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Posts Tagged ‘Trabalhismo’

Como combinado quando se tratando de publicações oficiais aviso e publico aqui o link. Neste dois últimos meses (Dez/2010) e (Jan/2011) saíram alguns trabalhos meus.  O primeiro na Revista História e-História da Unicamp e o segundo na Revista Mosaico do CPDOC-FGV. Respectivamente, um artigo e uma resenha, na área de História e Antropologia, sendo o primeiro parte da minha dissertação de mestrado na História. Abaixo seguem os links:

http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=newsletter&id=187

E o outro,

http://cpdoc.fgv.br/mosaico/?q=resenhas

 

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VILLA, M. A. . Jango, um perfil (1945-1964). 1. ed. São Paulo: Globo, 2004. 287 p.

O texto de Villa segue o caminho do gênero biográfico em História. Por se tratar de História Política, perfaz um novo caminho. Houve um tempo em que o papel do sujeito, centro de uma biografia política, foi eclipsado nas análises históricas. Principalmente porque a partir dos anos 40, com a crítica à História Política, dos eventos – dos Reis e dos Príncipes – a análise histórica centrou-se metodologicamente, em nome de mais objetividade, no tema das estruturas, recorte acolhido dentro da recém História Social. Contudo, ‘Jango: Um perfil (1961-1964)’ tem como perspectiva de análise uma história política aportada no gênero biográfico de grandes políticos a partir da análise da vida política de João Goulart, presidente do Brasil entre os anos de 1961 a 1964, tendo como enfoque, no entanto, uma crítica desta História  sem sujeito, sem que o recurso biográfico recaia na hagiografia do objeto analisado.

Assim, o autor preocupa-se em destacar os fracassos de Jango, na tentativa de retirá-lo do ‘Olimpo dos Deuses’, lugar dedicado a quase totalidade das personalidades, políticas ou não, do passado. Entretanto, é de se salientar o lugar de fala do escritor, por trás de um discurso quase moralista tem-se uma retórica da ‘verdade’ subsumida na versão historiográfica de grupos específicos da política brasileira crítica do grupo reformista da qual o próprio Jango pertenceu.

O primeiro capítulo, de título ‘O Ungido’, é dedicado à reconstrução da relação de Getúlio Vargas com João Goulart e como o mesmo chegou ao lugar de sucessor da tradição política Getulista. Primeiro o autor dá destaque a atuação na política regional de João Goulart até sua chegada à presidência do PTB, dando ênfase ao péssimo rendimento escolar de Jango, sua predileção ao futebol durante a juventude em detrimento a assuntos mais sérios, bem como suas diversões noturnas com meretrizes que tornou-se um vício que perdurou ao longo de sua vida. Todos estes fatos associados à análise da ascensão política de Jango mediante o apadrinhamento de Getúlio Vargas, de quem se fez herdeiro com o suicídio do mesmo em agosto de 1954, servem para desconstrução do que o autor entende como um mito sobre ‘Jango’.

O segundo capítulo intitulado ‘Vamos Jangar’ tem como tema a consolidação de João Goulart na política nacional acompanhando suas duas vice-presidências, respectivamente, no Governo JK e Jânio Quadros. Tem como eixo de seu argumento a mudança da política externa no Brasil durante o Governo de Jânio Quadros e os percalços das viagens ao exterior por João Goulart na sua conturbada posse sob o regime parlamentarista instituído após a renúncia de Jânio Quadros em 1961. Na visão de Villa, a ‘Campanha pela Legalidade’ foi derrotada ao João Goulart optar por sua posse aceitando as condições oferecidas pelo Congresso Nacional que teve como principal mediador o político mineiro Tancredo Neves. É de se ressaltar a relação de João Goulart e Brizola, o principal articulador da ‘Campanha pela Legalidade’.  João Goulart foi distanciando-se de seu cunhado devido ao radicalismo e o perigo de ingovernabilidade associado ao perfil político de Brizola por seu radicalismo em um momento tenso como o da Guerra Fria.

