das ações dos indivíduos escritos em uma dinâmica processual entre suas escolhas e o peso das instituições nestas. As perspectivas variam segundo cada corrente que são divididas pelos autores a partir de uma ênfase ‘calculadora’ e outra com uma ênfase ‘culturalista’. Ambas reduzidas à prática da ação social orientadas a fins como descritas por Weber para a ação burocrática. Deve-se considerar, portanto, que tais modelos analíticos são utilizados na análise do comportamento político em instituições como Congressos Nacionais, organizações, empresas definindo o foco de estudo da ciência política.

Acredito que a ênfase do institucionalismo histórico utilizado na historiografia pode ser proveitoso ao considerar as trajetórias das instituições como uma das variantes da explicação de suas origens e mudanças, deixando um suposto anacronismo presente no institucionalismo da escolha racional que trás um pressuposto do homem moderno como o modelo de um homem universal e a – histórico. Contudo, aplicado ao contexto de sua origem, os Estados Unidos, a explicação das ações políticas dirigidas pelo cálculo da optimização e maximização da satisfação das preferências dos atores, me parece bastante instigante. Para o caso da mudança e origem das instituições defendem que as instituições seguem por uma economia das transações.

E por último, o institucionalismo sociológico da ênfase a uma espécie de ‘culturalismo’ pelo qual, outras variáveis são aplicadas para a análise da ação política dos indivíduos, mais do que a teoria das escolhas, ou a perspectiva da trajetória das instituições, este último sugere que as instituições devem ser vistas como práticas culturais, como ritos. O que explicaria o sentido que estas conferem a ação dos indivíduos e explicam sua renovação, aproximando ‘instituições’ de ‘cultura’.

2.THERET, Bruno. As instituições entre as estruturas e as ações. Lua Nova,  São Paulo,  n. 58,   2003 .

Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452003000100011&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  30  maio  2010.  doi: 10.1590/S0102-64452003000100011.

Pesquisador do IRIS e do CNRS

Este artigo trata da divisão tripartite do neo-institucionalismo em três disciplinas: a ciência política, a economia e a sociologia, particularmente, no caso francês. As definições do primeiro campo a ciência política seguem o texto anterior de Hall e Taylor.

O institucionalismo na economia e tomado por Bruno a partir do caso Francês. A primeira aproximação que este faz é a do institucionalismo da escolha racional e a Nova Economia Institucional sendo o desdobramento desta última a variação da primeira na Ciência Política. Na História econômica este pensamento também é utilizado além da Cliometria.

Aproxima a economia das convenções ao institucionalismo sociológico pela ênfase no aspecto cognitivo das instituições na sua relação com os comportamentos. Recusando a idéia que as instituições existem apenas a partir da questão da eficiência. Estas duas se distanciam do institucionalismo histórico a não levarem em conta as questões de poder e de disputa bem como o peso da origem e a formação das instituições em seu papel no processo decisório.

O institucionalismo histórico, segundo o autor, em economia, estaria próximo da teoria da regulação, destacando o caráter das instituições como mediadora de conflitos, desconsiderado pelas abordagens anteriores.

Por fim o autor vai discutir os institucionalismo em sociologia. Os três institucionalismo em sociologia corresponderiam a uma crítica ao funcionalismo mais perto do institucionalismo sociológico. O segundo mais próximo de um pólo subjetivista e de virada da sociologia para a microsociologia próxima da teoria da ação racional (institucionalismo das escolhas racionais) e o ultimo o institucionalismo história mais próximo de uma sociologia cultural e histórica de perspectiva comparada. Segundo o autor a segunda perspectiva não teve muito aceite entre os sociólogos justamente pelo paradoxo que ela envolve ao constranger o próprio sentido da disciplina sociologia.

O autor fecha com a mesma questão do artigo anterior se se aproximariam estas três perspectivas com uma resposta menos positiva que a de Hall e Taylor. Segundo o autor trata-se de um ponto médio entre as três que se aproximariam na definição do que seja a própria instituição.

3.BENEVIDES, Maria Victória de Mesquita. 1964: um golpe de classe? (Sobre um livro de René Dreifuss). Lua Nova [online]. 2003, n.58 [citado  2010-05-30], pp. 255-261 .

Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452003000100012&lng=pt&nrm=iso&gt;. ISSN 0102-6445.  doi: 10.1590/S0102-64452003000100012.

O artigo trata de uma releitura da tese de René Dreyfuss do Golpe Militar como um golpe de classe organizado por uma elite empresarial, o exército e interesses estrangeiros contra o governo populista de João Goulart tendo como base o complexo IPES/IBAD como núcleo ativo e articulador do Golpe. O grande paradoxo deste apoio foi a relação de descrença do empresariado com os rumos que tomaram a política de desenvolvimento durante a ditadura de cariz estatizantea atestado pela fala do udenista histórico Afonso Arinos.

