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Clifford, James. 1988. “On ethnographic authority”. In: The predicament of culture- twentieth century ethnography, literature and art. New York: Harvard University Press,514ZKF3EKWL._SS500_-750995

James Clifford começa seu texto com frontispícios de livro de etnógrafos desde o Séc. XVIII até Malinowski no início do século XX para problematizar o lugar do etnógrafo nas descrições que fazem de outros povos. No primeiro caso sobre os ‘selvagens’ ameríndios e, no segundo, com Malinowski sobre os Trobriandeses do leste do pacífico retratando o Kula – ritual de troca central da vida social na melanésia.

Desta feita sobressai uma crítica, esta no sentido reflexivo, do lugar da etnografia moderna em comparação com as outras precedentes, pela qual na primeira a mediação com a experiência etnográfica se dá pelos livros, e na segunda, se destaca o ‘realismo’ e autoridade sobre o relato implícito, construídos a partir de fotos, como no caso do Kula trazendo à escrita etnográfica o que Clifford classifica como: O modo predominante da autoridade do moderno trabalho de campo assinalado por um “You are there… because I was there” (Clifford, 1983, p.22)

O autor no texto propõe uma não exaustiva analise da formação e da ‘quebra’ da autoridade etnográfica nos trabalhos que partem da observação participante, não esgotando todas as tradições dando ênfase apenas a escola francesa, inglesa e americana, de modo que fica os exemplos guiados por tradições anti-positivistas como a oferecida por Wilhelm Dilthey a partir da diferenciação de uma epistemologia de interpretação. Em detrimento ao movimento explicativo preconizado pelas descrições próximas do modelo sugerido pelas ciências naturais que o autor avisa não ser analisada.

O contexto dado para o ‘predicament’ é o de redistribuição do poder colonial ocorrido a partir da década de 50 e os ecos das teorias da cultura radicais dos anos 70 e 80. Em suma, a partir da ascensão de movimentos políticos, um processo de globalização, o discurso antropológico é mobilizado não apenas a partir de uma ideologia ocidental, mas passa a ter que lidar com diferentes autores no debate em um movimento apontado em literatura por Mikhail Bakhtin de ‘heteroglossia’. A ambigüidade de um discurso multivocal coloca para a etnografia o problema da representação do outro e da diversidade cultural, pois a diferença aparece como um efeito de um sincretismo inventado, afirma o autor.

Nas linhas seguintes, analisa-se o trabalho de Edward Said e a questão do orientalismo apontando como foi construído um saber do ocidente sobre o oriente e a crença na positividade deste a despeito de um fundo ‘real’ participativo e que expresse as diferenças do ponto de vista do próprio oriente para subsidiar a crítica que diz que: “These studies suggest that while ethnographic writing cannot entirely, escape the reductionist use of dichotomies and essences, it can at least struggle self-consciously to avoid portraying abstract, a historical ‘others’.” (Clifford, 1983, p.23). Portanto, tem-se a relação intima entre a produção de conhecimento cientifico e a legitimidade da empresa colonial com relação a estes povos configurada por uma relação especifica entre método cientifico e modos de dominação colonial que desconsideram as relações de dominação historicamente construídas.

Outro ponto a ser ressaltado pelo autor na produção das etnografias é a capacidade do método constituir-se com uma experiência e a dificuldade de tradução destas. E surge daí uma critica à crença na possibilidade de tradução ideal como o mito da etnografia moderna. No sentido de não considerar, as contingências, limitações que o próprio campo oferece.
Segundo o autor, os estilos de descrição cultural não estão reduzidos a disciplina antropologia e assumiu diversas formas historicamente modificadas. Mais uma vez ressalta que o entendimento da etnografia como ciência não deve ser desligado das implicações politica-epistemologicas debatidas sobre a representação e escrita sobre os ‘outros’.
A esta parte introdutória do tema o autor precisa a pergunta que se faz e a partir de onde irá procurar suas respostas. Se a etnografia produz interpretações culturais a partir de intensas experiências de pesquisa, como esta experiência é transformada em um texto de autoridade? Como precisamente o encontro das culturas atinge uma relação de poder circunscrita em uma versão adequada ou não de um ‘outro mundo’ produzida por um autor individual?