Já o terceiro capítulo trás bem a perspectiva de Villa com relação a João Goulart ao iniciá-lo e terminá-lo tendo como fio condutor as estratégias do Governo de antecipação do Plebiscito para maior concentração de poder nas mãos do presidente como um desejo pessoal de João Goulart.  Esta característica pode também ser observada na curiosa e recorrente definição do autor  sobre o presidente como um caudilho, um dos traços do perfil de João Goulart como governante na visão de Villa. O autor afirma primeiramente com relação à posse do presidente, depois da ‘Campanha pela Legalidade’ de 1961 e sob auspícios do parlamentarismo que: ‘Caso tentasse distanciar-se da possível tutela do cunhado, teria de fazer algo que nunca foi de seu interesse: governar. Para ele, o agradável era somente o exercício do poder, e o parlamentarismo inicialmente caiu como uma luva, mesmo tendo de partilhá-lo com o primeiro-ministro.[1]

O desfecho do capítulo, acompanha a tese de João Goulart como amante do poder, ao relatar as sucessivas vitórias do presidente na mobilização política para antecipação do Plebiscito sobre o Regime de Governo que estava previsto somente para 1965 e a proposta do Plano Trienal de Celso Furtado com ancora política. O autor afirma que: ‘Todavia, para Jango, o plano estava ótimo. Dava credibilidade à campanha do ‘não’ e transformava sua postulação pessoal em algo doutrinário e indispensável para a retomada do crescimento econômico. Finalmente, 16 meses depois de ter chegado ao Palácio do Planalto, estava próximo de gozar o que tanto almejava: o pleno exercício de poder.’[2]

Em ‘O Terceiro Começo’, Villa destaca os insucessos de Jango ao tentar o estado de sítio no final do ano de 1963 perante o clima de instabilidade política. Tal medida previa intervenção ao Governo da Guanabara de Carlos Lacerda, de São Paulo de Ademar de Barros e no de Pernambuco de Miguel Arraes.

No capítulo seguinte, ‘Só Converso com Militares’, o autor chama atenção para quando instalado o regime presidencialista , após a vitória de Jango no Plebiscito de 1963, João Goulart, a despeito de suas propostas de ‘Reformas De Base’, pouco fazia para efetivá-las. Mandatário de uma política ambígua e conciliadora, quando não atacava o Congresso Nacional como empecilho para as reformas, quando alguma medida era ganha, o presidente era o mais lento a sancionar as leis que segundo seu discurso eram de seu único interesse. Agravando-se a conjuntura política e econômica, os discursos e grupos de pressão ao Governo, tanto a partir da esquerda como da direita, segundo demonstra Villa a opção de João Goulart foi uma aproximação deliberada aos Militares através de cada vez mais freqüentes encontros, jantares e aumento na folha de pagamentos como forma de somar seus dividendos políticos.

O penúltimo capítulo intitulado ‘Reforma ou Golpe’ versa sobre tema controverso, a saber: o comício ocorrido na Estação Central do Brasil a 13 de março de 1964. Este comício, na visão do autor, teria se tornado um mito com relação às causas do Golpe, quando diziam que nele, João Goulart, teria optado por um discurso mais radical fora de seus padrões conciliatórios. O autor alega que o Golpe já vinha sendo tramado bem antes de tal comício por parte dos Militares. Com descrição minuciosa de todo aparato mobilizado pelo Governo na constituição do comício, os gastos para mover apoio político ao presidente, Villa destaca, sobretudo, a insegurança e o nervosismo de Jango durante seu discurso.

Por fim, Villa encerra seu livro com o último capítulo dedicado ao Golpe Militar. Primeiramente focando nos movimentos populares como a Marcha pela Família e a Liberdade em resposta ao Comício da Estação Central do Brasil, depois fazendo um panorama do quadro Militar e do quadro internacional, acompanhando algumas considerações do embaixador norte-americano Lincoln Gordon, bem como do ambiente político. O autor faz uma narrativa em por menor das ações desencontradas dos Militares, o clima de caos nas vésperas do Golpe e a não resistência de João Goulart ao Golpe em vários momentos; reiterando a arte de protelar intrínseca à maneira de governar do presidente, que acaba sua vida como um estancieiro no Uruguai. Destino este, segundo o autor, condizente a sua sempre ‘distância’ da política.

Deste modo Marco Antônio Villa escreve seu perfil de Jango salientado suas fraquezas, ressaltando a falta de projetos políticos consistentes, pintando um João Goulart mesmo que atrelado à imagem do presidente das ‘reformas de base’ como um presidente de sorte. Pela maneira como entrou na política, como um sucessor de um grande estadista brasileiro no século XX – Getúlio Vargas – e sua ascensão rápida dentro das hierarquias do poder. Só que a despeito de sua sorte, se mostrou muito incapaz, talvez um egoísta. Na visão do autor, por ter deixado o país como um dos responsáveis pela mais profunda crise política vivida no Brasil Republicano.

* Marco Antônio Villa é Doutor em História Social pela USP e professor do Departamento de Ciências Socias da Universidade Federal de São Carlos.


[1] Villa, Marco Antônio. ‘Jango: Um Perfil (1961-1964)’, p.63, 2004.

[2] Villa, Marco Antônio. ‘Jango: Um Perfil (1961-1964)’, p.98, 2004.

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