A autora então analisa como a perspectiva militar se aproximou de uma visão de Estado pela qual a perspectiva de Dreifuss orientada por uma visão do Estado como representante do interesse da classe dominante se mostrou um pouco saliente.

Encerra seu artigo fazendo uma apreciação da obra como um todo de bom diagnostico sobre as malhas do poder no Brasil a partir de Juscelino Kubstscheck, além de se ater a criticas pontuais com relação às notas e estruturação do texto devido a extensão do mesmo.

4.BOTELHO, André. O poder ideológico: Bobbio e os intelectuais. Lua Nova,  São Paulo,  n. 62,   2004 .

Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452004000200006&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  31  maio  2010.  doi: 10.1590/S0102-64452004000200006.

O artigo problematiza a noção de intelectual a partir da obra de Bobbio. Atravessa questões como qual o papel do intelectual na sociedade, se deve ele intervir em assuntos políticos. O autor recorre a autoras como Elide Rugai Bastos e Walkíria Leão Rego em muitos de seus argumentos.

Destaca o papel que os intelectuais tiveram para a constituição do mundo moderno entendendo este como autônomo de valores tradicionais, além de mostrar como há um poder especifico dos intelectuais. Segundo Bobbio, seria o poder ideológico, a partir do papel da transmissão de conhecimento, de visões de mundo, de símbolos, poder diferente do econômico e do político propriamente dito.

O autor então articula quatro premissas da relação entre cultura e política mediada pelos intelectuais segundo Bobbio. O primeiro ponto é a falta de presença dos intelectuais na política propriamente dita, entendendo que em um estado democrático a política é feita por partidos e não por revistas.

Há uma grande separação entre o entendimento dos intelectuais como uma classe iluminada e o exercício da opinião política na ordem democrática, para o que Bobbio chama atenção que em países como a Inglaterra estes intelectuais não se arrogam a tanto, como sujeitos de uma qualificação política excepcional. A diferença da caracterização de Bobbio com relação a sociologia e história dos intelectuais é a questão da ética que seria a ênfase do autor , conforme apresenta.do no texto. A grande definição de Bobbio neste texto é a cultura e a política como esferas autônomas e interdependentes. Tendo como conseqüência a não necessária politização de tudo, posição defendia por Bobbio.

O autor segue a classificação de Bobbio para os intelectuais em expertos e ideólogos a partir dos modelos weberianos de ‘ações racionais orientadas por valor’ e ‘ações racionais orientadas por um fim’. Com uma conclusão muito interessante relativa ao papel sócio-histórico dos intelectuais, fornecida para análise sobre o sentido político da ação do intelectual em uma sociedade: ‘Nesse sentido, e ainda de modo congruente às sugestões de Bobbio, é possível dizer que tanto o “trabalho do intelectual, independentemente das suas convicções, ou intenções explícitas, entra na história das lutas sociais, arranjos do poder” (Ianni, 1989, p. 77), quanto as ações políticas não são, empiricamente consideradas, “sempre genuinamente motivadas pelos princípios usados para racionalizá-las” (Skinner, 1999, p. 85). (Botelho, 2003)

O autor então faz um apanhado sobre o papel dos intelectuais no Brasil. O mais interessante são as referências  para o caso brasileiro quanto ao trabalho de Winock, Leão Rego, Brandão e Skinner que são os que particularmente mais me interessam. Além de trabalhar com as duas éticas na Política como Vocação de Weber.

Read Full Post »

Domick La Capra

Dominick La Capra

 

 

Seminário

 

História Intelectual  

Repensar la Historia intelectual y leer texto*  Dominick Lacapra

 

Dominick LaCapra, Professor of History and Bowmar Professor of Human Studies and Comparative Literature in Cornell University -, is interested broadly in19 th and especially 20th century intellectual and cultural history and critical theory. He is the author of numerous books, whose titles speak to the range of his interests: Emile Durkheim: Sociologist and Philosopher (1972); A Preface to Sartre (1978); Madame Bovary on Trial (1982); Rethinking Intellectual History: Texts, Contexts, Language (1983); History & Criticism (1985); History, Politics, and the Novel (1987); Soundings in Critical Theory (1989); Representing the Holocaust: History, Theory, Trauma (1994); History and Memory after Auschwitz (1998); History and Reading: Tocqueville, Foucault, French Studies ( 2000); Writing History, Writing Trauma ( 2001), and History in Transit: Experience, Identity, Critical Theory (2004).
His recent research has been in the area of trauma and Holocaust studies. He has also been examining problems related to historical understanding and the relation between history and literature.
He teaches courses on aspects of modern European intellectual and cultural history (including the reading of classic texts), including critical theory, trauma studies, and fascism.

