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Thomas Elliot Skidmore

Thomas Elliot Skidmore

 

 

Professor of Modern Latin American History and Portuguese and Brazilian Studies Emeritus

 

Thomas E. Skidmore is considered a leading interpreter of Brazil in the United States, and the author, co-author, or editor of nine books and numerous scholarly articles. He received his M.A. in philosophy, politics, and economics from Oxford University and his Ph.D. in modern European history from Harvard University. The second edition of his most recent book, Brazil: Five Centuries of Change (Oxford University Press) is forthcoming in 2008. Three of his books—Politics in Brazil 1930–1964: An Experiment in Democracy (Oxford University Press, 1967), Black Into White: Race and Nationality in Brazilian Thought (Oxford University Press, 1974), and The Politics of Military Rule in Brazil: 1964-1985 (1988)—are acknowledged classics in the field of modern Brazilian history and academic bestsellers in the United States, Brazil, and Europe. Other recent publications include Television, Politics, and the Transition to Democracy in Latin America (Johns Hopkins University Press, 1993, ed.) and Modern Latin America (Oxford University Press, 1984, with Peter H. Smith). Skidmore is co-editor of the Cambridge Encyclopedia of Latin America and the Caribbean (Cambridge University Press, 1985), and is on the editorial board of The Journal of Interdisciplinary History. He has served as oresident of the Latin American Studies Association and of the New England Council of Latin American Studies.

 

A Revolução de 30

 

A posse de Getúlio Vargas em novembro de 1930 pode ser caracterizada como um golpe pelo motivo de que foi a tomada armada de um líder civil em um movimento de oposição quando os militares mais graduados haviam deposto Washington Luis (1926-1930) mesmo a despeito do resultado favorável nas eleições para Julio Prestes no qual Getúlio Vargas havia sido derrotado. Skidmore ressalta que, pela primeira vez desde a Proclamação da Republica, o candidato do “governo” não conseguiu tomar posse. Isto não significava tranqüilidade nas eleições da República Velha (1889 – 1930), ao contrário, a presidência da republica era encarada como o premio de uma profunda disputa política visto que pela constituição de 1891 o presidente estava proibido de ser reeleito. A escolha do candidato vencedor era feita previamente mediante jogos políticos intra-partidários e uma vez acertada, as maquinas eleitorais estaduais tinham relativamente facilidade na manipulação dos resultados. Desta forma, com o apoio dos lideres políticos de um numero de suficiente de Estados era possível assegurar a maioria eleitoral. O candidato indicado, amparado pelo regime vigente, não temia a derrota.  Ainda havia o filtro na eleição municipal a partir dos “currais eleitorais” sob tutela dos coronéis. Skidmore já aponta para a época o declínio do sistema de controle político do coronelismo patriarcalista resultado de mudanças econômicas que minavam a tradicional estrutura econômica do atrasado interior brasileiro, no entanto ainda era um fator a ser considerado nas eleições de 1929.

O candidato apoiado por Washington Luis – Luis Carlos Prestes –, ambos de São Paulo, recebeu de acordo com as fontes 1.091.709 dos 1.890.524 votos válidos nas eleições de 30. O contestamento dos resultados partiu da oposição sob a égide da Aliança Liberal que tinha também o apoio de lideres políticos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul indignados com a perspectiva da política paulista de prolongar seu governo. O caso já fora visto em 1910 e 1922, no entanto os fatos nesta ocasião não ficaram em termo de retórica apenas. Em 30 de maio, Getulio Vargas lançou um manifesto e algumas semanas depois das eleições jovens aliaram-se ao golpe, entre eles, Oswaldo Aranha e Lindolfo Collor, que estavam em contato com lideres descontentes da Aliança Liberal, em Minas e na Paraíba. Há a menção dos patriarcas políticos do Rio Grande do Sul (Borges de Medeiros) e de Minas Gerais (Antonio Carlos) só que como mais cautelosos quanto à Revolução. Skidmore diz que como um nem o outro queria começar a revolta – pois no contexto prevalecia o próprio argumento expresso na fala de Julio Prestes a respeito de mudanças “nossos hábitos e costumes políticos poderiam ter lugar dentro da ordem e do regime” preocupação de todos os políticos da época por mais que tivessem insatisfeitos com resultados.Governador Antônio Carlos