O autor sugere a hipótese que do começo ao fim o complexo de transformações se dá pela passagem da tradução da experiência na forma textual. Assim uma complexa experiência individual é anunciada por um autor, tal como o caso de Samoa de Margareth Mead, dos Nuer de Evans-Pritchard, We, the tikopia de Raymond Firth entre outros. Assim a investigação se pauta pela discussão da construção histórica do discurso de autoridade inscrito na prática da observação participante ao longo do Sec. XX.

Keywords: observação participante, heteroglossia, ahistoricidade, autoridade, textualidade
Dúvidas: Procurar saber do frontispício do Laufalt e do texto do Michel de Certeau como sugerido na nota de rodapé pelo autor.

Para tanto, o autor estabelece uma cronologia a partir da qual no começo do Séc. XIX, o etnógrafo não gozava do status de melhor intérprete da vida nativa, concorrendo ainda com o relato dos viajantes, especialmente, os missionários e funcionários públicos dos impérios. É importante esse ressalte, porque para o caso brasileiro quando se trata de estudar as representações dos indígenas pela coroa portuguesa; as principais fontes são justamente de missionários como, Padre Antônio Vieira, Padre Anchieta, Manoel da Nóbrega, bem como dos viajantes, neste caso, o próprio Pedro Álvares Cabral e os governantes que aqui a coroa colocou.
A problematização para o caso norte-americano da construção da etnografia se deu a partir dos trabalhos Frank Hamilton Cushing e Margareth Mead. O autor ressalta uma forma particular de autoridade criada (a) uma autoridade cientificamente validada e caudatária de uma experiência única e individual. Apontando, por conseguinte, uma critica de Malinowski com relação a um funcionário do império britânico e sua falta de pericia cientifica para o caso dos Trobriandeses que o mesmo estudava. Disto Clifford conclui que, a partir da metade do sec. XX, o sucesso do trabalho de campo surgiu como uma nova fusão de uma teoria geral e a pesquisa empírica, ou da analise cultural a partir da descrição etnográfica.

Ressalto aqui a constituição de um quadro da formação da autoridade etnográfica a partir do estabelecimento da experiência de campo. Comparam-se trabalhos sobre os trobiendeses a partir de missionários e a própria regra geral que se estabelecerá, segundo o autor, a partir do trabalho de Margareth Mead, Malinowski e Radcliff-Brown. O autor destaca o argumento destes etnógrafos como produção do conhecimento por partes dos seus precursores como sendo sem base de hipóteses cientificas e falta de neutralidade.
Entre os relatos dos viajantes, o autor menciona a forma de pesquisa colocada na Inglaterra no começo do Séc. XX e o papel de Tylor na proposição de maiores critérios na coleta de dados para o estabelecimento da analise antropológica. Contudo, somente com Malinowski que a pesquisa de campo foi realmente estabelecida, sendo o próprio antropólogo que irá a campo coletar os dados. Assim, Clifford menciona a distancia entre os antropólogos como formuladores de grandes teorias da humanidade e o trabalho de descrição-tradução efetuado pela etnografia. “Malinowski gives us the image of the ‘new anthropologist’ – squatting by the campfire; looking, listening, and questioning; recording and interpreting Trobiand life.” (Clifford, 1983, p.28)

Algumas técnicas no texto de Malinowski são analisadas por Clifford como apontadas por Stocking, tais como: utilização de formas narrativas para a construção do texto, voz ativa no ‘presente etnográfico’, dramatizações da participação do autor na vida dos Trobriandeses, técnicas que colocam a experiência do autor como a experiência do leitor como se ele estivesse lá. Estes seriam os critérios de excelência na pesquisa de campo etnográfico, a produção de uma narrativa simultaneamente sobre a vida de um povo e o do trabalho de campo como critério científico que dá validade a observação participante. De modo que se anuncia uma poderosa metodologia cientifica bem como um novo gênero literário a própria etnografia baseada na observação participante.

São seis os pontos ressaltados pelo autor que caracterizam diretamente este estilo: Primeiro o convívio com os nativos, segundo a questão do conhecimento da língua nativa, com uma provocação de Lowie para o argumento de Mead, quando afirma que traduzir o romance de Proust não equivale a ter conhecimento sobre os franceses. Terceiro, no poder da observação, os fatos etnográficos como objetivos passiveis de serem gravados, tais como comportamentos, rituais. Concluindo que depois de Malinowski há predileção à interpretação dos dados feita pelo etnógrafo em detrimento a observação interessada das autoridades. Quarto a capacidade de generalização oferecida pelo conhecimento teórico; para o caso de Rivers o método genealógico; e, no caso de Radcliffe-Brown, o conhecimento das estruturas sociais e que possibilitaria a comparação. Em quinto, o procedimento metodológico funcionalista de partes assumindo a função do todo, como no caso de se estudar um ritual especifico na explicação das instituições econômicas – Kula.
Sexto, o todo representado de maneira sincrônica. Descartando a leitura de grandes processos no tempo que a metodologia inviabilizaria. Malinowski e Radcliff-Brown reprovam a abordagem diacrônica fazendo criticas ao método difusionista da ‘historia conjectural’.

Keywords: ‘presente etnográfico’, observação participante, funcionalismo, metonímia, sincronia, diacronia.
Dica: Observar a constituição de uma metodologia de pesquisa e a crítica ao estabelecimento do critério ‘cientifico’ como possibilidade de verdade única. Meta-etnografia e crítica aos pressupostos da disciplina.

Depois de situar estes seis pontos caracterizando a metodologia da observação participante, o autor passa a analisar o trabalho de Evans Pritchard como uma espécie de milagre devido as circunstancias em que foi feito. E a critica de Evans-Pritchard ao estilo casual e fortuito da coleta de dados de Malinowski no sentido de que os dados só são conectados a teoria e que isto diferiria seu trabalho, com relação ao autor, na medida em que toma este fato conscientemente.
Segundo Clifford, a observação participante é paradoxal, uma relação entre o dentro e o fora, no sentido em que é reformulada em termos hermenêuticos como uma dialética de experiência e da interpretação. De uma tradição que remonta de Wilhelm Dilthey a Max Weber e na antropologia a Clifford Geertz da análise do símbolo ao significado. Aponta que o trabalho de tradução e de interpretação dos dados foi relegado para segundo plano na relação entre a experiência e a interpretação, no caso da observação participante e a consideração da autoridade etnográfica. Pois o trabalho de campo é centrado na experiência e aponta que as condições de produção do texto é quase nunca revelada.

A separação da experiência e da interpretação é central no argumento de Clifford, pois nela residiria a construção da autoridade etnográfica. O autor precisa o conceito de experiência a partir da noção de verstehen de Wilhelm Dilthey e chama atenção para diferença deste no caso da antropologia. Outra opção para o entendimento da experiência como procedimento metodológico é a proposta de conhecimento conjectural proposta por Carlo Ginzburg.
A grande contradição nesse conceito de experiência, no caso da antropologia, segundo Clifford, seria colocada pelo fato de que é esta experiência que garante a autoridade etnográfica: Segundo o autor: “Experience evoques a participatory presence, a sensitive contact with the world to be understood, a rapport with its people, a concreteness of perception. I also suggests a cumulative, deepening knowledge (“ her tem years’ experience of New Guinea’). The senses work together to authorize an ethnographer’s real but ineffable feel or flair for “his” or “her” people. It is worth nothing, however, that this “Word”, when conceived as an experiential creation, is subjective, not dialogical or subjective. The ethnographer accumulates personal knowledge of the Field (the possessive form my people has until recently been familiarity used in anthropological circles, but the phrase in effect signifies “my experience”) Clifford, 1983, p.37)

Keywords: experiência, interpretação, autoridade etnográfica, subjetividade
Dica: Observar a fundamentação de Dilthey com relação à experiência, o método oferecido por Carlo Ginzburg e a relação com a ambigüidade da palavra experiência.

A crítica a esta relação com a experiência se dá, primeiramente, a partir da antropologia interpretativista que parte da pergunta de como o objeto “cultural” é inventado e tratado como significativos além de remontar a metodologia ao caráter hermenêutico da interpretação das culturas como um texto a maneira da filologia. A idéia vem de Paul Ricouer (1973) e depois sistematizada em antropologia por Geertz (1973). Textualização é o pré-requisito para a interpretação ao que Dilthey chama de “expressões fixadas”
O autor passa para uma definição clássica de discurso segundo Beneviste e aponta a critica de Ricoeur que afirma que a interpretação já esta fora do campo comunicativo e pretende uma relação desse discurso com uma realidade exterior. Por isso, quando um discurso se torna um texto ele fica autônomo fazendo com que a interpretação deixe de ser uma interlocução. Não depende das intenções do autor ou da presença do falante. Assim as implicações para a etnografia são ressaltadas como a experiência virando narrativa, significados ocorridos, os dados viram textos e não estão inseridos nos contextos discursivos.

Ainda segundo o autor, a tradução da experiência de pesquisa em corpo textual separado das ocasiões discursivas tem importantes conseqüências para a autoridade etnográfica. Assim o contexto discursivo é esvaziado pelo etnógrafo a partir de uma generalização que assume o ‘ponto de vista nativo’ como no caso: ‘dos nuer’, ‘dos dogon’… A ênfase na construção coerente da narrativa e o processo de produção dessas são decantados para o texto final, assim, diário de campo, a conversa com os informantes, as contradições são suprimidas a fim de dar ao texto a forma de um todo coerente.
Keyboard: texto, cultura, autoridade, dados de campo, produção final, Geertz
Aparece, por fim, a critica ao deslocamento efetuado pela antropologia interpretativa com relação à autoridade etnográfica precedente a partir da reflexão sobre a construção do texto. No entanto, este esgotamento não basta por si só e é criticado a partir de uma politização das interpretações como posição colocada por Talal Asad (1973). A partir de Bakthin toma-se a linguagem deixando de ser uma pratica neutra e sim com acentos e realces.

Apresenta-se o modelo discursivo de escrita etnográfica, que leva em conta o contexto da fala e as situações de interlocução como parte da pesquisa. Com a afirmação de Fravet-Saada (1977) de que o evento de interlocução sempre coloca o etnógrafo em uma posição no campo de relações intersubjetivas. O autor cita também as propostas de Bwyer (1977) e Capranzano (1980) sobre a etnografia como um processo de dialogo entre os interlocutores que ativamente negociam uma visão de mundo sobre a realidade. A aproximação do discurso etnográfico do realismo.

Keywords – politização das interpretações, ‘encontro etnográfico’, texto, discurso,

Duvidas: A etnografia segundo Talal Asad, a proposta do dialogismo, o efeito discursivo e uma nova etnografia.

O autor chama atenção para o fato de que dizer que a etnografia é composta de discursos por diferentes componentes ialogicamente relatados não é o mesmo que dizer que esta forma texto poderia ser um diálogo literal. A proposta de um terceiro participante por Capranzano, um terceiro fictício como mediador do encontro entre dois indivíduos. E Rosaldo colocando a questão do interstício de seu trabalho sobre a verdadeira autoria das notas de campo.

James Clifford

o. . . Alone together
James Clifford

Professor, History of Consciousness Department,
University of California, Santa Cruz
Santa Cruz, CA 95064. USA
jcliff@ucsc.edu

1969-77 Ph.D. Harvard University, History
1967-68 M.A. Stanford University
1965-66 London School of Economics and Political Science
1963-67 A.B. Haverford College
(fonte: http://people.ucsc.edu/~jcliff/contents.html)

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Domick La Capra

Dominick La Capra

 

 

Seminário

 

História Intelectual  

Repensar la Historia intelectual y leer texto*  Dominick Lacapra

 

Dominick LaCapra, Professor of History and Bowmar Professor of Human Studies and Comparative Literature in Cornell University -, is interested broadly in19 th and especially 20th century intellectual and cultural history and critical theory. He is the author of numerous books, whose titles speak to the range of his interests: Emile Durkheim: Sociologist and Philosopher (1972); A Preface to Sartre (1978); Madame Bovary on Trial (1982); Rethinking Intellectual History: Texts, Contexts, Language (1983); History & Criticism (1985); History, Politics, and the Novel (1987); Soundings in Critical Theory (1989); Representing the Holocaust: History, Theory, Trauma (1994); History and Memory after Auschwitz (1998); History and Reading: Tocqueville, Foucault, French Studies ( 2000); Writing History, Writing Trauma ( 2001), and History in Transit: Experience, Identity, Critical Theory (2004).
His recent research has been in the area of trauma and Holocaust studies. He has also been examining problems related to historical understanding and the relation between history and literature.
He teaches courses on aspects of modern European intellectual and cultural history (including the reading of classic texts), including critical theory, trauma studies, and fascism.

 

El texto de Dominick LaCapra que se reproduce apareció originalmente bajo El título     “Rethinking Intellectual History and Reading Texts”, em “ History and Theory”, 1980, y fue reimpresso em Rethinking Intellectual History: Texts, contexts, language.

 

Comentário geral

 A despeito do problema que a representação teve no seio das ciências humanas nas ultimas décadas, seus desdobramentos a partir do debate da narrativa, que não somente esteticamente (a questão das formas de apresentação) de um lado, o texto de Dominick LaCapra assume diante da questão  implicações metodológicas e de síntese. Por exemplo, de outro lado, como quer a micro-história, colocar a existência de um contexto histórico independente da articulação cognitiva (Danto e Mink) que a narrativa e a pesquisa histórica possam dar, ou sobre o aspecto do caráter meramente representacional e ficcional da narrativa histórica a partir das críticas narrativistas como a de Ankersmit.

 O texto de La Capra sintetiza as questões e posições acima através de uma proposta metodológica que subverte noções corriqueiras como as relações sujeito/objeto, linguagem e mundo, internalidade e externalidade, discurso e realidade  colocando  uma perspectiva relacional, cujos protagonistas são texto e contexto se desdobrando para vida/obra,  autor/produção entre outros.  Esses pontos dão origem a questão da recepção, a necessidade de uma História da leitura, cara à proposta de Chartier, que não aparece do nada. Como um exemplo aqui fica claro à luz da problematização de outra perspectiva como o modelo de interpretação proposto por La Capra.

 

 A problematização de LaCapra parte de questões metodológicas da história intelectual, de uma necessidade premente de responder questões como o que se faz quando se faz história intelectual e por quê se faz. Já de antemão anuncia-se uma perspectiva crítica visto que não se parte da explicação teórica de fundamentação de um campo. Até porque, para LaCapra, a história intelectual assume uma função transdiciplinar e não como mera função, como exemplo dado de uma história social, mesmo que está em relação às funções anteriormente dadas a disciplina como de caráter introdutória a certos assuntos assuma uma função melhor localizada. À essa função transdisciplinar o autor caracteriza a disciplina em sua “especificidade relativa”. (p.239,1985)

O primeiro ataque a dualismos esvaziantes se dá à separação entre história interna, as idéias por elas mesmas, o autor pelo autor, e a perspectiva externalista no qual o contexto determina a investigação. Nas palavras do autor, às primeiras as idéias e a segunda os homens e as idéias.

Para maior riqueza de problematizações o autor propõe, por exemplo, a aproximação com outras disciplinas que se põem em frente aos problemas de interpretação; como a crítica literária e a filosofia. A problematização colocada pelo autor é a de como ler “grandes textos” e assim formular o problema da relação entre estes textos com diversos contextos pertinentes.

Diante das reduções a que os textos são colocados a proposta vai se encaminhando para a transformação do próprio texto enquanto objeto de pesquisa em detrimento de colocá-lo como um testemunho, documento, artefato instrumentalizado para a reconstituição de um determinado período histórico. Tal postura, apontada como um positivismo empobrece as inúmeras dimensões colocadas desde que se tome o texto como um problema. A referencia do autor a tal problema é tratada por uma concepção documental da compreensão histórica para uma proposta de uma concepção dialógica. (Compreensão histórica para o autor está mais para a possibilidade do historiador em conseguir traçar um dialogo entre o presente e o passado com isso se inserido na própria investigação, ou seja, historicizar-se, suplantando outra dicotomia atacada, a do sujeito e objeto.)Essa concepção dialógica pressupõe- uma interelação entre o próximo e o distante levando às implicações metodológicas. Isto é, uma não “forçasão de barra” em tornar o familiar o que não é atitude da qual se resulta o anacronismo. Daí parafrasear Heidegger e sua noção “pensar o impensado”, procurar os silêncios dos textos como caminho de investigação. Nos dizeres de Bariani: “A relação dialogal entre o historiador e o ‘objeto’ de estudo traz à tona a função de seleção, julgamento, estilização, ironia, paródia, autoparódia e polêmica no uso que aquele faz da linguagem, ela própria uma prática significante que está conectada a outras práticas significantes na vida humana.”

Sobre a relação do dentro e fora, que também diz respeito à internalidade e externalidade o autor coloca que esta implicada a relação entre “linguagem” e “mundo”, sua definição é que o “mundo” é “textualizado” haja vista que em perspectiva critica, interpretar o mundo é alterá-lo e não simplesmente interpretá-lo.

A via de acesso a realidade dos historiadores são fragmentos textualizados, assim a posição do historiador não é única, e todas as definições da realidade então comprometidas em processos textuais.  Entender estes processos é fundamental.

O problema a seguir é tratado sobre reconstrução documental e o dialogo com o passado via a consideração de uma grande tradição mais isto pressupõe prestar uma especial atenção a produção dos “Canon”. O que faz de uma obra um clássico, várias são as perguntas colocadas pelo autor, fazendo crítica a visão etnocêntrica de tratar apenas como textos tradições escritas e excluir outras tradições e culturas. Entretanto o autor evidencia o descompasso de algumas obras aparecem como clássicas e por isso mesmo perderem sua significação particular. O autor aborda estas questões a partir de uma distinção entre o que El chama de caráter documental e do “ser-obra”. A primeira caracterização diz respeito de que o documental situa o texto em dimensões fáticas ou literais que implicam referencia a realidade empírica e transmitem informação sobre ela. Enquanto o “ser-obra” complementa a realidade empírica com agregados. Elementos que contemplam a interpretação e a imaginação. O “ser-obra” é crítico e transformador, porque desconstrói e reconstrói o dado trazendo ao mundo um transformação significativa. Fazendo o exemplo que enquanto o documentário assinala uma diferença o “ser-obra” constitui uma. Isto me remete a própria historiografia é pode levar a critérios de diferenciação de uma boa historiografia para uma historiografia normal é aquela que fica. Algo bastante pós-moderno no que diz respeito de que o melhor não é o diferente, todos nós somos, o melhor implica fazer a diferença! Mas em termos de analise estes aspectos são simultâneos em qualquer texto. A partir destes problemas é que o autor propõe uma história intelectual como uma história dos textos e seguem-se daí seis outros problemas como feitos na história tradicional e outros enfoques sugeridos pelo autor: A relação entre as intenções do autor e o texto, a relação entre a vida do autor e o texto, a relação entre a sociedade e os textos, a relação entre a cultura e os textos, a relação entre um texto e um corpus de texto de um escritor e, por último, a relação entre os modos de discurso e textos.

 

 

 

A RELAÇÃO ENTRE AS INTENÇÕES DO AUTOR E O TEXTO

 

 

A primeira caracterização do autor é quanto às teorias dos atos de fala, a necessidade de se captar a intenção do autor ao fazer o texto. No entanto, tal postura, acusa o autor, de levar a opinião extrema de que a partir da enunciação se está deduzindo o significado das intenções do autor ao fazer seus escritos. A posição de Quentin Skinner que defendia com vigor que o objeto da história intelectual deveria ser o estudo do que os autores pretendiam dizer em contextos históricos e situações comunicativas diferentes. (Uma defesa da intenção autoral como o elemento que proporciona um critério de interpretação válida.). as criticas são dirigidas são ao problema do impedimento da relação entre intenções além da incluída auto-impugnação. A questão é que esta intencionalidade não considera a expropriação da tradição do autor já que seu texto é passado a domínio publico. O autor coloca que as diferenças básicas  nas interpretações  ( o modo do discurso) poucas vezes giram, em torno de simples questões de faro – e que em certos níveis essas diferenças podem ter um valor não integralmente subordinado ao ideal de consenso na interpretação. Posto que seja possível que se relacionem com processos de impugnação que tem um papel crítico no presente e que tem como objetivo conservar de alguma forma um contexto social qualquer.

 

 

 

 

 

 

 

 

·        Internalidade  e externalidade

·        História intelectual como método.

·        O problema da tradição e colocar a relação entre textos e seus diversos contextos pertinentes

·        Transformação do texto em problema

·        Crítica a concepção documental da compreensão histórica.

·        Proposta de uma concepção dialógica

·        Proximidade e distanciamento

·        Inserção do pesquisador como construtor de contextos

·        O aspecto estilístico como uma prática significante.

·        Linguagem e mundo

·        Outras artes e a tarefa de traduzi-las (Lembrar do exemplo do Palavra a da nova função do gramático. De orientador e não de dono da verdade)

·        Os processos textuais são a via do historiador à “realidade”

·        Reconstrução documental e dialogo com o passado

·        Problematização da produção dos Canon

·        Caráter documental e “ser-obra”

·        A História intelectual como uma história do texto

·        Problemas de abordagens

·        A relação entre intenção do autor e texto e as teorias dos atos de fala.

·        A relação entre a vida do autor e o texto

 

 

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