 

El texto de Dominick LaCapra que se reproduce apareció originalmente bajo El título     “Rethinking Intellectual History and Reading Texts”, em “ History and Theory”, 1980, y fue reimpresso em Rethinking Intellectual History: Texts, contexts, language.

 

Comentário geral

 A despeito do problema que a representação teve no seio das ciências humanas nas ultimas décadas, seus desdobramentos a partir do debate da narrativa, que não somente esteticamente (a questão das formas de apresentação) de um lado, o texto de Dominick LaCapra assume diante da questão  implicações metodológicas e de síntese. Por exemplo, de outro lado, como quer a micro-história, colocar a existência de um contexto histórico independente da articulação cognitiva (Danto e Mink) que a narrativa e a pesquisa histórica possam dar, ou sobre o aspecto do caráter meramente representacional e ficcional da narrativa histórica a partir das críticas narrativistas como a de Ankersmit.

 O texto de La Capra sintetiza as questões e posições acima através de uma proposta metodológica que subverte noções corriqueiras como as relações sujeito/objeto, linguagem e mundo, internalidade e externalidade, discurso e realidade  colocando  uma perspectiva relacional, cujos protagonistas são texto e contexto se desdobrando para vida/obra,  autor/produção entre outros.  Esses pontos dão origem a questão da recepção, a necessidade de uma História da leitura, cara à proposta de Chartier, que não aparece do nada. Como um exemplo aqui fica claro à luz da problematização de outra perspectiva como o modelo de interpretação proposto por La Capra.

 

 A problematização de LaCapra parte de questões metodológicas da história intelectual, de uma necessidade premente de responder questões como o que se faz quando se faz história intelectual e por quê se faz. Já de antemão anuncia-se uma perspectiva crítica visto que não se parte da explicação teórica de fundamentação de um campo. Até porque, para LaCapra, a história intelectual assume uma função transdiciplinar e não como mera função, como exemplo dado de uma história social, mesmo que está em relação às funções anteriormente dadas a disciplina como de caráter introdutória a certos assuntos assuma uma função melhor localizada. À essa função transdisciplinar o autor caracteriza a disciplina em sua “especificidade relativa”. (p.239,1985)

O primeiro ataque a dualismos esvaziantes se dá à separação entre história interna, as idéias por elas mesmas, o autor pelo autor, e a perspectiva externalista no qual o contexto determina a investigação. Nas palavras do autor, às primeiras as idéias e a segunda os homens e as idéias.

Para maior riqueza de problematizações o autor propõe, por exemplo, a aproximação com outras disciplinas que se põem em frente aos problemas de interpretação; como a crítica literária e a filosofia. A problematização colocada pelo autor é a de como ler “grandes textos” e assim formular o problema da relação entre estes textos com diversos contextos pertinentes.

Diante das reduções a que os textos são colocados a proposta vai se encaminhando para a transformação do próprio texto enquanto objeto de pesquisa em detrimento de colocá-lo como um testemunho, documento, artefato instrumentalizado para a reconstituição de um determinado período histórico. Tal postura, apontada como um positivismo empobrece as inúmeras dimensões colocadas desde que se tome o texto como um problema. A referencia do autor a tal problema é tratada por uma concepção documental da compreensão histórica para uma proposta de uma concepção dialógica. (Compreensão histórica para o autor está mais para a possibilidade do historiador em conseguir traçar um dialogo entre o presente e o passado com isso se inserido na própria investigação, ou seja, historicizar-se, suplantando outra dicotomia atacada, a do sujeito e objeto.)Essa concepção dialógica pressupõe- uma interelação entre o próximo e o distante levando às implicações metodológicas. Isto é, uma não “forçasão de barra” em tornar o familiar o que não é atitude da qual se resulta o anacronismo. Daí parafrasear Heidegger e sua noção “pensar o impensado”, procurar os silêncios dos textos como caminho de investigação. Nos dizeres de Bariani: “A relação dialogal entre o historiador e o ‘objeto’ de estudo traz à tona a função de seleção, julgamento, estilização, ironia, paródia, autoparódia e polêmica no uso que aquele faz da linguagem, ela própria uma prática significante que está conectada a outras práticas significantes na vida humana.”