  De modo que o acontecimento que catalisou a Revolta da oposição foi o assassinato do ex-candidato à vice-presidência, João Pessoa, da Paraíba. Morreu em 26 de julho assassinado pelas mãos de um filho de um inimigo local. Nada de atípico dentro do conturbado cenário político nordestino entre brigas de famílias locais. O agravante foi o apoio de Washington Luis à família do assassino.

O movimento de revolta foi organizado na forma de um quartel-general sob comando do Coronel Goés Monteiro e a data da revolta foi marcada para três de outubro. A revolta teve o apoio dos tenentistas. A Aliança dos Estados ia minando o poder de Washington Luis a ponto de este perder o comando militar do governo. E considera-se o fato de que em relação a apoio a Washington Luis: “Ninguém desejava que seu filho vestisse uma farda e fosse morrer na linha de frente por um homem tão francamente divorciado dos interesses coletivos. (Skidmore p. 24)

 Diante da revolução iminente parte dos militares interveio com o pedido de fazer com que o presidente renunciasse, solicitação tida como em vão diante da recusa do presidente a proposta. Apenas depois que Cardeal Leme do Rio de Janeiro convenceu o presidente de que sua posição estava perdida e que deveria renunciar a sua pretensão de empossar Julio Prestes em novembro.

 

Com isto governou uma junta militar por dez dias até empossar Getulio Vargas em três de novembro. Skidmore chama à atenção para o fato de que, como na transição do Império para a República em 1889, os militares superiores assumiram a transição, no momento crítico, que então transferem o poder para novos quadros de políticos civis a favor da ordem. Em 1930, os comandantes do Exercito e da Marinha encontraram-se colocados numa posição que se deveria torna-se cada vez mais familiar na subseqüente história do Brasil: o papel de arbitro final da política interna. (Skidmore, p. 25)

 

 

A tomada do poder por Vargas ficou conhecida como a Revolução de 30, pelo menos em termos políticos e a caracterização do autor do período é que “na década e meia depois de Vargas ter assumido o poder, praticamente todas as características do sistema político e da estrutura administrativa foram objeto de zelo reformista” (Skidmore, p. 25). Argumenta então que a Revolução vista da perspectiva de 1930 seria apenas mais um fato político da luta entre as elites por posições no governo, mas ressalta que as reformas oriundas da Revolução de 30 afetaram estruturalmente a dinâmica das relações políticas de até então e que acompanharam também fatores externos como a conjuntura da economia mundial, bem como das relações sociais com a emergência de um projeto de industrialização e do aparecimento de novos atores na política. Segundo o autor, são dois os fatores que distinguiram a Revolução de 30, como tratada anteriormente: O primeiro, a antiga República desabou sobre o peso de suas disputas internas e de fatores econômicos de ordem mundial e o segundo reflete uma revisão profunda do sistema político anterior.

Havia uma perspectiva que tomava as mudanças como meramente formais em termos de alterações na constituição, no mais exato sentido jurídico, ou, os que desejavam uma mudança mais profunda nas relações sociais e no sistema político, abrangendo uma reorganização nacional. Tais perspectivas traduziam um desejo de novas formas de experimentação política. O esforço resultou segundo os destaques de Skidmore em sete anos de agitada improvisação que incluíram uma revolta regionalista em São Paulo (A Revolução Constitucionalista de 1932), uma nova constituição (A constituição de 1934), um movimento de frente popular (O Movimento da Aliança Nacional Libertadora), um movimento fascista (A Ação Integralista Brasileira) e uma tentativa de golpe comunista (Intentona Comunista). Culminando, o Brasil exausto, na experimentação política e antidemocrática com oito anos de regime autoritário a partir de 1937, o Estado Novo.

 

 

 

 

 

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