Sobre a relação do dentro e fora, que também diz respeito à internalidade e externalidade o autor coloca que esta implicada a relação entre “linguagem” e “mundo”, sua definição é que o “mundo” é “textualizado” haja vista que em perspectiva critica, interpretar o mundo é alterá-lo e não simplesmente interpretá-lo.

A via de acesso a realidade dos historiadores são fragmentos textualizados, assim a posição do historiador não é única, e todas as definições da realidade então comprometidas em processos textuais.  Entender estes processos é fundamental.

O problema a seguir é tratado sobre reconstrução documental e o dialogo com o passado via a consideração de uma grande tradição mais isto pressupõe prestar uma especial atenção a produção dos “Canon”. O que faz de uma obra um clássico, várias são as perguntas colocadas pelo autor, fazendo crítica a visão etnocêntrica de tratar apenas como textos tradições escritas e excluir outras tradições e culturas. Entretanto o autor evidencia o descompasso de algumas obras aparecem como clássicas e por isso mesmo perderem sua significação particular. O autor aborda estas questões a partir de uma distinção entre o que El chama de caráter documental e do “ser-obra”. A primeira caracterização diz respeito de que o documental situa o texto em dimensões fáticas ou literais que implicam referencia a realidade empírica e transmitem informação sobre ela. Enquanto o “ser-obra” complementa a realidade empírica com agregados. Elementos que contemplam a interpretação e a imaginação. O “ser-obra” é crítico e transformador, porque desconstrói e reconstrói o dado trazendo ao mundo um transformação significativa. Fazendo o exemplo que enquanto o documentário assinala uma diferença o “ser-obra” constitui uma. Isto me remete a própria historiografia é pode levar a critérios de diferenciação de uma boa historiografia para uma historiografia normal é aquela que fica. Algo bastante pós-moderno no que diz respeito de que o melhor não é o diferente, todos nós somos, o melhor implica fazer a diferença! Mas em termos de analise estes aspectos são simultâneos em qualquer texto. A partir destes problemas é que o autor propõe uma história intelectual como uma história dos textos e seguem-se daí seis outros problemas como feitos na história tradicional e outros enfoques sugeridos pelo autor: A relação entre as intenções do autor e o texto, a relação entre a vida do autor e o texto, a relação entre a sociedade e os textos, a relação entre a cultura e os textos, a relação entre um texto e um corpus de texto de um escritor e, por último, a relação entre os modos de discurso e textos.

 

 

 

A RELAÇÃO ENTRE AS INTENÇÕES DO AUTOR E O TEXTO

 

 

A primeira caracterização do autor é quanto às teorias dos atos de fala, a necessidade de se captar a intenção do autor ao fazer o texto. No entanto, tal postura, acusa o autor, de levar a opinião extrema de que a partir da enunciação se está deduzindo o significado das intenções do autor ao fazer seus escritos. A posição de Quentin Skinner que defendia com vigor que o objeto da história intelectual deveria ser o estudo do que os autores pretendiam dizer em contextos históricos e situações comunicativas diferentes. (Uma defesa da intenção autoral como o elemento que proporciona um critério de interpretação válida.). as criticas são dirigidas são ao problema do impedimento da relação entre intenções além da incluída auto-impugnação. A questão é que esta intencionalidade não considera a expropriação da tradição do autor já que seu texto é passado a domínio publico. O autor coloca que as diferenças básicas  nas interpretações  ( o modo do discurso) poucas vezes giram, em torno de simples questões de faro – e que em certos níveis essas diferenças podem ter um valor não integralmente subordinado ao ideal de consenso na interpretação. Posto que seja possível que se relacionem com processos de impugnação que tem um papel crítico no presente e que tem como objetivo conservar de alguma forma um contexto social qualquer.

 

 

 

 

 

 

 

 

·        Internalidade  e externalidade

·        História intelectual como método.

·        O problema da tradição e colocar a relação entre textos e seus diversos contextos pertinentes

·        Transformação do texto em problema

·        Crítica a concepção documental da compreensão histórica.

·        Proposta de uma concepção dialógica

·        Proximidade e distanciamento

·        Inserção do pesquisador como construtor de contextos

·        O aspecto estilístico como uma prática significante.

·        Linguagem e mundo

·        Outras artes e a tarefa de traduzi-las (Lembrar do exemplo do Palavra a da nova função do gramático. De orientador e não de dono da verdade)

·        Os processos textuais são a via do historiador à “realidade”

·        Reconstrução documental e dialogo com o passado

·        Problematização da produção dos Canon

·        Caráter documental e “ser-obra”

·        A História intelectual como uma história do texto

·        Problemas de abordagens

·        A relação entre intenção do autor e texto e as teorias dos atos de fala.

·        A relação entre a vida do autor e o texto

 

 

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: